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As leituras deste domingo nos conduzem a uma verdade essencial da fé: Deus nos chama a atravessar os mares do medo e a c...
13/09/2026

As leituras deste domingo nos conduzem a uma verdade essencial da fé: Deus nos chama a atravessar os mares do medo e a construir relações marcadas pelo perdão, pela misericórdia e pelo respeito ao próximo.

Em Êxodo, Israel encontra-se diante do mar e parece não haver caminho possível. Entretanto, Deus abre uma passagem onde os olhos humanos só enxergavam impossibilidade. O Salmo 114 celebra essa ação libertadora: diante da presença do Senhor, a criação se move e o impossível se torna caminho. A fé, portanto, não elimina os desafios, mas nos ensina a caminhar confiando na presença de Deus.

Paulo, em Romanos, nos recorda que a comunidade cristã não deve transformar diferenças em motivos de julgamento. Há questões sobre as quais podemos pensar e agir de maneira diferente, mas pertencemos ao mesmo Senhor. Esse ensinamento dialoga profundamente com o ethos anglicano, que valoriza a comunhão, a escuta, a razão, a tradição e a centralidade das Sagradas Escrituras, reconhecendo que a unidade cristã não significa uniformidade.

No Evangelho, Jesus coloca o perdão no centro da vida comunitária. Perdoar não é ignorar a justiça ou negar a dor, mas romper o ciclo da vingança e permitir que a misericórdia tenha a última palavra. Quem experimenta o perdão de Deus é chamado também a tornar-se instrumento de reconciliação.

Que o Espírito Santo governe nossos corações, para que atravessemos os mares que nos dividem, acolhamos nossas diferenças e aprendamos a amar sem exclusões. Que nossa fé seja testemunho vivo de que Cristo continua sendo Senhor, caminho de reconciliação, justiça, misericórdia e paz.

Frei Leão de Jesus

As leituras de hoje nos conduzem por um caminho que une memória, louvor, amor e reconciliação. Em Êxodo, a Páscoa record...
06/09/2026

As leituras de hoje nos conduzem por um caminho que une memória, louvor, amor e reconciliação. Em Êxodo, a Páscoa recorda a libertação de um povo que Deus chama para uma nova caminhada. No Salmo 149, a comunidade responde com louvor, reconhecendo que a história também pode ser transformada pela justiça e pela esperança.

Paulo, em Romanos, apresenta uma síntese poderosa: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor”. O amor não é apenas sentimento; é compromisso concreto com o próximo e fundamento de uma vida orientada pelo Evangelho.

Jesus, em Mateus, mostra que a comunidade cristã não está isenta de conflitos, mas deve aprender a enfrentá-los com diálogo, responsabilidade e busca pela reconciliação. Primeiro, conversar com quem errou; depois, buscar ajuda da comunidade. O objetivo não é humilhar ou excluir, mas restaurar relações e preservar a dignidade de todos.

Esse caminho expressa profundamente o "ethos anglicano", que valoriza a vida comunitária, o diálogo, a razão iluminada pela fé e a reconciliação como testemunho cristão. Quando duas ou três pessoas se reúnem em nome de Cristo, Ele se faz presente — não para alimentar divisões, mas para construir comunhão.

Que nossa fé não seja apenas memória do que Deus fez no passado, mas prática cotidiana de amor, justiça, perdão e esperança. Celebrar a libertação é também assumir o compromisso de libertar, reconciliar e cuidar uns dos outros.

Onde houver conflito, sejamos instrumentos de diálogo. Onde houver divisão, promovamos comunhão. Onde houver sofrimento, sejamos presença de Cristo.

+ Frei Leão de Jesus

TOMAR A CRUZ E VIVER O AMORAs leituras de hoje nos conduzem ao centro da experiência cristã: seguir a Deus não significa...
30/08/2026

TOMAR A CRUZ E VIVER O AMOR

As leituras de hoje nos conduzem ao centro da experiência cristã: seguir a Deus não significa ausência de conflitos, mas fidelidade em meio às dificuldades. Jeremias apresenta-nos um profeta ferido, que clama a Deus e, ainda assim, permanece sustentado pela promessa divina. O Salmo 26 expressa essa confiança: mesmo cercado por adversidades, o coração busca permanecer na presença do Senhor.

Em Romanos, Paulo traduz essa fé em atitudes concretas: “o amor seja sem hipocrisia”. O cristão é chamado a amar, servir, perseverar na oração, acolher, compartilhar as necessidades dos outros e vencer o mal com o bem. Essa é uma espiritualidade profundamente comunitária e transformadora.

No Evangelho, Jesus anuncia sua paixão e confronta Pedro, lembrando-nos de que o caminho do Messias passa pela cruz. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” A cruz, porém, não é glorificação do sofrimento ou da injustiça. É o compromisso radical com o amor, a verdade, a justiça e a vida, mesmo quando esse compromisso tem um preço.

O ethos anglicano nos convida a unir fé e razão, oração e ação, tradição e compromisso com o mundo. Seguir Cristo é participar de sua missão, colocando a fé a serviço da dignidade humana e do bem comum.

Que, como Jeremias, aprendamos a confiar; como o salmista, a permanecer na presença de Deus; como Paulo, a amar concretamente; e, como discípulos de Jesus, a assumir nossa cruz com esperança.

Que nossa fé não seja apenas professada com os lábios, mas testemunhada por uma vida que vence o mal com o bem e transforma o mundo pelo amor. Amém.

+ Frei Leão de Jesus

"A Assunção de Maria: esperança que se faz serviço"Celebrar a Assunção de Maria de Nazaré é contemplar, com os olhos da ...
16/08/2026

"A Assunção de Maria: esperança que se faz serviço"

Celebrar a Assunção de Maria de Nazaré é contemplar, com os olhos da fé, a promessa de Deus de que a vida, o amor e a dignidade humana têm a última palavra sobre a morte. Maria, a humilde serva do Senhor, é elevada à plenitude da vida não como privilégio distante, mas como sinal da vocação de toda a humanidade à comunhão com Deus.

No ethos anglicano, Maria é reconhecida como mulher de fé, discípula e mãe do Salvador, cuja vida nos conduz ao centro do Evangelho: Cristo. Sua grandeza não está em afastá-la do povo, mas em aproximá-la ainda mais do mistério da encarnação, da esperança e do serviço.

No carisma franciscano, contemplamos em Maria a mulher da simplicidade, da humildade e do *sim* generoso. Ela nos ensina que a verdadeira grandeza nasce quando colocamos nossa vida a serviço do Reino, dos pobres, dos pequenos, dos excluídos e de toda a criação.

A Assunção, portanto, não nos convida a fugir do mundo, mas a transformá-lo. Maria, plenamente vivificada por Deus, aponta para uma humanidade reconciliada, para uma criação cuidada com ternura e para uma Igreja servidora, fraterna, inclusiva e comprometida com a justiça e a paz.

Que Maria de Nazaré nos ensine a dizer “sim” à vida, à esperança e ao Evangelho. E que, seguindo seus passos, sejamos peregrinos da fraternidade, instrumentos da paz e testemunhas de que Deus continua a elevar os humildes e a fazer novas todas as coisas.

+ Frei Leão de Jesus

"Onde Deus está, a esperança sempre vence o mal."Amados irmãos e irmãs, a Palavra de Deus deste 16º Domingo do Tempo Com...
19/07/2026

"Onde Deus está, a esperança sempre vence o mal."

Amados irmãos e irmãs, a Palavra de Deus deste 16º Domingo do Tempo Comum (ou 8º Domingo após Pentecostes) convida-nos a contemplar um dos maiores mistérios da vida cristã: a convivência entre o bem e o mal enquanto aguardamos a plenitude do Reino de Deus.

Em Gênesis, Jacó, cansado e fugitivo, deita-se sobre uma pedra e sonha com uma escada que liga a terra ao céu. Ao despertar, exclama: "Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não sabia." Deus revela que sua presença não está limitada aos templos ou aos momentos de glória; Ele também se manifesta nas noites escuras da existência, quando tudo parece perdido. A espiritualidade anglicana sempre recorda que a graça de Deus santifica o cotidiano. Como ensinava Lancelot Andrewes, Deus fala por meio das Escrituras, dos sacramentos, da oração e da vida da Igreja, fazendo do mundo um lugar onde o céu toca a terra.

O Salmo 139 reforça essa certeza: não existe lugar onde possamos fugir da presença divina. Deus conhece nossos passos, nossas lágrimas e nossas esperanças. Essa verdade nos consola, mas também nos responsabiliza: viver na presença de Deus exige integridade, humildade e misericórdia.

São Paulo, na Carta aos Romanos, afirma que toda a criação geme aguardando sua libertação. Não apenas os seres humanos, mas toda a criação sofre e espera pela redenção. Aqui encontramos um profundo ponto de encontro entre o ethos anglicano e o carisma franciscano. O anglicanismo reconhece a responsabilidade da Igreja em cooperar com Deus na renovação da sociedade. O franciscanismo contempla toda criatura como irmã, dom precioso do Criador. Cuidar da justiça, da paz e da criação não é um projeto político; é uma consequência do Evangelho.

O Evangelho apresenta a parábola do joio e do trigo. Os servos desejam arrancar imediatamente o joio, mas o Senhor responde: "Deixai crescer um e outro até a colheita."

Vivemos numa cultura marcada pelo julgamento rápido. Queremos separar imediatamente os bons dos maus, os dignos dos indignos. Entretanto, Cristo ensina a paciência divina. Deus conhece aquilo que nós desconhecemos. Quantas vezes o joio que enxergamos no outro revela apenas nossa incapacidade de compreender sua história? Quantas vezes Deus transforma corações que nós já havíamos condenado?

O Arcebispo anglicano William Temple afirmava que a Igreja existe para aqueles que ainda estão fora dela. Essa afirmação nos recorda que nossa missão não é eliminar pessoas, mas anunciar o Reino; não é condenar, mas reconciliar; não é destruir, mas cultivar a esperança.

Da mesma forma, o Arcebispo anglicano Desmond Tutu, cuja vida testemunhou a reconciliação em meio às feridas do apartheid, ensinava que não há futuro sem perdão. O trigo cresce não porque o joio desapareceu, mas porque Deus continua derramando sua graça sobre a terra.

São Francisco de Assis compreendeu isso profundamente. Ele não combatia pessoas; combatia o orgulho, a violência e a indiferença. Via em cada criatura a possibilidade de refletir a bondade do Criador. O verdadeiro discípulo de Cristo não mede forças para vencer os outros, mas oferece a própria vida para que o amor de Deus floresça onde parecia existir apenas esterilidade.

Que aprendamos, portanto, a reconhecer Deus nas pedras do caminho, como Jacó; a confiar em sua presença constante, como canta o salmista; a esperar com perseverança, como ensina São Paulo; e a cultivar o trigo do Reino com paciência, como nos ordena Cristo.

Que nossas comunidades sejam campos onde floresçam a justiça, a misericórdia, a acolhida e a esperança. Afinal, o Reino de Deus cresce silenciosamente, muitas vezes sem que percebamos, até o dia em que Cristo reunirá sua colheita.

Bênção

O Senhor vos abençoe e vos guarde.
Cristo, o verdadeiro Semeador, fortaleça vossa fé, faça crescer em vós o trigo da esperança e preserve vosso coração da tentação de julgar antes do tempo.

O Espírito Santo vos conceda paciência para amar, coragem para servir, sabedoria para discernir e alegria para testemunhar o Evangelho em toda a criação.

E a bênção de Deus Todo-Poderoso, ✠ Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça convosco hoje e para sempre.
Amém.

Frei Leão de Jesus
Reverendo Luciano Campelo
Padre eleito Bispo da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA Igreja Católica Apostólica Anglicana

"A Palavra que floresce em terra boa"*Frei Leão de Jesus*Amados irmãos e irmãs, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai,...
12/07/2026

"A Palavra que floresce em terra boa"
*Frei Leão de Jesus*

Amados irmãos e irmãs, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo.

A liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum nos conduz ao coração da missão cristã: "Deus continua semeando." Ele não desiste da humanidade, ainda que encontre pedras, espinhos e caminhos endurecidos. A semente da Palavra é lançada com abundância, porque o amor de Deus nunca é econômico; é generoso, extravagante e universal.

O profeta Isaías nos recorda que a Palavra do Senhor é como a chuva que fecunda a terra. Ela nunca retorna vazia, mas produz frutos de justiça e esperança. Em tempos marcados pela desesperança, pelas guerras, pela violência, pela intolerância religiosa, pela destruição ambiental e pela desigualdade social, esta promessa permanece viva: "Deus continua agindo na história."

O Evangelho nos apresenta a conhecida Parábola do Semeador. A questão principal não é a qualidade da semente, pois ela é perfeita. A pergunta é: "como está o nosso coração?"

Há corações endurecidos pela indiferença. Há corações rasos, seduzidos pela superficialidade das redes sociais, pelo consumismo e pela busca incessante de sucesso individual. Há corações sufocados pelos espinhos da ganância, do medo e da idolatria do dinheiro. Mas também existem corações férteis, que acolhem a Palavra e produzem frutos de solidariedade, misericórdia e paz.

Como anglicanos, afirmamos que a Palavra de Deus deve ser lida à luz da tradição da Igreja, iluminada pela razão e vivida no compromisso concreto com o Reino de Deus. Não basta ouvir o Evangelho; é preciso permitir que ele transforme nossa maneira de viver, de fazer política, de administrar a economia, de cuidar da criação e de tratar o próximo.

São Francisco de Assis compreendeu profundamente esta verdade. Ele não apenas ouviu a Palavra: deixou-se transformar por ela. Ao abraçar os pobres, reconciliar-se com a criação e viver uma vida simples, tornou-se terra boa onde Deus fez germinar frutos abundantes.

O carisma franciscano nos ensina que a verdadeira riqueza não está na acumulação, mas na comunhão. Num mundo onde milhões passam fome enquanto poucos concentram riquezas inimagináveis, o Evangelho denuncia toda estrutura que transforma pessoas em mercadorias e a criação em objeto de exploração.

O Brasil conhece bem essa realidade. Ainda convivemos com comunidades sem saneamento básico, famílias privadas de moradia digna, povos indígenas ameaçados, trabalhadores explorados e jovens sem oportunidades. A Palavra de Deus não nos permite permanecer indiferentes diante dessas feridas.

Da mesma forma, contemplamos com preocupação os conflitos armados que continuam devastando nações inteiras, obrigando milhões de pessoas a abandonar suas casas. A guerra nunca é caminho de Deus. Onde há violência, Cristo continua semeando reconciliação. Onde há ódio, Ele continua lançando sementes de perdão.

São Paulo afirma que toda a criação geme em dores de parto, aguardando a manifestação dos filhos e filhas de Deus. A crise climática, os incêndios florestais, a contaminação das águas e a perda da biodiversidade são sinais desse gemido da criação. Cuidar da Casa Comum não é uma pauta ideológica; é uma exigência do Evangelho. Quem ama o Criador também protege a obra de suas mãos.

Por isso, cada comunidade cristã é chamada a tornar-se um campo fértil: lugar onde os pobres sejam acolhidos, os excluídos encontrem dignidade, as diferenças sejam respeitadas e a justiça floresça. Nossa missão não consiste apenas em esperar o céu, mas em antecipar seus sinais aqui e agora, vivendo como instrumentos da paz de Cristo.

Perguntemo-nos, então: que tipo de solo somos? Permitiremos que os preconceitos endureçam nosso coração? Deixaremos que as preocupações do mundo sufoquem a esperança? Ou abriremos espaço para que a Palavra produza frutos de amor, justiça e fraternidade?

Que o Espírito Santo prepare nosso coração para receber a semente do Reino e faça de nossa vida um testemunho vivo do Evangelho.

Oremos.

Senhor Jesus Cristo, divino Semeador, lança novamente tua Palavra em nossos corações. Remove de nós as pedras da dureza, os espinhos do egoísmo e a superficialidade que impede teu Reino de crescer. Faz-nos terra fértil para produzir frutos de justiça, misericórdia e paz. Dá-nos coragem para servir aos pobres, proteger tua criação e anunciar teu Evangelho com alegria. Amém.

Bênção Final

Que o Deus de toda bondade faça chover sobre vós sua graça, fortaleça vossa fé, confirme vossa esperança e multiplique em vós os frutos do amor.

E a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho ✠ e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça convosco hoje e para sempre.

Amém.

Exortação Final

Ide em paz para serdes boa terra onde o Evangelho floresça. Semeai reconciliação onde houver divisão; justiça onde houver opressão; esperança onde houver desalento; e paz onde houver violência. Que cada gesto vosso anuncie que o Reino de Deus já começou entre nós.

Ide em paz para amar e servir ao Senhor. Amém.

As leituras deste 14º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos convidam a despojamento radical. O profeta Zacarias (Zc 9,9-10)...
05/07/2026

As leituras deste 14º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos convidam a despojamento radical. O profeta Zacarias (Zc 9,9-10) anuncia um Rei que “justo e salvador, mas humilde, m***a num jumentinho”. Não vem em carros de guerra, mas na fragilidade de um a**o. Não vem para dominar, mas para “desarmar os arcos” – imagem de uma paz que nasce da renúncia ao poder.

É neste Rei que Jesus se revela no Evangelho de Mateus (Mt 11,25-30). Ele ergue uma ação de graças ao Pai por ter escondido estas coisas “dos sábios e entendidos” e as ter revelado “aos pequeninos”. Esta é a chave franciscana do texto: Deus prefere os simples, os “pobres do Senhor”. São Francisco de Assis viveu esta verdade ao abraçar a pobreza não como ideologia, mas como condição para receber a graça.

Jesus então pronuncia o convite mais terno de todo o Novo Testamento: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11,28-30).

Do ponto de vista anglicano, este jugo é a "via média" da disciplina amorosa. A tradição anglicana valoriza a razão, a tradição e a Escritura, mas jamais como instrumentos de orgulho. O “jugo suave” é o compromisso com a fé que se vive em comunidade, com alegria e moderação, sem rigidez farisaica. O descanso prometido não é a ausência de luta, mas a paz de saber que o fardo é carregado com Cristo.

Do carisma franciscano, ecoa a "Irmã Pobreza". O jugo de Cristo é leve porque é o jugo do amor que não acumula, não controla, não se impõe. Francisco entendeu que o verdadeiro poder está em ser servo, em ser “pequeno”. A nossa grandeza não está em saber muito, mas em amar muito.

São Paulo (Rm 8,9.11-13) nos lembra que “se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”. A “carne” aqui é todo impulso de poder, autossuficiência e dominação. O Espírito, ao contrário, é a vida que nos faz imitar a mansidão de Cristo.

Irmãs e irmãos, Deus nos chama a abandonar a ilusão do controle. O jugo suave nos liberta do peso de ter que ser “sábios” ou “fortes” pelos nossos próprios méritos. Somos convidados a subir no jumento do Reino: desarmados, despojados, confiando que o Rei humilde nos guia para pastos de descanso. Que nossa vida seja um eco do Salmo 144, proclamando a cada dia a bondade de um Deus que se revela aos pequeninos e oferece descanso aos cansados. Amém.

+ Frei Leão de Jesus
Sacerdote eleito Bispo da Igreja Católica Apostólica Anglicana
Ministro Geral da Ordem Franciscana Anglicana

Hoje a Igreja celebra dois gigantes da fé: São Pedro e São Paulo. Homens de histórias, temperamentos e caminhos diferent...
28/06/2026

Hoje a Igreja celebra dois gigantes da fé: São Pedro e São Paulo. Homens de histórias, temperamentos e caminhos diferentes, mas unidos pelo mesmo chamado de Cristo e pela mesma entrega ao anúncio do Reino de Deus.

Pedro, o pescador da Galileia, reconhece Jesus como "o Cristo, o Filho do Deus vivo". Sua profissão de fé torna-se o fundamento visível da comunidade cristã, lembrando-nos que a Igreja permanece firme quando está alicerçada em Cristo. Paulo, o antigo perseguidor transformado em missionário, testemunha que ninguém está distante da graça de Deus. Sua vida revela que o Evangelho rompe barreiras, alcança todas as culturas e convida todas as pessoas à comunhão com o Senhor.

A libertação milagrosa de Pedro narrada nos Atos dos Apóstolos e o testemunho sereno de Paulo, que afirma ter combatido o bom combate e guardado a fé, recordam-nos que Deus nunca abandona aqueles que permanecem fiéis à sua vocação. As dificuldades existem, mas a esperança sempre triunfa quando confiamos na providência divina.

Como anglicanos, professamos a fé da Igreja una, santa, católica e apostólica, permanecendo fiéis às Sagradas Escrituras, à Tradição e à missão recebida dos Apóstolos. Inspirados pelo testemunho de Pedro e Paulo, somos enviados a anunciar o Evangelho com coragem, diálogo, acolhimento e compromisso com a justiça.

À luz do carisma franciscano, aprendemos que a verdadeira autoridade nasce do serviço humilde. Evangelizar é caminhar ao lado dos pobres, promover a paz, cuidar da criação e reconhecer em cada pessoa a imagem do Criador. Assim, seguimos anunciando Cristo com simplicidade, alegria e amor.

💙 Ajude-nos a continuar esta missão! Sua contribuição fortalece nossos projetos missionários, sociais e de evangelização, permitindo que o amor de Deus alcance cada vez mais pessoas.

Chave PIX (CNPJ): 66.599.639/0001-43

Que São Pedro e São Paulo intercedam por nós. Que o Espírito Santo fortaleça nossa fé e renove nosso compromisso com o Evangelho.

Que o Senhor vos abençoe e vos guarde. Que faça resplandecer sobre vós a sua face, vos conceda a sua graça, fortaleça vossa esperança e vos conduza pelos caminhos da paz. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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