22/09/2014
Seminário de Contabilidade da PUCRS debate a profissão como ferramenta de s**esso
Evento reuniu cerca de 300 alunos no auditório da universidade
A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em parceria com as faculdades de Administração, Contabilidade e Economia (FACE), promoveu, nos dias 15 e 16 de setembro, o Seminário de Contabilidade da PUCRS. Com o objetivo de valorizar e estimular a profissão como ferramenta de s**esso. O evento aconteceu no auditório do prédio 50, no campus da universidade, em Porto Alegre.
Enquanto especialistas de diversas áreas da contabilidade apresentaram suas ideias, os alunos foram convidados a encaminhar perguntas aos palestrantes. A interação aconteceu por meio das redes sociais com a hastag , garantindo a inclusão dos presentes a temática do Seminário. O evento recebeu aproximadamente 300 estudantes.
Primeira noite: corpo docente ensina o caminho
Abrindo a primeira noite do evento, no dia 15, o coordenador do curso de Ciências Contábeis da PUCRS, Saulo Armos, abordou a busca de qualidade do ensino e a valorização da profissão. “Contamos com 600 alunos de contabilidade na PUCRS e precisamos valorizar a profissão através de um pensamento coletivo para o crescimento da área”, ressaltou Armos, lembrando que a vontade dos alunos foi crucial para que o evento fosse realizado. “Fiquei muito impressionado com a motivação de todos para que o Seminário ocorresse. Esta integração entre a faculdade e os alunos é primordial para que possamos enriquecer o debate sobre a profissão”, avaliou o coordenador.
O professor de Ciências Contábeis da PUCRS, Sergio Laurimar Fioravanti, foi o primeiro palestrante da noite. Além de lecionar na PUCRS desde 1998, Fioravanti é sócio da Moore Stephens Prime, empresa de auditoria e consultoria contábil. Em sua palestra, o professor abordou pontos fundamentais para o s**esso na carreira contábil. Uma das avaliações do professor foi sobre o melhor aproveitamento do ambiente acadêmico pelo aluno. “A formação do conhecimento acadêmico é fundamental para solidificar aquilo que queremos para a nossa carreira. O s**esso é consequência do trabalho realizado dentro da universidade”, salientou o contabilista.
As leituras, segundo Fioravanti, são primordiais para a base contábil dentro e fora do ambiente da sala de aula. “Precisamos ter o relacionamento da prática empresarial com a teoria acadêmica. Para isto, a leitura é nosso ponto de apoio para aprofundar nosso conhecimento em todos os caminhos da contabilidade”, avaliou, destacando que as habilidades de relacionamento serão importantes nos novos aspectos da profissão. “Precisamos formar profissionais com maior capacidade de relacionamento entre si. A contabilidade pede duas coisas: bom relacionamento profissional com a perda da inibição e conhecimento teórico e prático. É importante que saibamos que o conhecimento não consome, pelo contrário, agrega patrimônio. Este é, sem dúvida, o maior ativo de uma organização”, finalizou Laurimar.
Sobre o cenário de mudanças, o professor solidificou a ideia de que o mercado contábil sofre modificações constantes. “A liderança com foco nos resultados será acolhida, muito em breve, pelo mercado. Os novos formandos devem acompanhar as mudanças no cenário de negócios para serem absorvidos pelas grandes empresas e corporações”, avaliou Fioravanti. Para o palestrante, as empresas contábeis também passarão pelas mesmas alterações que a sociedade acolheu. “Cada vez mais ficará no passado a avaliação positiva de uma empresa só pelos seus resultados contábeis. As pessoas também irão avaliar o quanto a empresa contribui nas áreas ambientais, ecológicas e sociais”, concluiu, encerrando a primeira palestra da noite.
O segundo palestrante foi o professor da PUCRS, Luiz Eduardo Mastalir Machado, que abordou a contabilidade dentro do funcionalismo público. Machado é auditor fiscal da Receita Estadual – AFRE da Secretaria Estadual da Fazenda (SEFAZ-RS) e especialista em Direito Tributário pela Unisinos. O auditor expôs sua trajetória profissional como servidor e trouxe exemplos de como o formando pode se inserir dentro da contabilidade pública. “Os alunos, muitas vezes, rejeitam o funcionalismo público por associar o concursado com alguém acomodado, dentro da zona de conforto, o que é um engano”, disse Machado.
Para o funcionário da SEFAZ-RS, o servidor público é avaliado através de um plano de metas e objetivos, o que acaba com a indolência no ambiente de trabalho. “Nós somos cobrados e exigidos como qualquer funcionário em uma empresa privada. Além disso, existem mais fatores positivos dentro da contabilidade pública como a estabilidade e a remuneração média, que garante uma paridade da qualidade de valores para as companhias privadas”, avaliou o servidor.
A lenda de que existe monotonia do funcionalismo foi combatida por Machado, que acentuou o ambiente desafiador que o concursado encontra dentro de uma repartição pública. “Não existe monotonia, isso é passado. O contabilista público, por exemplo, de auditoria, passa por desafios diários dentro de suas tarefas. O afinco e a determinação no trabalho efetuado que irão definir o s**esso na área”, definiu o professor.
Segunda noite: empreendedorismo e experiência
A noite do dia 16 começou com a abertura do professor da PUCRS, Silvio Luiz Taborda, que parabenizou os alunos pelo bom comparecimento na segunda noite do Seminário. “Este evento foi promovido para motivar os alunos e reforçar o compromisso da universidade em formar grandes profissionais de contabilidade”, afirmou Taborda.
O professor da PUCRS, Ricardo Minotto, mediador dos debates na segunda noite, fez intervenções e perguntas aos convidados. Minotto é diretor financeiro do Hospital São Lucas da PUCRS e especialista em finanças e auditoria da qualidade pela mesma universidade. “O Seminário é um espaço único para que os alunos tenham a liberdade de confrontar ideias e apresentar novos pontos de vista que enriqueçam o debate”, contextualizou o professor.
O primeiro palestrante da noite foi o sócio da Fortus Consultoria Contábil, João Batista Custódio Duarte, que apresentou os focos de atuação da empresa e o perfil empreendedor da Fortus. Bacharel em Ciências Contábeis pela URFGS, Duarte apresentou a linha do tempo da companhia que se iniciou em 2004. “No início começamos sem nenhum cliente e oferecíamos o serviço para as empresas através das listas telefônicas”, lembrou, com a nostalgia de quem, dez anos depois, conta com 21 funcionários e 80 clientes ativos.
Segundo o palestrante, os funcionários da Fortus recebem cursos de atualização da área contábil rotineiramente, contemplando as mudanças que o mercado da contabilidade tem sofrido. “As constantes atualizações dos funcionários de nossa empresa refletem na qualidade do serviço. Através das mudanças, a Fortus valoriza e incentiva as novas ideias dentro do ambiente de trabalho. Com isto, criamos um banco de ideias que a cada novo projeto os funcionários são recompensados com “Fortus Dólares”, que equivalem a R$ 2,40”, disse Batista, reconhecendo a criatividade dentro de sua empresa.
Outras ações de valorização do quadro funcional foram salientadas por Batista. Um dos exemplos foi o “BeneFortus”, um valor mensal em benefícios, escolhido pelo próprio funcionário. “Nós proporcionamos mais liberdade na escolha dos benefícios, pois muitos não têm a necessidade de receber vale-transporte, mas, sim, um auxílio-creche ou vale-combustível no mesmo valor do antigo benefício”, contou o sócio da Fortus.
As campanhas sociais também são consideradas carros-chefes da empresa, que, segundo o empreendedor, tem um papel social muito forte em sua região. “Arrecadamos cerca de 1t e 100kg de alimentos e distribuímos entre a Vila Maria da Conceição, próxima a nossa sede, e a Associação Educacional e Beneficiente Emanuel”, declarou, salientando que a empresa também conta com uma campanha chamada “Declaração Solidária”, quando cada peça de roupa doada garante 15% de desconto da declaração do imposto de renda efetuada pela empresa.
Duarte comemorou o reconhecimento da Fortus no mercado contábil, sendo reconhecidas duas vezes seguidas, 2013 e 2014, como empresa Prata no Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP). “O último escritório que havia ganhado a Prata no PGQP foi no ano de 2003. Para nós, é motivo de muito orgulho e nos motiva ainda mais para seguir com o bom trabalho desenvolvido”, destacou o empreendedor.
Ampliando as áreas de atuação, Batista encontrou um extenso mercado fora do país, globalizando a empresa e buscando parcerias com órgãos de vários países. “Fizemos parcerias com a Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) e com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil – Alemanha (AHK) e com isto expandimos nosso mercado para fora do estado e do país”, frisou, mencionando a criação da revista Fortus News, que, neste mês, chegou a sua oitava edição. “A Fortus News, que é voltada para todos os nossos clientes, é uma revista bilíngue. As matérias são produzidas em português e inglês, o que facilita nossa entrada em vários mercados e garante uma melhor aceitação do material”, afirmou o palestrante.
Sobre empreender dentro da contabilidade, Batista foi direto. “Não vejo nenhum contabilista empreendedor que esteja mal financeiramente. Claro, não pode haver nenhum tipo de acomodação”, enfatizou, lembrando que trabalha 12 horas por dia. A sociedade, para o palestrante, deve estar em uníssono entre as partes empreendedoras. “Na Fortus, eu cuido da parte administrativa e comercial, e meu sócio é responsável pela área técnica. Isso garante uma consistência maior no trabalho efetuado pelos sócios”, disse, citando seu sócio Evanir Aguiar dos Santos. Batista ainda revelou os planos futuros da empresa, que se objetivam em fixar escritórios em São Paulo, em 2016, e no Rio de Janeiro, até 2018.
Durante a palestra, Batista se dirigiu aos alunos que pretendem abrir um escritório contábil, com um conselho: “Para quem quer fugir das pressões de ter um chefe abrindo um escritório, esqueçam. Eu, por exemplo, tenho 80 clientes-chefes. A responsabilidade é imensa da mesma maneira e precisamos fazer a contabilidade da maneira que o cliente pede, mas sempre seguindo as normas e as formas corretas de se fazê-la”, aconselhou Batista.
Sobre o mercado, Duarte classificou como “ótimo” e justificou a adjetivação de acordo com as constantes mudanças na legislação tributária. “Isso gera uma maior complexidade das ações do contabilista, que se torna mais valorizado e melhor remunerado”, finalizou a apresentação, lembrando que as transformações no mercado contábil irão propiciar uma desconstrução no plano de carreira dos funcionários da Fortus com a entrada de uma remuneração variável, a partir de metas e objetivos.
O presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRC-RS), Antônio Carlos de Castro Palácios, foi o segundo palestrante da noite, e apresentou um panorama das ações do conselho e do mercado contábil no Estado. Sócio das empresas Palácios & Cia – Auditores Independentes, Palácios & Visintainer – Advogados Associados e Aceller – Capacitação Profissional, Palácios abriu a apresentação demonstrando que o mercado de trabalho para os contabilistas está aquecido. “Temos um mercado de trabalho abrangente para a nossa profissão. Existem cerca de 38 mil contabilistas no estado e todas as empresas precisam dos nossos serviços contábeis”, garantiu, avaliando os dados e incentivando os alunos a buscar mais abrangência em suas especializações.
O presidente do CRC-RS salientou que todas as áreas contábeis estão em um bom momento, o que faz com que o mercado absorva os jovens profissionais. “A área pública, que antes não motivava os jovens e era reservada aos acomodados, hoje requer uma busca de conhecimentos igual ou maior à área privada, justamente pela introdução de um padrão internacional de contabilidade em todos os setores”, disse Castro.
O preconceito com a contabilidade foi rechaçado por Palácios, que pediu união entre os profissionais para uma maior valorização do estudante da área. “Ainda não conseguimos demonstrar a importância, inegável, da contabilidade para as pessoas. Todos nós sabemos o quanto somos importantes para o mercado e a utilidade de nossa profissão, por isto, é preciso que exista um entendimento coletivo de união entre profissionais da área, alunos e professores, demonstrando nossa coletividade”, frisou o presidente.
Palácios afirmou que a abertura de um escritório é um dos caminhos mais difíceis dentro da profissão. “Não adianta sair da faculdade, juntar alguns amigos e tentar abrir um escritório. É preciso buscar conhecimento, definir a divisão de responsabilidades, saber vender o serviço através do marketing contábil, ouvir cases, se preparar baseando-se na inovação, além do principal, que é o conhecimento do controle interno de gestão”, elencou Palácios.
Segundo o contabilista, o grande desafio dos profissionais é atender a demanda de mercado. “Temos uma situação muito clara: o mercado está aquecido, com muitas vagas e abrangência de especializações. Entretanto, existe a exigência de um nível profissional ainda mais aguçado e com maior capacidade de tomada de decisões”, definiu o palestrante, que avaliou a necessidade do contabilista como conselheiro técnico. “Existem empresários que não tomam nenhuma decisão financeira sem consultar o contabilista. Isso demonstra que o profissional deve conhecer o negócio e avaliar riscos cada vez mais, dando respostas concretas para o cliente”, declarou Castro.
Para finalizar, Palácios apresentou as principais ações do CRC-RS, órgão em que atualmente preside. “O Conselho tem duas funções primordiais: nós tiramos do mercado quem não é ético e depõe contra a profissão e garantimos uma educação continuada com cursos e palestras que são divulgadas para todos os profissionais inscritos no órgão”, finalizou, lembrando que mesmo com 43 anos de profissão, sente orgulho de subir ao palco e passar sua experiência aos jovens acadêmicos.
Organização: dever cumprido e garantia de continuidade
Segundo o professor organizador do evento, João Carlos Schier, o Seminário, que foi por muitos anos um acontecimento tradicional da universidade, voltou a ser valorizado e reconhecido entre professores, alunos e profissionais da área contábil. “Nossa sensação é de dever cumprido em toda a organização. Os convidados atingiram nossa expectativa nas palestras e os alunos tiveram uma interação concreta durante o evento, seja com perguntas ou com uma participação ativa pelas redes sociais”, avaliou Schier.
Para as integrantes da Comissão Organizadora do Seminário e alunas do curso de Ciências Contábeis da PUCRS, Natalia Klafke e Luana Chies Cardoso, o evento trouxe várias vertentes da contabilidade que, por vezes, não são expostas aos alunos. Segundo Natalia, a experiência como organizadora enriqueceu suas vivências dentro da universidade. “Organizar um evento deste porte nos traz uma nova rede de contatos e relacionamentos, além de representar a universidade fora da sala de aula”, avaliou a aluna. “Nos orgulha em ver a participação dos alunos tirando dúvidas e aprimorando seus conhecimentos a partir das ideias apresentadas no Seminário”, salientou Luana, garantindo que a boa presença de público trouxe motivação para a periodicidade do evento em todos os anos.
Assessoria de Imprensa do Seminário de Contabilidade da PUCRS
Guilherme Rovadoschi
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