08/03/2022
Segundo a tradição Judaica, antes de Eva existia Lilith. Mas Lilith queria ser igual a Adão e reivindicava os mesmos direitos do ser masculino. Como Adão tentou força-la a obedecê-lo, Lilith foi embora, não aceitando qualquer tipo de submissão. Eis a primeira feminista que temos conhecimento. O Deus patriarcal então “ transformou Lilith numa diaba matadora de crianças e a condenou a sofrer a morte de cem de seus filhos a cada dia” (Monteiro, 2020). Dessa forma, a visão de um mundo não sexista deu lugar a uma ordem masculina de subjugação da fêmea pelo macho.
Nesse dia 08 de Março queremos fazer uma provocação: retirar do esquecimento a memória do mito de Lilith, de um mundo que nega a desigualdade entre macho e fêmea e convocar as mulheres para lutar pela instauração de uma nova ordem, em que discursos e/ou ações violentas de homens sobre as mulheres não encontrem ressonância. Uma ordem em que s**o e gênero não definam seu lugar no mundo.
Bell Hooks, em um texto de 2015, assinala a necessidade de termos mais “meninas divas” no Terceiro Mundo, ou seja, mulheres que resistem, lutam e assumem protagonismo nas lutas feministas contra o patriarcado. “Nos tempos em que vivemos, fundamentalmente mais antifeministas do que pós-feministas, o movimento feminista precisa de ativistas que possam levar adiante o trabalho de libertação. Meninas divas que estejam na linha de frente” (Hooks, 2015). F**a o convite!