07/06/2026
Esse trecho do livro “O Céu para os Bastardos”, da , que discutimos semana passada no encontro do Clube de Leitura, nos lembra muito o que Angela Davis diz no livro “Mulheres, Raça, Classe” sobre a sociedade ainda associar as mulheres negras e pobres ao trabalho subalterno, “[...] as atitudes sociais predominantes continuam a associar a eterna condição feminina a imagens de vassouras e pás de lixo, esfregões e baldes, aventais e fogões, vasilhas e panelas”. No mesmo livro Davis exemplif**a o trabalho doméstico da mulher negra com o filme “La Noire de...”. Nele, a uma jovem senegalesa se torna preceptora de uma família francesa que vive em Dakar. Quando a família volta para a França, ela a acompanha, entusiasmada. Entretanto, na França, ela descobre que será responsável não só por cuidar das crianças, mas por cozinhar, limpar, lavar e todos os outros afazeres domésticos. Em pouco tempo, seu entusiasmo inicial cede lugar à depressão – uma depressão tão profunda que ela recusa o salário que a família oferece. A remuneração não pode compensar sua situação análoga à escravidão. Sem recursos para voltar ao Senegal, ela f**a tão tomada pelo desespero que escolhe se suicidar para não viver por tempo indefinido o destino de cozinhar, varrer, tirar o pó, esfregar...