02/06/2016
"CARTA ABERTA DOS BOLSISTAS DO PIBID
O PIBID f**a ou não f**a?
A Portaria 046/2016 que altera o edital vigente do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Docente (PIBID) descaracteriza e desconsidera as áreas de Educação Física, Línguas Estrangeiras Modernas (espanhol e francês), Artes Visuais, Teatro, Dança e Música como componentes curriculares da educação básica ao restringir os cursos que podem submeter novos projetos, priorizando Letras (letramento), Pedagogia e Matemática. Se atualmente temos 19 subprojetos do PIBID na UFRGS, com a nova portaria teremos 11 (que talvez pudessem compartilhar projetos com as áreas priorizadas). Nós, enquanto bolsistas do PIBID e futuros professores, sabemos o quanto a batalha é dura pra que as áreas que trabalham com a arte sejam também reconhecidas como ferramenta para a formação de sujeitos dentro das escolas, principalmente as estaduais. Por esse argumento, já deveríamos nos posicionar contrários à submissão de projetos de acordo com essa nova portaria que é, na prática, um novo edital. O trabalho dos supervisores, agora escolhidos pela Secretária de Educação do Estado (SEDUC), duplicará no que diz respeito a orientação de bolsistas e, em alguns casos, responsabilizará esses professores por quatro escolas diferentes. Na prática, é o velho mais por menos da precarização. Além do mais, o projeto não poderia ser executado, já que 40% das vagas deveriam ser destinadas ao curso de Pedagogia aos estudantes que estivessem, pelo menos, na metade do curso por conta da autonomia e responsabilidade nas escolas. Isso reduziria o número de estudantes que poderiam concorrer às vagas, já desconsiderando também os que já têm bolsa em alguma outra função. Os cálculos feitos a partir do que poderia ser executado de acordo com a portaria 046 apontam que sobrariam 75 vagas pra serem disputadas entre os subprojetos que poderiam concorrer, atualmente temos 319, considerando que o projeto pudesse ser executado na UFRGS.
Estamos a par do desrespeito existente em relação aos órgãos que estão diretamente relacionados na execução do projeto, como a COORLICEN e o CONSUN que já se posicionaram contrários à portaria, já que alguns professores sinalizaram que enviarão projetos pra concorrer essa nova portaria, desrespeitando as decisões coletivas de plenárias e reuniões que ocorreram para discutir o nosso posicionamento. Sabemos que essa nova port(c)aria é mais um reflexo da precarização da educação e do retrocesso que estamos vivendo na política nacional. Compreendemos que a permanência do PIBID como conhecemos só pode se dar através do boicote e da luta pela permanência do edital antigo. Nós queremos a manutenção do edital atual, com validade até 2018, bem como o respeito às decisões coletivas e a consulta dos bolsistas - principais mantenedores do projeto - de todas as decisões."