No dia 12 de janeiro de 1937, nascia, na cidade de Jaguarão, Maria Cezarina Cardozo carinhosamente apelidada de Mocinha, primeira filha de Genesia Nobre Machado, e irmã de outros dezesseis. Casada com Nelson Marscisco, vulgo cachorrão, não teve filhos sanguíneos, mas é mãe adotiva de uma filha, Divane Dutra de Quadro, da qual Mocinha era madrinha, e a criou a partir dos três meses de vida. O apeli
do de Mocinha traz um emaranhado de histórias e risadas, relatam, então, que ela não poderia ter filhos, por problemas de saúde, outros dizem que por ter seios relevantemente firmes, davam o aspecto de moça jovem sempre, fato é que essas são as duas versões mais contadas, envoltas em muitas risadas. A vida de Mocinha foi dedicada, quase em sua totalidade, ao carnaval, paixão que ela dividia com os afazeres cotidianos, o carnaval de Jaguarão deve muito à persistência dessa mulher. Ela foi pioneira em muitas coisas dentro do carnaval e, mais precisamente, dentro da escola de samba Estrela D’alva, por ter idéias muito além do seu tempo, como por exemplo, o entendimento da posição da mulher como ponto de concentração de comando e a preocupação de que a mulher fosse respeitada dentro da escola. Mocinha veio a falecer no dia 29 de março de 2013, após o carnaval, houve uma grande mobilização da população e das autoridades, era consenso que como figura pública deveria ser velada em um lugar público, e assim foi, no Ginásio de Esportes Integração, entidades do município foram prestar suas condolências, pessoas de todas as classes e ambos os grupos carnavalescos foram se despedir daquela que foi e se mantém como a alma do carnaval de rua da cidade de Jaguarão. Fonte: LAKMAN, Rodrigo Lages. “MOCINHA, UM ÍCONE DE RESISTÊNCIA NO CARNAVAL JAGUARENSE: UMA LEITURA DO CONTEXTO DA SOCIEDADE RECREATIVA BENEFICIENTE ESTRELA D’ALVA”. 2017. 42 f. Monografia (Graduação) - Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Turismo. Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA, Jaguarão – Rio Grande do Sul.