30/09/2026
Uma carta publicada na edição de setembro da revista Science, intitulada “Research at gunpoint”, alerta para os riscos enfrentados por pesquisadores que realizam trabalho de campo em regiões onde a violência e a insegurança dificultam ou impedem a produção de conhecimento científico. Assinada por Daniel Coelho, estudante de mestrado em Zoologia da UFRJ, Mariana Silva Ferreira, professora do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da UFRJ, e Fábio Hepp, professor do Instituto de Biologia da UFRJ, a carta relata uma experiência ocorrida durante pesquisas na restinga de Maricá com Xenohyla truncata, uma espécie de anfíbio endêmico do estado do Rio de Janeiro.
Considerada vulnerável, a espécie possui características ecológicas únicas, sendo o único anfíbio frugívoro conhecido e possivelmente o único que atua como polinizador. A principal ameaça à espécie é a perda de habitat provocada pela expansão urbana.
O episódio evidencia que a insegurança não representa apenas uma ameaça à vida dos pesquisadores, ela também pode interromper pesquisas fundamentais para compreender e conservar espécies que já enfrentam fortes pressões antrópicas.
✉️ A carta defende que a segurança dos pesquisadores seja reconhecida também como uma questão de conservação da biodiversidade. Proteger quem produz conhecimento em campo é também criar condições para que espécies ameaçadas, como Xenohyla truncata, possam ser estudadas e protegidas antes que seja tarde demais.
Uma versão traduzida da carta, além da carta completa publicada, pode ser acessada através do link na bio.