10/03/2020
Outro ponto analisado foi o simbolismo que o palhaço traz, o de uma pessoa que faz os outros rirem. Mas essa condição de felicidade a todo custo é favorável até que ponto? Fazendo uma ponte entre o filme - O Homem que Ri - e as redes sociais, vemos uma cultura onde todos devem ser felizes, e até nos momentos de tristeza, temos que manter o sorriso, mesmo se ele for forjado, entalhado ou momentâneo, com a duração de uma foto.
Com isso, chegamos à discussão da tristeza e sofrimento. Como os budistas já dizem: “a vida é sofrimento”. E entendemos que se não sofremos, não estamos vivendo. Jung fala da condição de estar no topo da montanha observando a tempestade abaixo. Num sentido de observar o sofrimento e constata-lo, mas saber que podemos estar acima dele e que ele, o sofrimento, tem um proposito e não devemos nos encharcar com suas tormentas.
Encerramos o encontro constatando que talvez o maior medo do homem é com o desconhecido primordial, este sendo o inconsciente. E um dos maiores desconhecidos é a morte, Jung traz que quando lidamos com a morte, sempre é a do outro, num sentido de num processo de luto, termos de encerrar as projeções que investimos no recém-partido. Por isso também, tentamos de tudo para nos ocupar e não nos angustiarmos com a finitude da vida.
E na questão do desconhecido, é um eixo crucial na terapia junguiana, pois é na assimilação do que é desconhecido em nossas vidas, nossa sombra, nosso inconsciente, que podemos nos tornar mais integrados com nosso Self. Acabamos o encontro com uma frase de Jung sobre o desconhecido: “O que mais precisamos, será encontrado onde menos queremos olhar”.