20/06/2022
Encontram-se em Manaus Américo Socot e Roberto Sanches, Lideranças dos povos Hupd'äh e Dâw respesctivamente, da Região do Alto Rio Negro, para reuniões com as autoridades da Universidade Federal do Amazonas para discutir demandas relacionadas a formação de professores indígenas, reuniões programadas pelo Prof. Nelcioney Araujo da Coordenação do Curso de Licenciatura Intercultural Intercultural Indígena do IFCHL, que acontecerão até o dia 21 de Junho no ambito da UFAM.
Na última quarta feira, dia 15 eles estiveram presentes na inauguracão da A Exposição Fotográfica "Os Caminhos dos Hupd'äh - Floresta, Espíritos e Rios" e, bem como também estarão presente na Exibicão Especial do Filme "As Palavras Encantadas dos Hupd'äh da Amazônia, Mestres de Saberes Narrados por Renato Athias" trazem a realidade dos povos indígenas de recente contato da região do alto Rio Negro ao público manauara no 19 de junho as 15 horas, promovidas pelo Museu Amazônico e Secretaria Estadual de Cultura.
São os seguintes os povos indígenas de recente contato na região do Alto Rio Negro: os Nadëb, os Dâw, os Hupd'äh e os Yohup, que fazem parte de uma família linguística específica, que linguistas e antropólogos estão denominando atualmente de NADAHUPY. Estes povos habitam áreas distintas nas Terras Indígenas do Alto Rio Negro. Estão em Manaus, duas lideranças, o Dâw Roberto Sanches e o Hupd'äh Américo Socot que chegaram neste domingo, vindos dessa região especificamente para acompanhar as atividades da exposição e da exibição do filme com seus importantes comentários e seus relatos sobre situação atual desses povos nesta vasta região do Município de São Gabriel da Cachoeira, e sobretudo vieram buscar apoio para suas iniciativas e suas demandas concretas junto às autoridades da Universidade do Amazonas e outras autoridades encarregadas de executar as políticas públicas.
O material que está em evidência nestas duas produções visuais que está vindo ao público pela primeira vez trata-se do acervo etnográfico do antropólogo Renato Athias, que atua nesta imensa região, como pesquisador desde os anos setenta do século passado. Este acervo foi recentemente digitalizado em 2019 e 2020, pela Universidade do Texas, através do Projeto coordenado pelo Arquivo das Línguas Indígenas da América Latina (AILLA) em Austin, que agrupa acervos etnográficos sobre as línguas indígenas de diversos países. Este processo de digitalização tem um impacto muito grande, pois possibilita uma ação de devolução aos povos indígenas de materiais coletados e que carregam uma riqueza de informações etnográficas.
Tanto a exposição fotográfica quanto o filme mostram a cosmologia dos Hupd'äh, em outras palavras, como eles próprios pensam “ a Humanidade é a natureza” Pois, para eles, não há separação entre as ordens: mineral, vegetal, animal e humana. A música e as palavras têm um poder transformador, muitas vezes incompreensível para nós. O filme e a exposição procuram dar voz também àqueles que esse pesquisador chamou de seus mestres, seus colaboradores de pesquisa: Bihit, Mehtiw e Casimiro, chefes de clãs Hupd'äh, que viveram na zona interfluvial dos rios Papuri e Tiquié na bacia do rio Uaupés, no noroeste da Amazônia brasileira. Este filme oferece novos caminhos para a reflexão sobre as relações entre humanos e não humanos. O filme foi produzido pela produtora francesas World Culture Diversity e dirigido pela cineasta franco-iraniana Mina Rad.