23/02/2025
Aspectos da biocenose do solo
As excreções radiculares causam uma intensa microvida em volta da raiz. Tanto as secreções, como a microflora trófica, são responsáveis pela alelopatia de uma raiz para com a outra, o que pode impedir o crescimento de outras plantas. Assim, por exemplo, centeio inibe o desenvolvimento de Sinapisarvensis (mostarda-dos-campos), Matricaria maritima (camomila inodora) etc. Desta maneira, cada solo cria a sua própria sociedade de vegetais e microrganismos.
Sabemos que as condições ecológicas determinam a vegetação, sendo estas condições, tanto o clima e a topografia, como o estado biofísico do solo.Um solo depauperado (química e biologicamente) e decaído(geralmente adensado) possui, portanto, outra flora, diferente da de um solo rico e fofo. A biocenose do solo se modifica, segundo o tipo de solo, sua riqueza mineral e orgânica, seu estado de decadência, a vegetação reinante (pasto, monocultura, floresta), e a idade das plantas.
No próprio solo, os horizontes eluviais (quando sai material) e iluviais (quando entra material) exercem a maior influência sobre a microvida, pela riqueza ou pobreza em nutrientes, oxigênio e água. Qualquer modificação do solo, seja ela ocasionada por trabalhos no campo, pelas culturas, pelos tratos culturais, pela seleção do gado em pastejo – que escolhe sempre a vegetação superior, exterminando-a após certo tempo – influi sobre a ecologia. Nenhum processo no solo se desenvolve separada ou independentemente, mas sempre, em íntima relação e entrosamento com outros, constituindo, somente, um simples elo numa contínua sucessão, que é crescente de formas de vida, com características e serviços ambientais emergentes, no processo de desenvolvimento sinérgico de um ambiente natural primário em clímax.
A sucessão é decrescente de formas de vida, quando características e serviços ambientais estão em regressão ecológica, quando as características de um ambiente natural clímax voltam às características de um ambiente natural primário, com solo adensado, morto biologicamente. Sabe-se que os diversos tipos de organismos que se aproveitam, tanto das excreções radiculares, como dos nutrientes minerais no solo, servem sempre, por sua vez, de alimento aos outros numa cadeia alimentar. Se houver, sob uma vegetação natural, a multiplicação demasiada de um microrganismo, originar-se-á com isso a fome de outros. A biocenose transformar-se-á em aberta inimizade e logo se criarão micro seres predatórios ou bacteriófagos que acabarão com a raça que proliferou demais, restabelecendo-se, de novo, o equilíbrio antigo. Mas, com a normalização da situação, também desaparecerão os microrganismos predatórios ou parasitas. Pode-se julgar o parasitismo microbiano como expressão de um desequilíbrio ecológico.
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