18/12/2025
Ao chegar na Zona Portuária do Rio de Janeiro, você encontrará resquícios de um dos maiores complexos escravagistas do Brasil: o Cais do Valongo. Por favor, apenas continue em frente, e em outro momento retorne para conhecer um pouco mais dessa história. Por ora, vamos passear um pouco pela história de Machado de Assis.
A partir de agora, o caminho ficará um pouco mais severo e íngreme, afinal, você começará a subir a Ladeira do Livramento, na Gamboa. Não se preocupe por ora, este será um curto percurso até a casa número 77.
Você irá se deparar neste endereço com paredes sujas e uma estrutura massacrada pela ação do tempo. Este aspecto é resultado de um silêncio que se mantém há muitos séculos e seus efeitos são nefastos. Este lugar poderia nos conduzir para a história de qualquer pessoa, mas calhou de ser a de Machado de Assis.
A casa está sendo ocupada por pessoas que viviam em situação de rua e encontraram nesse espaço uma possibilidade de ter um pouco de dignidade. O Bruxo do Cosme Velho, continua a emaranhar histórias e confundir os pobres transeuntes deste mundo.
Esta não é a única casa em que “supostamente” Machado de Assis viveu. É na verdade a primeira de outras três casas que já foram demolidas ou se encontram em processo de deterioração, apesar da intervenção do Ministério Público, que se debruça veemente para desocupar suas mesas com esses papéis lacrimosos.
Machado de Assis também não é a primeira personalidade a ter sua história soterrada pelo descaso.
É bem verdade, que lembramos com recorrência do Bruxo do Cosme Velho por conta da sua importante participação na criação e consolidação da Academia Brasileira de Letras.
Este ano, ele até ganhou uma nova biografia que destaca sua negritude, borrada nas biografias anteriores. Mas o sistema de apagamento coordenado pelo racismo é sagaz e minucioso, peca apenas pela presunção.
Pensando bem, quanto menos se sabe sobre a história de alguém, menos essa pessoa existe. Aos poucos relembramos menos, falamos quase nada e quem sabe consigam fazer com que histórias como a do Machado de Assis também sejam riscadas dos livros.
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