Ordem Franciscana Anglicana

Ordem Franciscana Anglicana Página em construção.

Na Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja contempla o mistério do Deus Uno e Trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Nã...
31/05/2026

Na Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja contempla o mistério do Deus Uno e Trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Não adoramos um Deus distante, mas um Deus que é eterna comunhão de amor, fonte da criação, redenção e santificação.

O Pai, em sua infinita misericórdia, cria e sustenta todas as coisas. O Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, assume a condição humana para reconciliar o mundo com Deus. O Espírito Santo vivifica a Igreja, inspira os fiéis e conduz o povo santo na verdade, na justiça e na paz.

A Trindade Santíssima revela que o amor verdadeiro jamais se fecha em si mesmo, mas se doa, acolhe e gera vida. Por isso, toda comunidade cristã é chamada a refletir, em sua missão e testemunho, esta comunhão divina marcada pela unidade na diversidade, pela dignidade humana, pela fraternidade e pelo serviço aos mais vulneráveis.

Como herdeiros da tradição anglicana, reafirmamos nossa vocação de sermos uma Igreja enraizada nas Sagradas Escrituras, fortalecida pelos Sacramentos e guiada pela razão iluminada pelo Espírito Santo. Celebrar a Santíssima Trindade é renovar nosso compromisso com uma fé viva, encarnada na história e comprometida com o Reino de Deus.

Neste santo dia, elevemos nossas orações para que a humanidade aprenda novamente o caminho da comunhão, da reconciliação e da paz. Que o Deus Trino derrame sua graça sobre as famílias, sobre a Igreja e sobre todas as nações.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

* Conselho Episcopal Primacial
IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ANGLICANA

Neste Santo Dia de Pentecostes, celebramos a descida do Espírito Santo sobre a Igreja nascente, sinal vivo de que Deus c...
25/05/2026

Neste Santo Dia de Pentecostes, celebramos a descida do Espírito Santo sobre a Igreja nascente, sinal vivo de que Deus continua soprando esperança sobre o mundo. O Espírito não veio para criar muros, mas para unir povos, línguas e corações na mesma graça do amor divino.

Como cristãos da tradição anglicana, reconhecemos que a ação do Espírito nos conduz à fidelidade às Escrituras, à vida sacramental e ao compromisso com a missão de Cristo no mundo. Pentecostes nos recorda que a Igreja deve permanecer aberta à renovação, ao diálogo, à justiça e ao serviço humilde ao próximo.

Na espiritualidade franciscana, o Espírito Santo é também o sopro da paz, da simplicidade e da fraternidade universal. Foi pelo fogo do Espírito que São Francisco encontrou coragem para abandonar os privilégios e abraçar os pobres, os esquecidos e toda a criação como expressão do amor de Deus.

Hoje, mais do que nunca, precisamos permitir que este fogo santo transforme nossas palavras em instrumentos de reconciliação, nossas mãos em serviço e nossa fé em testemunho vivo do Evangelho. Que o Espírito Santo cure nossas divisões, fortaleça nossa esperança e reacenda em nós a coragem de viver o amor de Cristo com autenticidade.

“Vinde, Espírito Santo, e renovai a face da Terra.”

— Frei Leão de Jesus

✨ SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR ✨“Homens da Galileia, por que ficais olhando para o céu?” (At 1,11)A Ascensão do Senh...
18/05/2026

✨ SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR ✨

“Homens da Galileia, por que ficais olhando para o céu?” (At 1,11)

A Ascensão do Senhor não celebra a ausência de Cristo, mas a plenitude da sua presença. Jesus sobe aos céus, mas não abandona a humanidade. Ao contrário: envia a Igreja ao mundo como sinal vivo do Reino de Deus.

O Evangelho de hoje nos recorda que a fé cristã não é fuga da realidade. Cristo não nos chama para uma espiritualidade distante das dores humanas, mas para uma missão de amor, justiça e esperança.

Dentro da espiritualidade franciscana, aprendemos que contemplar o céu deve nos levar a cuidar da terra, dos pobres, das crianças, dos enfermos e de toda a criação de Deus.

A Ascensão é um chamado:
✝️ servir com humildade
✝️ acolher com misericórdia
✝️ anunciar a paz
✝️ defender a dignidade humana
✝️ testemunhar o Evangelho no mundo

Cristo reina, mas o seu reinado não se manifesta pelo poder dos impérios. Seu trono é a cruz. Seu cetro é a misericórdia. Sua glória é o amor que se doa.

E a promessa permanece viva:
“Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo.” (Mt 28,20)

Que a Igreja seja presença de Cristo:
na Palavra proclamada,
na Eucaristia celebrada,
nos pobres esquecidos,
na comunidade reunida
e na luta pela justiça e pela paz.

Olhemos para o céu, sim…
mas caminhemos pela terra como testemunhas do Reino.

* Frei Leão de Jesus
Igreja Católica Apostólica Anglicana

6º DOMINGO DA PÁSCOA - DIA DAS MÃES (10/05/2026)Amados irmãos e irmãs em Cristo,a liturgia deste Domingo da Páscoa nos c...
10/05/2026

6º DOMINGO DA PÁSCOA - DIA DAS MÃES (10/05/2026)

Amados irmãos e irmãs em Cristo,
a liturgia deste Domingo da Páscoa nos conduz ao coração do Evangelho: o amor que se transforma em compromisso concreto com Deus e com o próximo.

No Evangelho segundo São João, Jesus afirma:

> “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15).

Nosso Senhor não fala de um amor abstrato, sentimental ou apenas religioso. O amor cristão verdadeiro produz frutos de justiça, misericórdia e solidariedade. Amar Jesus significa defender a dignidade humana, acolher os pobres, proteger as crianças, respeitar os idosos e lutar contra toda forma de violência e exclusão.

Vivemos tempos marcados pela intolerância, pela desigualdade social e pela cultura do descarte. Muitos sofrem com a fome, com o desemprego, com a solidão e com a ausência de esperança. Diante dessa realidade, a Palavra de Deus nos recorda que o Espírito Santo continua sendo enviado para sustentar a Igreja em sua missão profética e pastoral.

Na primeira leitura, o apóstolo Paulo fala ao povo de Atenas sobre o Deus da vida, o Deus que “não está longe de cada um de nós” (At 17,27). Essa mensagem permanece atual. Deus não habita apenas nos templos; Ele também se manifesta nas periferias, nas comunidades esquecidas, nos territórios indígenas, nas famílias feridas e no clamor dos que sofrem injustiça.

Como anglicanos, somos chamados a viver a fé equilibrando Escritura, Tradição e Razão, testemunhando um cristianismo comprometido com a reconciliação, a dignidade humana e a construção da paz. Nossa espiritualidade não pode se fechar em formalismos religiosos enquanto tantos irmãos padecem necessidade.

E aqui resplandece também o carisma franciscano: simplicidade, humildade, fraternidade e amor por toda a criação. São Francisco de Assis nos ensinou que o Evangelho deve ser vivido com radicalidade e ternura. O Cristo Ressuscitado nos chama a sermos instrumentos de paz em um mundo marcado pela violência e pela indiferença.

Neste Dia das Mães, contemplamos com gratidão aquelas mulheres que refletem o cuidado amoroso de Deus na vida cotidiana. Muitas mães carregam silenciosamente o peso do sustento da família, da educação dos filhos e das dores escondidas do coração. Algumas sofrem pela ausência de seus filhos, outras enfrentam dificuldades financeiras, enfermidades ou abandono.

A elas nossa reverência e nossas orações.

O amor materno nos ajuda a compreender o próprio amor de Deus: um amor paciente, cuidador e perseverante. Assim como uma mãe protege seus filhos, também a Igreja deve acolher os pequenos, defender os vulneráveis e cuidar dos que foram esquecidos pela sociedade.

O apóstolo Pedro, na segunda leitura, nos exorta a permanecer firmes na prática do bem, mesmo em meio às adversidades (1Pd 3,13-22). Essa é a missão do povo cristão: não retribuir ódio com ódio, mas testemunhar esperança; não alimentar divisões, mas construir pontes; não se acomodar diante da injustiça, mas anunciar o Reino de Deus com coragem.

Que nossas comunidades sejam espaços de acolhimento, partilha e serviço. Que nossas famílias sejam escolas de amor e respeito. Que nossas mães sejam honradas não apenas com palavras, mas também com presença, cuidado e gratidão.

E que o Espírito Santo, prometido por Cristo, nos fortaleça para vivermos autenticamente os valores do Evangelho.

Amém.

* Frei Luciano de Jesus, sacerdote da Igreja Católica Apostólica Anglicana e Ministro Geral da ORDEM FRANCISCANA ANGLICANA.

*O Coração por Trás da Estola: O Peso Invisível da Missão* Muitas vezes, olhamos para o altar e vemos uma figura que par...
09/05/2026

*O Coração por Trás da Estola: O Peso Invisível da Missão*

Muitas vezes, olhamos para o altar e vemos uma figura que parece inabalável. O sacerdote é aquele que abençoa, que aconselha, que perdoa em nome de Deus e que parece ter respostas para todas as angústias do mundo. Mas, quando as luzes da igreja se apagam e as portas se fecham, existe uma realidade que poucos conhecem:
*o padre também é humano.*

A missão sacerdotal é sublime, mas é também um fardo de uma densidade imensurável. É uma entrega que exige o abandono de si mesmo para carregar as dores alheias. O padre ouve o choro do luto, o desespero do desemprego, a crise das famílias e o peso dos pecados que ninguém mais quer carregar. Ele se torna o receptáculo das sombras de sua comunidade, oferecendo em troca a luz da esperança — mesmo quando, por dentro, ele também se sente no escuro.

*As Lágrimas que Ninguém Vê*

É doloroso ser alvo de julgamentos e descréditos gratuitos. Muitas vezes, a incompreensão e a dureza de coração daqueles a quem o padre se dedica tornam o caminho ainda mais íngreme. O que o povo não vê são:

*As noites de solidão:* Onde o silêncio do seu quarto ecoa o cansaço de um dia exaustivo.

*O choro escondido:*
Sim, os padres choram. Choram escondido para que ninguém veja, para não escandalizar a fé alheia, para manter a postura de "fortaleza" que todos esperam.

*O peso da responsabilidade:*
A sensação de que não se pode errar, de que não se pode estar cansado ou triste.

*Um Apelo ao Carinho e à Empatia*

Ser padre não é um cargo administrativo; é uma paternidade espiritual. E, como qualquer pai, o sacerdote precisa de cuidado, de um olhar de afeto e de orações que sustentem seu cansaço. Quando desacreditamos de um sacerdote sem motivos, ou o atacamos com críticas impiedosas, estamos ferindo alguém que escolheu renunciar à própria vida para servir à nossa.
Seja no rito Romano, Anglicano ou em qualquer missão pelo mundo, o sacerdócio é uma ponte. Mas, para que a ponte não desabe, ela precisa de alicerces. E o alicerce de um padre, além da Graça de Deus, é a caridade de seu povo.

*Antes de julgar, ofereça uma oração. Antes de criticar, ofereça um sorriso. O seu padre também precisa de você para continuar sendo um sinal de Deus na terra.*
> *"O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor."* — *São João Maria Vianney*

Em oração,
Dilvano Westenhofer Brum
Sacerdote Anglicano

Texto de PadreAgostinho De Jesus Anglicano

5º Domingo da Páscoa (03/05/2026)As leituras de hoje nos conduzem a um caminho de confiança radical em Deus, mesmo em me...
03/05/2026

5º Domingo da Páscoa (03/05/2026)

As leituras de hoje nos conduzem a um caminho de confiança radical em Deus, mesmo em meio às adversidades. Em Atos dos Apóstolos (7,55-60), contemplamos o testemunho de Estêvão, que, cheio do Espírito Santo, enfrenta a morte com o olhar fixo no céu. Sua atitude não é de revolta, mas de entrega: ele perdoa, ama e confia. Eis o sinal de uma fé pascal autêntica.

O Salmo (31) ecoa essa mesma confiança: “Em tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito”. Trata-se de uma espiritualidade que não nega o sofrimento, mas o transforma em oferta. É aqui que encontramos profunda sintonia com o espírito franciscano: a confiança filial em Deus, mesmo na dor, e a escolha do amor como resposta.

Na Primeira Epístola de Pedro (2,2-10), somos chamados “pedras vivas”, edificados como casa espiritual. A Igreja, no ethos anglicano, é compreendida como comunidade viva, sacramental e missionária, fundada em Cristo, mas construída por cada um de nós. Não somos espectadores da fé, mas participantes ativos da obra de Deus no mundo.

Por fim, no Evangelho de NSJC segundo João (14,1-14), Jesus nos consola: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Não se trata de uma ideia abstrata, mas de uma relação viva com o Cristo. Seguir esse caminho implica viver como Ele viveu: na humildade, no serviço e no amor.

Assim, à luz da Páscoa, somos convidados a trilhar o caminho de Cristo com coragem, como Estêvão; com confiança, como o salmista; e com consciência de nossa missão, como nos ensina Pedro. Que nossa fé não seja apenas professada, mas vivida — simples, pobre e cheia de amor, como nos inspira São Francisco.

Paz e Bem!
Frei Leão de Jesus

MENSAGEM DO DIA DOS TRABALHADORESA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ANGLICANA, por meio de seu Conselho Episcopal Primacial, d...
01/05/2026

MENSAGEM DO DIA DOS TRABALHADORES

A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ANGLICANA, por meio de seu Conselho Episcopal Primacial, dirige-se a todos os trabalhadores e trabalhadoras neste 1º de Maio, data que simboliza luta, resistência e esperança.

À luz da Sagrada Escritura, recordamos: “O trabalhador é digno do seu salário” (Lucas 10,7). Esta Palavra reafirma a dignidade do trabalho humano e o direito inalienável a condições justas e dignas de vida.

Reconhecemos a importância da consciência de classe como instrumento legítimo de libertação e justiça social, bem como a urgente necessidade de união, organização e mobilização dos trabalhadores na defesa de seus direitos históricos.

Em um tempo marcado por desigualdades e precarizações, conclamamos todos à solidariedade ativa e ao compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e inclusiva.

Manifestamos, com veemência, nosso apoio aos projetos em tramitação no Congresso Nacional que visam a eliminação da escala de trabalho 6x1, como medida necessária à promoção da dignidade humana, do descanso justo e da qualidade de vida do povo trabalhador.

Que Deus fortaleça cada trabalhador e trabalhadora, sustentando-os na esperança e na luta por justiça.

Conselho Episcopal Primacial

Orando por todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e do mundo.
01/05/2026

Orando por todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e do mundo.

Sermão – 4º Domingo da Páscoa (Domingo do Bom Pastor)Amados irmãos e irmãs em Cristo,a paz e o bem!Neste 4º Domingo da P...
26/04/2026

Sermão – 4º Domingo da Páscoa (Domingo do Bom Pastor)

Amados irmãos e irmãs em Cristo,
a paz e o bem!

Neste 4º Domingo da Páscoa, a Igreja nos convida a contemplar uma das imagens mais ternas e, ao mesmo tempo, mais desafiadoras do Evangelho: Cristo, o Bom Pastor. As leituras que ouvimos — Atos dos Apóstolos (2,42-47), o Salmo 23, a Primeira Carta de Pedro (2,19-25) e o Evangelho de João (10,1-10) — nos conduzem a uma profunda reflexão sobre cuidado, comunhão e responsabilidade.

Jesus afirma: “Eu sou o Bom Pastor… Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.”

Mas que vida é essa? E para quem ela é destinada?

1. O Pastor que conhece e chama pelo nome

No Evangelho, Jesus não fala de um pastor distante, frio ou autoritário. Ele fala de um pastor que conhece suas ovelhas pelo nome. Isso significa intimidade, dignidade e reconhecimento.

Num mundo como o nosso — marcado pela massificação, pela cultura do descarte e pela invisibilidade dos mais pobres — essa afirmação é revolucionária.

No Brasil e no mundo, milhões de pessoas não são chamadas pelo nome: são números em estatísticas, são corpos esquecidos nas periferias, são rostos invisíveis nas filas da fome, da violência e da exclusão.

O Bom Pastor nos ensina que ninguém é anônimo diante de Deus.

E aqui ressoa o ethos anglicano: uma fé que une Escritura, tradição e razão para afirmar a dignidade de toda pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus. E ressoa também o carisma franciscano: ver em cada rosto humano — especialmente no pobre e no ferido — o próprio Cristo.

2. A comunidade que partilha e cuida (Atos 2,42-47)

A primeira leitura nos apresenta a Igreja nascente:
“Todos viviam unidos e tinham tudo em comum.”

Não era apenas uma comunidade de culto, mas de partilha concreta. Não bastava rezar juntos — era preciso viver juntos, cuidar uns dos outros, repartir o pão.

Essa Palavra nos interpela diretamente.

Vivemos em uma sociedade profundamente desigual. Enquanto poucos acumulam excessos, muitos lutam pelo mínimo. A fé cristã não pode ser reduzida a um discurso espiritual descomprometido com a realidade social.

A Eucaristia que celebramos só é autêntica quando se desdobra em solidariedade.

Como nos lembra São Francisco de Assis:
“É dando que se recebe.”

E como Igreja Anglicana, somos chamados a ser uma comunidade inclusiva, reconciliadora e comprometida com a justiça — uma Igreja que não fecha os olhos diante das dores do mundo.

3. O Pastor que sofre com suas ovelhas (1 Pedro 2,19-25)

A segunda leitura nos recorda que Cristo é o pastor que sofre conosco e por nós.
Ele não conduz de longe — Ele caminha no meio das dores humanas.

Num tempo de tantas feridas — violência, intolerância, crises políticas, guerras, deslocamentos forçados, sofrimento ambiental — somos chamados a reconhecer: Deus não está ausente. Ele está presente nas cruzes da história.

Mas atenção: isso não justifica a dor. Pelo contrário, nos convoca a combatê-la.

Ser discípulo do Bom Pastor é tornar-se também sinal de cuidado.
É assumir uma espiritualidade encarnada, que não foge do mundo, mas o transforma.

4. O Salmo 23: confiança em meio à escuridão

O Salmo nos diz:
“O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

Mas o mesmo salmo reconhece:
“Ainda que eu caminhe pelo vale da sombra da morte…”

Ou seja, a fé não nos livra das dificuldades — mas nos garante que não estamos sozinhos nelas.

Hoje, muitos caminham por vales sombrios: desemprego, depressão, insegurança, medo do futuro. Como Igreja, precisamos ser presença de co***lo, esperança e direção.

5. Quem são os “ladrões e assaltantes” hoje?

Jesus também alerta:
“Quem não entra pela porta é ladrão e assaltante.”

Esses “ladrões” continuam presentes:

* São sistemas que exploram e desumanizam;
* São lideranças que manipulam a fé para dominar;
* São discursos que dividem, alimentam o ódio e negam a dignidade do outro;
* São estruturas que impedem a vida plena.

O Bom Pastor, ao contrário, liberta, inclui e conduz à vida abundante.

6. Chamados a ser pastores com Cristo

Queridos irmãos e irmãs,
o Evangelho não nos convida apenas a admirar o Bom Pastor — mas a **participar de sua missão**.

Cada um de nós é chamado a ser sinal de cuidado:

* Na família, sendo presença de amor;
* Na sociedade, sendo voz de justiça;
* Na Igreja, sendo instrumento de comunhão;
* No mundo, sendo testemunha da paz.

O carisma franciscano nos recorda:
somos irmãos e irmãs de toda a criação.
O ethos anglicano nos recorda:
somos responsáveis pela construção de uma fé viva, inteligente e comprometida.

Concluindo...

Neste Domingo do Bom Pastor, deixemos ecoar em nosso coração a voz de Cristo.

Ele nos chama pelo nome.
Ele nos conduz com amor.
Ele nos envia em missão.

Que possamos reconhecê-lo, segui-lo e, sobretudo, imitar o seu pastoreio — com ternura, coragem e compromisso com a vida.

E que, ao celebrarmos esta Eucaristia, possamos sair daqui como uma comunidade que não apenas escuta a voz do Pastor, mas que se torna também voz de esperança para o mundo.

Amém.
Paz e bem!

*Frei Luciano Campelo

Endereço

Ilhéus, BA

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