19/03/2018
O que está acontecendo com o curso de Medicina da UEMG?
O curso de Medicina da UEMG, aprovado por um projeto pedagógico inovador e promissor, teria tudo para ser um dos melhores. Mas infelizmente, estamos caminhando para uma situação que nos deixa muito apreensivos.
Ao contrário dos demais cursos, que sabemos, também enfrentam problemas com o sucateamento da Universidade, o curso de Medicina é um curso que ainda não se estabeleceu, é novo. Não temos o reconhecimento por não termos ainda uma turma formada e ainda temos como complicador o fato de a situação demandar planejamento constante para esse estabelecimento do curso, que a cada semestre se depara com novidades e aí começa nosso problema.
Todos os semestres enfrentamos diversos problemas como falta de docentes para disciplinas, não apenas pelo atraso das contratações e do processo seletivo, mas também pela falta de interessados nas vagas, além de demais problemas estruturais, que inclusive abrange outros cursos da área da saúde, como é o caso da ausência de um laboratório de anatomia com cadáver. Uma das questões principais é o fato de que, mesmo que a administração da unidade Passos faça (como bem faz) de tudo para cumprir os acordos, contratos e convênios inerentes à realização do curso e aprovados pelo projeto pedagógico, nos vemos prejudicados muitas vezes pelas atitudes da alta administração (Reitoria).
O que acontece com isso? Nossos professores coordenadores trabalham de forma insalubre (muitos deles trabalharam durantes as férias para estruturarem o semestre letivo do quinto período, que ainda não existia, estando na condição de NÃO CONTRATADOS), trabalhando sem receber, dedicando tempo e empenho para que tenhamos um semestre regular, mas a administração pública não reconhece o trabalho e o empenho desses profissionais. O complicador é que diversos acordos foram firmados entre Reitoria e coordenação, bem como conosco, estudantes. Eles assinam atas e termos de compromisso que não são cumpridos.
Quando vocês dizem que não estão sabendo o que está acontecendo, a gente entende, porque de certa forma, foi tudo súbito, ficamos sabendo a respeito da maioria das pautas ontem pela manhã, também é um susto para nós que fazemos parte do curso. As questões prolongam-se faz muito tempo mas, até então, estávamos confiando nos acordos.
Elucidando ainda mais: a UEMG começou a perder os contratos e convênios firmados por descompromissos financeiros e descaso para com os órgãos terceiros envolvidos. Resumindo isso, o curso está se desmantelando aos poucos, uma vez que a UEMG não tem cumprido compromissos contratuais de forma regular. O nosso contrato com a Santa Casa termina em agosto de 2018, sendo que essa instituição já declarou desinteresse em sua renovação, uma vez que o atual contrato que frisava um pagamento mensal, foi pago com 6 meses de atraso. O nosso contrato com a prefeitura e com o SAMU não existem, pelos mesmos motivos já citados acima: falta de comprometimento e interesse por parte da reitoria.
Como consequência de todo esse descaso, já tivemos no semestre passado o abandono de uma coordenadora que, prezando a excelência, não admitiu trabalhar da forma descomprometida e desrespeitosa da Reitoria. Além disso, e foi o que culminou nessa atual movimentação, tivemos agora o abandono da coordenação geral do curso. Não temos, na Medicina hoje, um coordenador. A coordenação entregou a responsabilidade para a Direção da Unidade, como estabelece a hierarquia e, ainda assim, a reitoria não se manifestou ainda a respeito dessa situação. Estamos sem coordenação. Quem então vai garantir todo o trabalho de contratações, convênios e contratos (que estão se perdendo por descompromissos) e demais questões administrativas que deveriam ser realizadas pelas pró-reitorias e nosso docentes acabavam fazendo por eles? Todos se cansaram, inclusive nós também cansamos.
Temos uma comissão que está pronta para responder à toda comunidade acadêmica e também externa, basta vocês, quando virem o movimento, perguntar a qualquer discente, estaremos disponíveis para tal.
Pedimos, desde já, perdão pela poluição visual dos cartazes e talvez excesso de alunos nos prédios, mas contamos com a compreensão de todos pois os prédios são espaços comuns e, deixamos claro aqui, não queremos incomodar a comunidade acadêmica da unidade.
Reiteramos que a Unidade de Passos, bem como todo o corpo docente e administrativo, se empenharam muito na resolução de todas as questões, são pessoas de extrema excelência e comprometimento (sem contar as exímias qualificações), mas chegamos ao limite da paciência uma vez que a Reitoria sempre se coloca como gargalo de todo, TODO processo administrativo que visa solucionar questões básicas inerentes ao funcionamento basal do curso. Isso são só alguns detalhes da situação. Temos um dossiê cronológico de toda a questão que, caso queiram consultá-lo, podemos sentar a qualquer momento e mostrá-lo a vocês.
Tudo o que foi exposto não é uma mera exigência aleatória dos alunos de medicina da UEMG, e sim um pedido de cumprimento do projeto pedagógico aprovado pela própria reitoria, antes mesmo da implantação do curso na unidade UEMG Passos.
Entramos numa universidade pública, com a promessa de um curso de medicina de qualidade para que possamos cuidar da sociedade que nos rodeia. Porém, diante do contexto explanado e da posição da reitoria frente a nossa situação, só nos cabe, como estudantes comprometidos com a futura profissão que escolhemos, temer que, diante dessa conjuntura, a UEMG não consiga ter estruturas o suficiente para dar continuidade ao curso, culminando no fechamento dele.
Obrigado pela compreensão e oportunidade de esclarecer tais assuntos.
O Centro Acadêmico Barão de Passos (CABAP) coloca-se à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas que porventura surjam.