04/04/2020
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FINAL DE COPA
Era uma manhã do mês de dezembro, ano 2011. Ao despertar, os hábitos diários: necessidades fisiológicas, banho, um pão com ovo na chapa e o jornal matinal (sim, eu lia). Folheando as primeiras páginas, reparo uma reportagem dissertando sobre recente entrevista do jogador de futebol Ronaldo, vangloriado por muitos como “Fenômeno” do futebol, sobre a futura Copa do Mundo de 2014. Como bom aficionado pelas quatro linhas, discorro ansiosamente as páginas, mas sou subitamente interrompido pelo que leio: “Não se faz Copa do Mundo com hospital”. Nove anos depois, atuando em um dos maiores hospitais do Brasil em número de atendimentos e posicionado no centro da dita “pandemia do século XXI”, as palavras do avançado voltam a habitar minhas sinapses.
O atual estado global origina-se de um evento previsivelmente imprevisível, e isso o futebolista não poderia imaginar. A China, genitora do irmão mais velho SARS-CoV-1, já demonstrava indícios de trabalhar em seus mercados abertos e precários naquele que seria o próximo vilão humanitário. Nesse cenário, a preparação devida torna-se essencial, ainda que em modelo emergencial, apresentando caráter fundamental no prognóstico do nosso paciente: a população brasileira.
Todavia, ainda que o país esteja enfermo de “bolsonarite” – patologia que cursa com alterações neuropsiquiátricas graves – a utopia vivida no período em que o Brasil recebia os holofotes esportivos ainda ressoa. O relatório consolidado final do TCU demonstra R$ 25,5 bilhões (US$ 13,3 bilhões e atuais R$70,75 BILHÕES) em gastos com o evento futebolístico, tendo as obras de estádios o custo declarado de R$8,333 bilhões. Superfaturadas, o valor final das arenas ainda continua um mistério. Disso, o Fenômeno sabia. (CONTINUA NOS COMENTÁRIOS)