20/08/2018
Filósofa discute a verdade sem representação
Keliane Vale - DRT n.436/TO
A filósofa pela Universidade Federal do Pará, Maria dos Remédios de Brito, discute no artigo intitulado “A Verdade Sem Representação”, publicado na edição n. 1, de 2018, da Revista Observatório, o conceito de verdade e pontua motivações que levam o temor ao ficcional. A autora é professora da Universidade Federal do Pará, com mestrado e doutorado em Filosofia da Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), e pós-doutora em Filosofia da Educação pela Universidade Estadual de Campinas.
Maria dos Remédios traz inicialmente em seu artigo a verdade como tradição. Segundo ela, “a concepção de ‘Verdade’ posta pela tradição produz oposições entre verdadeiro e falso, aparência e essência”, introduz a autora. A ideia central do artigo estabelece em Nietzsche a crítica na dicotomia metafísica verdade e aparência, a partir do conceito de ‘vontade de verdade’ ou ‘instinto de verdade’.
No artigo, a autora coloca o pensamento de Nietzsche que a inverdade, a aparência, o falso, o ilusório fazem parte da existência humana, mas a vaidade e seus interesses impulsionam o homem para uma crença numa existência, ou em um conhecimento verdadeiro.Então, a existência social produz a necessidade para uma ‘vontade de verdade’ estando ligada ao próprio meio de viver culturalmente.
A autora problematiza como a busca pela verdade, por meio da lógica, termina negligenciando a força, a criatividade com que o homem poderia apreender a vida no que há de belo e no que há de assustador na existência, assim como no que há de ilógico e enganoso. Para ela, a vontade desenfreada pela verdade, pelo conhecimento, pelo saber verdadeiro edifica uma vida em que o corpo é confiscado pela racionalidade exacerbada e definha a vida junto com seu poder criador. O convite no artigo é para reabilitar a arte, a ilusão, a aparência e dizer sim à vida e se contrapor a todo tipo de hipertrofia existencial.
Como Maria dos Remédios esclarece na proposta, é no sentido extramoral que Nietzsche liga vontade, instinto de verdade, de conhecimento e até mesmo de ilusão, na tentativa de despontar que o homem também necessita da não verdade, do não saber.
Com isso, o sentido extramoral solicita uma perspectiva artística. Ao fim, a autora fala de como arte e ciência se diferenciam para Nietzsche. Segundo o filósofo a arte é uma força criadora da existência, que pode permitir ao homem o esquecimento da tirania do pensar lógico formal e abrir caminho para um saber, um conhecimento que tenha ligações com a vida e com a existência.
A ideia central do artigo, nesse suposto conflito trazido pela autora, é que a vida é ficção ou mesmo ilusão e, então, assume o valor supremo e irredutível. “Com isso, não caberia pensar a verdade como representação, visto que essa imagem traz à vista todos os processos dogmáticos, aniquiladores da vida e do homem”, como sintetizou a autora no título do artigo.
Como citar a pesquisa:
BRITO, Maria dos Remédios de. A VERDADE SEM REPRESENTAÇÃO. Revista Observatório, Palmas, v. 4, n. 1, p. 42-55, jan. 2018. ISSN 2447-4266. Disponível
ISSN nº 2447-4266 Vol. 4, n. 1, Janeiro-Março. 2018 em: . Acesso em: (data do acesso). doi: https://doi.org/10.20873/uft.2447-4266.2018v4n1p42.