- Há 16 anos, na Escola de Enfermagem Aurora Afonso Costa, da Universidade Federal Fluminense, surgia um projeto de Educação Popular ligado ao PVNC (Pré-Vestibular para Negros e Carentes) – uma iniciativa de educadores preocupados com as condições de acesso ao ensino superior, especialmente dos estudantes de grupos populares e discriminados. No ano 2000, a partir de discussões e reflexões, o proje
to se transformou em Pré-Vestibular Popular Malcolm X. Tal mudança evocava a necessidade de evidenciar determinados posicionamentos diante da sociedade de então, além de assumir uma postura mais autônoma, enquanto projeto de educação popular. A inserção dos então alunos do Projeto nas universidades e nos diversos movimentos sociais propiciou novas mudanças nessa trajetória de construção de uma prática em educação popular. Alguns destes estudantes, impulsionados por suas vivências, passaram a integrar a coordenação do Projeto, adquirindo experiências e novos saberes fundamentais na sua formação política, social, cultural, e mesmo acadêmica. Diante disso, tornou-se imperativa outra significativa transformação: a passagem do nome Pré-Vestibular Popular Malcolm X para Pré-Vestibular Popular Pedro Pomar (PVPPP). Entendendo que o nome é uma marca das identidades, posturas, aquisições e direcionamentos, o Pré-Vestibular assumia um olhar mais atento e direto à realidade político-social brasileira e à história de luta dos estudantes por democracia e justiça social. De 2002 ao presente ano, alguns colaboradores, professores e coordenadores passaram pelo PVPPP, deixando suas contribuições para o crescimento e amadurecimento das ideias e ações que fundamentam nosso trabalho. Atualmente, a coordenação do PVPPP é formada por uma equipe de 12 pessoas, além de um grupo de apoio composto por ex-alunos do projeto, recentemente matriculados em universidades públicas (UFF e UERJ). Contamos ainda com o apoio e o reconhecimento de diferentes gestões da direção da Escola de Enfermagem da UFF, inclusive da atual. Na direção de um trabalho que se realiza voluntariamente tanto pelos coordenadores quanto pelos professores, apoiados em nossas convicções políticas e na solidariedade, nosso objetivo vai além de colaborar com a entrada de estudantes das camadas populares no ensino superior público. Compreendemos que para uma real inserção do indivíduo na sociedade é imprescindível a conscientização acerca dos processos que determinam a opressão, a marginalização, a exclusão e a discriminação. Diante disso, tentamos incentivar a percepção das possibilidades de uma intervenção modificadora da realidade em que se vive.