18/12/2017
No dia 13/12/2017 às 10 horas da manhã ocorreu outra reunião com o reitor da UNP Gedson Nunes e o diretor da escola de direito Fernando Cabral, a tarde, a partir das 15 horas, aconteceu o ato contra as demissões em massa da UNP em frente a Unidade Roberto Freire. A gestão Empodera trás nessa nota para os estudantes os repasses da reunião e do ato.
Sobre a reunião:
Na ocasião estavam o reitor Gedson Nunes, o diretor da escola de direito Fernando Cabral, estudantes de diversos cursos, representação do Caped , do coletivo Juntos e do coletivo Todas as vozes.
Durante a reunião foram questionados ao reitor os motivos das demissões; questionamos se teríamos a garantia de que os professores novos teriam as mesmas qualif**ações que os demitidos, com a preocupação de não cair a qualidade dos nossos docentes; pedimos explicações também sobre o EDUACTION 2.0; e, por fim, propomos que o Reitor realizasse palestras no inicio do ano explicando para os alunos e alunas o que seria esse novo projeto de ensino chamado EDUACTION 2.0.
Sobre as demissões:
O reitor mais uma vez coloca os motivos das demissões em uma avaliação institucional realizada pelos alunos, onde os mesmos atribuem notas pelo desempenho individual dos docentes (o que já é bizarro em sua essência); a assiduidade dos docentes, pontualidade, e a não adaptação dos docentes ao EDUACTION 2.0.
Esses foram os motivos dados pelo reitor. Todos os motivos caem por terra quando temos casos de professores que estavam devidamente adequados a todas as exigências da instituição.
Pontualidade:
Existiram casos de professores e professoras que davam aula em duas unidades diferentes e que só tinham em média 15 minutos para sair de uma e chegar à outra, configurando-se nuuma dinâmica desumana e impossível de ter pontualidade, uma vez que devemos levar em conta o trânsito. Portanto, o atraso podia ser recorrente, e consequentemente o atraso em abrir o diário. Ou seja: UNP culpada!
Garantia de paridade de títulos:
O reitor afirma que não é possível contratar professores com a mesma titulação dos professores demitidos porque “eles vão contratar de acordo com o que o mercado mandar”. Ou seja, não há garantia de manter a qualidade do corpo docente. Então, para eles só resta esperar “a mão invisível do mercado” dar um jeito em tudo. (risos)
Não adaptação ao EDUACTION 2.0:
Toda a gestão do Caped Sueldes Araújo entra em consenso quando falamos em como os professores que foram demitidos nos instigaram a pensar de forma crítica sobre os fenômenos sociais, políticos, culturais, históricos. Despertaram a partir de leituras e rodas de conversas politizadas um senso crítico e apurado para perceber a sociedade. Professores competentes e humanos, que, acima de tudo, nos fizeram perceber que a educação deve ser dada de forma humanizada, percebendo alunos e alunas como seres pensantes e que carregam consigo uma bagagem de conhecimento que deve ser levado em consideração na hora do processo de ensino aprendizagem. Ai f**a nosso questionamento: Porque esses professores maravilhosos não se adaptaram a esse novo programa de ensino adotado pela UNP? O que há de errado com esse novo programa?
Sobre o EDUACTION 2.0:
O EDUACTION 2.0, segundo a reitoria se configura como um programa de ensino criado pela UNP que pretende “modernizar” a prática docente. Uma das mudanças que esse projeto trás é a junção de turmas para pagar uma disciplina comum entre determinados cursos, criando as super turmas , de até 180 alunos, segundo eles, e um modelo pronto de aula que trás consigo três passos específicos que professores e professoras precisam seguir, tirando a autonomia docente. Por exemplo, se em determinada aula o docente quiser e sentir necessidade de fazer uma roda de leitura e depois discutir não será possível, uma vez que ele ou ela precisa seguir esses três passos, que incluem a obrigatoriedade de uma atividade prática e o uso de Tis, ou se ele perceber que a turma está com algum déficit em certo assunto e quiser apenas focar naquele ponto, sem realizar atividades, também não vai poder (e a qualidade do ensino?). Segundo o reitor desde 2014 o EDUACTION vem sendo implantado na universidade, com formações para os professores e professoras.
O EDUACTION 2.0 trás em seu bojo noções extremamente mercadológicas de educação, como bem ouvimos do Reitor por repetidas vezes “A educação PRECISA atender às demandas do mercado. PRECISA servir ao mercado, e nós precisamos preparar nossos alunos para o mercado”. Com as super turmas a qualidade da educação ofertada cai, o caráter humano da educação some. O professor não vai conseguir ver os alunos e alunas como pessoas que trazem histórias de vida, mas como números na chamada, graças a quantidade excessiva de alunos que impossibilita uma aproximação real. O trabalho docente se precariza quando esse perde sua autonomia, quando esse terá que lidar com turmas gigantes.
O EDUACTION 2.0 é um programa de ensino que precariza a qualidade de ensino, que diminui a pesquisa e extensão, e faz parte de um projeto macro de contenção de gastos.
Deturpa o sentido do ensino superior, quando o transforma em uma educação praticamente profissionalizante. Quando padroniza o trabalho docente.
O EDUACTION 2.0 pretende cortar gastos e aumentar os ganhos da UNP, como se diz “fazer muito com pouco”, esquecendo que, apesar de ser uma empresa, ELES OFERECEM EDUCAÇÃO, e nós alunos vamos cobrar uma educação superior de qualidade, afinal, se formos na lógica da UNP, nós pagamos por um produto e queremos receber por ele! Vamos cobrar!
A reforma trabalhista é outro ponto que não deve ser esquecido, para além dessa mudança interna da UNP, por fora existe a reforma trabalhista que mal foi colocada em vigor e várias empresas demitiram funcionários em massa para recontrata-los depois, dentro das novas normas trabalhistas(vide o caso da Estácio de sá). Saímos dessa reunião não satisfeitos, e ainda mais certos dos reais motivos das demissões.
Portanto, na tarde do mesmo dia (13/12/2017) na unidade Roberto Freire construímos junto com demais estudantes e coletivos de movimento estudantil o ato "Nenhum Profissional a Menos". A manifestação contra a demissão de professores e funcionários que ocorreu na Unp contou com a presença de vários coletivos, movimentos estudantis e alunos independentes que se colocaram contra as demissões, contra esse novo programa de ensino, e contra a reforma trabalhista. Esse dia foi simbólico no sentido de ser o ponta pé para firmar um movimento estudantil forte, combativo e vigilante, com unidade e diálogo mostramos nossas indignação e demos um recado para a reitoria.
Apesar da não participação do Diretório Central dos Estudantes na Mobilização para o ato consideramos um momento importante e de resistência!
O Caped Sueldes Araújo por meio da gestão Empodera agradece a presença de todos os alunos e coletivos que participaram do ato e ajudaram a provar que é possível sim existir um movimento estudantil organizado e combativo dentro de uma universalidade privada.
É em cima das contradições do capital que surgem movimentos para a sua derrubada!
Pra cima!
Caped Sueldes Araújo- Gestão Empodera
15/12/2017