31/10/2013
Excelente texto!
O LÍDER QUE FALA PARA OUVIDOS E CORAÇÕES
(artigo e ilustração de Kau Mascarenhas)
O papel do gestor situa-se numa das instâncias mais discutidas em se tratando de relacionamento interpessoal no âmbito das organizações e isso se dá sobretudo em virtude de seus processos de comunicação.
Interrogações valiosas emergem quando pensamos sobre a imagem que o líder cria de si mesmo e sobre os estados que evoca diante das suas equipes a partir da sua linguagem. Seria ele o grande responsável por contagiar os membros da equipe para que assim pudessem produzir mais e viver melhor no âmbito do trabalho? Poderia com seus próprios estados e humores, além da comunicação verbal, gerar situações que acabariam por se converter em sucesso ou fracasso na concretização das metas que estabeleceu para si e para a empresa com sua equipe? Palavras são elementos geradores de estados emocionais e promovem consequências na produtividade. Igualmente impulsionam ou minam os recursos para uma vida de qualidade no contexto profissional.
Além disso, a comunicação é percebida como algo mais que palavras e sua combinação com expressões faciais, posturas e gestos são poderosas ferramentas de expressão que também constroem a imagem do líder.
A linguagem do líder pode inspirar, motivar, aprovar, ensinar, acolher, estimular, administrar conflitos, esclarecer, comandar e delegar, que são verbos frequentemente associados a sua função quando pensamos na atualidade, sob o patrocínio de teorias repletas de adjetivações "energizantes" como as de liderança participativa, nutritiva, futurista, aprendiz, servidora ou co-criadora.
Entretanto, num viés antagônico, poderíamos imaginar outros verbetes relacionados ao papel do gestor seguindo uma espécie de contramão dessas ideias? Que tal trazermos à baila os termos demover, desmotivar, desaprovar, desensinar, afastar, desencorajar, gerar dúvidas, abster-se, destituir e impor? Seriam também valiosos, em alguns contextos, esses comportamentos que costumeiramente são relacionados ao que se chama, de forma reducionista, de liderança antiga? É interessante notar que, por mais estranho que pareça, eles podem fazer parte do papel do líder e promover importantes deliberações, levando um grupo a grandes resultados, a depender da situação.
Não se pode observar algo como essencialmente bom ou mau desprezando-se uma avaliação cuidadosa do contexto e das pessoas envolvidas.
O líder é um compositor que sabe que terá que lidar com a sua falibilidade e com a imprevisibilidade dos fenômenos do mundo quando for escrever sua partitura ou reger sua orquestra.
A harmonia na sua comunicação levará em conta aspectos bastante variados, ritmos, pausamentos, tons, dos mais intensos aos mais suaves, e a obra bem realizada será a consequência das deliberaçòes que fizer, seja no momento de criar - individualmente - ou na execução da sinfonia - dependendo do coletivo. O resultado que obtiver refletirá sua maior ou menor sabedoria. A maioria das organizações se encontra sensibilizada por convicções tidas como vanguardistas, que podem em alguns casos apenas servir a um paradigma próximo do que se entende por autoajuda, no seu sentido mais negativo. Portanto, problematizar o conceito de comunicação eficaz do gestor pode ser uma atitude útil e valiosa apontando uma rota de fuga das gaiolas constituídas por automatismos de regras morais, julgamentos rígidos no estilo "certo-errado", que podem estabelecer listas pretensamente infalíveis como a dos "dez passos para uma liderança eficaz".
É fundamental questionar e adequar ideias para que elas se tornem encaixadas ao contexto em que está a equipe.Taxar pensamentos e atitudes, na linguagem ou fora dela, como 100% positivos ou 100% negativos é postura que contraria a liberdade de escolha, privando o líder de atributos legitimamente humanos como sua subjetividade e sua singularidade.
Haveria notas, tons e subtons que, de forma absoluta, precisariam ser jogados no lixo?
Cada equipe e cada empresa também tem características próprias que merecem ser percebidas com cuidado e respeito, sendo que aquilo que funciona para um líder na comunicação com sua equipe pode não dar certo em outra, e até mesmo prejudicar significativamente a relação com seu grupo.
Não faz muito tempo, tive informações sobre uma equipe na qual seu diretor resolveu implantar diversos procedimentos novos oriundos de uma metodologia que advogava uma visão "holística" do ser humano impactando decisivamente aspectos relacionados com a comunicação. Sua sensibilização e sua mudança foram legítimas, fortes, decorrentes das vivências de que participou e da exposição da sua mente a novos conceitos. Após ter estado num treinamento de uma semana em regime de imersão, que tratava de uma nova "filosofia" de liderança, o referido gestor retornou ao trabalho cheio de ideias e com grande motivação para implodir seu antigo sistema e inaugurar um novo método mais "humanizado" de liderar. Infelizmente, não houve uma preparação adequada do grupo para a recepção dessas novas ideias e o que se seguiu foi um conjunto de perdas significativas na sua autoridade diante do coletivo, embora tenha havido ganhos sob o ponto de vista da sua identidade e na sua individualidade, com a desintegração da postura anteriormente rígida que abraçava o lema "manda quem pode e obedece quem tem juízo".
Pode ser assustador para um grupo perceber a polarização de posturas e comportamentos de seu líder que anteriormente assumia uma linha no melhor estilo Napoleão e que em seguida passou a abraçar o modelo Madre Tereza, negando o que poderia haver de positivo no primeiro e o que seria negativo no segundo.
A PNL - Programação Neurolinguística e a Ontologia da Linguagem oferecem ferramentas conceituais e práticas em se tratando de comunicação no que tange ao papel do líder, tanto no que o caracteriza como regente dos processos como na sua posição de parte integrante, pedaço de um todo maior, humano irmanado como os demais humanos com os quais se relaciona na seara do trabalho.
(continua)
ver texto na íntegra em http://www.kaumascarenhas.blogspot.com.br/2013/10/128-lideranca.html
Kau Mascarenhas é palestrante, consultor e coach, faz seminários, cursos e conferências em todo o país. Autor do livro "Mudando para Melhor".
É sócio diretor do Pro-Ser Instituto.
www.proserinstituto.com.br
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