07/10/2020
Em muito breve será lançado o livro "A RAINHA DO MAR. QUEM É YEMANJÁ NO IMAGINÁRIO DE PESCADORES DO RIO VERMELHO?" da professora Celiana Maria dos Santos.
Esta obra através de uma linguagem elegante e sensível e demonstrando especial cuidado quanto à interpretação dos dados reunidos ao longo da investigação, explora as possibilidades analíticas do imaginário e do mito em torno de Yemanjá, divindade africana que reina na imensidão dos mares. Este livro, além de ofertar ao leitor múltiplos e preciosos pontos de vista acerca do sujeito e das suas relações simbólicas com o passado histórico, termina por revelar uma espécie de etnografia transatlântica, que singra o oceano da memória e resgata – ao tempo em que tenta compreender como a diáspora estruturou novas relações sociais no Ocidente a partir da colonização. Por outro lado, é preciso considerar o exercício de alteridade aqui evidenciado, principalmente na composição do painel mítico que circunscreve Yemanjá, seja nos territórios africanos dos Nagô e dos Yoruba, inicialmente, ou no Brasil dos pretos, em um segundo momento; trata-se de perceber, ainda, a permanência de certos arquétipos a partir de analogias possíveis. Dentre elas, uma merece destaque por sua relevância na obra, no tocante às relações de poder: grande mãe dos filhos peixes, aquela cujos seios parem o rio e o mar, Orixá que perpetua a vida no plano cosmogônico, Yemanjá, ao conformar em si a força original de quem por sua condição feminina acumula vicissitudes em um quase humano repertório existencial, torna-se espelho das mulheres que lideram, no Brasil, a tradição religiosa de matriz africana, de modo que essa dinâmica matriarcal verte-se mesmo é na carne do mito, seja no boêmio bairro do Rio Vermelho, na cidade de Salvador, capital da Bahia, seja na velha Copacabana, no Rio de Janeiro. Imerso nesses comoventes fluxos de saber e de encantamento, o leitor se verá diante de uma obra Didática, intencionalmente grafada com maiúscula para acentuar o sentido mais profundo do termo. Odò Ìyá! Èérú Ìyáàgbà! IMPERDÍVEL