09/01/2024
Raízes da pesquisa da fala caipira em Maringá
Em 1977, o então docente da Letras da UEM, José Bento Tadeu França, defendeu seu mestrado com a pesquisa intitulada O Discurso vulgar na área de Maringá, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sagrado Coraçao de Jesus em Bauru-SP. Seu trabalho contou com a orientação da renomada Profª Nelyse Aparedida Melro Salzedas, que fez uma sólida e produtiva carreira na UNESP. Contou, ainda, com a colaboração do professor da USP Dino Pretti, certamente um dos nomes mais importantes da Sociolinguística brasileira, que ministrou uma disciplina da qual França participou como aluno e, por fim, compôs a banca avaliadora da dissertação. Para sua investigação sobre a fala caipira em Maringá, França tomou amostras reais de uso da língua feito por pessoas ligadas à cultura rural que residiam no município a época, investigando o que hoje conhecemos como português brasileiro popular. Os procedimentos que utilizou na pesquisa, que aos olhos de hoje podem soar comuns, eram uma novidade na época. Para além disso, o trabalho de pesquisa do linguista Tadeu França teve o grande mérito de registrar o uso real da língua por moradores de Maringá na década de 1970, expondo os mecanismos da oralidade, em uma perspectiva que não abriu mão de perceber no dado sincrônico a mudança da língua. Um registro precioso para a História linguística da cidade e da pesquisa em descrição linguística da UEM. É sobre esse percurso investigativo que nosso bate-papo com o professor, muito conhecido por sua carreira política, vai se desenvolver.
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