30/10/2018
Ontem aconteceu a Abertura da Semana de Pedagogia do Campus Irati. O Centro Acadêmico Pedagogia da Autonomia fez uma fala ressaltando objetivos importantes no atual contexto brasileiro.
Abaixo a transcrição:
*** SILÊNCIO ***
No sábado nós do CAPED divulgamos uma nota pública, onde pontuamos algumas das nossas preocupações. Porém não adentramos acerca de um assunto. Sobre o silêncio.
Silêncio:
1 - Estado de quem se abstém ou para de falar.
2 - Cessação de ruído.
3 - Interrupção de correspondência ou de comunicação.
4 - Omissão de uma explicação.
5 - Segrego, sigilo.
6 - Expressão usada para impedir de falar ou pedir que alguém se cale.
Quando existe algo que nos afeta diretamente, manter o silêncio configura um ato de compactuar com o que está acontecendo, semelhante à uma neutralidade em qualquer que seja a situação. Uma frase famosa ajuda a ilustrar: “se você é neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor”.
Silenciar:
1 - Impedir de falar, impor silêncio.
2 - Não mencionar.
3 - Tirar a vida
Quantas vezes somos silenciados? Quantas vezes tentam nos silenciar? Aqui mesmo, quantas vezes impõe barreiras para impedir que possamos nos expressar?
Não podemos deixar que o extremismo e o ódio ganhem força. Precisamos, hoje mais do que nunca, lutar pelo nosso direito de não sermos silenciados, ou melhor, lutar pelo nosso direito de nos expressarmos. Não podemos aceitar que queiram acabar com quem pensa diferente. Não podemos aceitar quem não respeita as diferenças, sejam elas quais forem.
Nós, eu diria futuras, porém maior parte já somos, professoras/es, profissionais da educação, devemos lutar para que respeitem nossa liberdade em sala de aula, lutar para que a educação não seja ainda mais sucateada.
A palavra principal hoje poderia ser LUTO, para alguns, substantivo, entretanto, para nós, essa palavra é verbo. Lutar. Verbo que se apresenta recorrente em nossa área. Somos nós que frequentemente estamos à frente de diversas lutas. Agora soma-se mais uma.
Gostaríamos então de pedir, a partir de hoje, ninguém solta a mão de ninguém. Vamos deixar claro: o negro não volta pra senzala, nem a mulher pra cozinha, nem a pessoa LGBT pro armário. Se o choro é livre, nós também.
Pelas pessoas mortas pelo ódio, Marielle Franco, Ivanilda Kanarski, Tatiane Spitzner, Dandara... e tantas outras Marielles, Ivanildas, Tatianes e Dandaras nenhum minuto mais de silêncio, tenhamos toda uma vida de LUTA. Somos fortes, já lutamos, estamos lutando e vamos lutar ainda mais.
Nosso lema a partir de agora é EXISTIR e RESISTIR.
Fala de Abertura do Centro Acadêmico Pedagogia da Autonomia na Semana de Pedagogia de Irati de 2018. SILÊNCIO No sábado nós do CAPED divulgamos uma nota públ...