Mariana Ribeiro - Revisora de textos

Mariana Ribeiro - Revisora de textos Revisão de textos, língua portuguesa, comunicação e empreendedorismo.

25/09/2023

Raízes
Sempre me considerei uma típica brasiliense, rodeada de clichês do quadradinho e de seus anexos.

E mais: raiz. De comer poeira, terra, às vezes lama, pulando com os Paralamas na Torre ou nos pisoteados gramados da Esplanada; saindo dessa sem nenhum arranhão, ou melhor, nenhuma coceira no nariz. Também já passei sufocamento, não pela falta de umidade relativa do ar – essa sempre tirei de letra, afinal, brasiliense raiz, era do turno vespertino do Colégio Azul, onde a gente torrava dentro de sala de aula enquanto o Brasil inteiro era dispensado pelo alerta de baixa umidade, e muitas vezes nós também, não por isso, apenas porque com frequência não havia alguém para nos dar todas as aulas. Cometia mesmo era o risco de perder o ar pra chegar mais perto do palco e acompanhar a amiga fã do Dinho, que viera gravar seu DVD ao vivo, dando um presente à capital e a nós. Mas não parava por aí, a gente tomava um ar – e transpirava mais – na caminhada até a rodo para se espremer outra vez, mais um pouco, na volta pra casa de busão.

"Mas quando se vê, já são seis horas...", e quando menos se percebe, as taquicardias têm motivos maduros, e o sufocamento pode ser tudo – inclusive psicológico –, e você f**a achando que a rinite pode ser algo da sua cabeça. Mas ela tá lá, pesando acima do seu nariz, existe apesar da negação e da esquiva por anos a uma consulta ao otorrino. Aquele outro problema, que você também atribuiu à sua mente, continua a tapar seus ouvidos e sua audição. A médica, talvez captando a sua rebeldia – resquícios daquela geração por quem você vibrava em frente aos palcos –, parece entrar num tipo de papel otorrino-psicológico, e não conclui seu diagnóstico, mas “pela obscuridade dos sintomas”, já te prescreve o tratamento completo das -ites.

Desligo a câmera do celular, a consulta chega ao fim, não os meus devaneios. Por fim me comparo às árvores do cerrado. Um dia ela até nasceu raiz, mas esse chão de poeira vermelha tratou de a colocar fora dos eixos tornando numa árvore do cerrado; à revelia da natureza, segue torta, na secura ou na abundância, carrega seus pesos nos ombros e no nariz, mas segue firme, viva e crescendo, às vezes na mudança brusca de direção, o que importa é ir adiante.

Mari Ribeiro, algum dia dessa secura de Brasília, 2022.

Exemplar em mãos dessa obra linda que tive a honra de revisar. Ademir Assunção Parabéns pelo livro, que dá oportunidade ...
28/08/2021

Exemplar em mãos dessa obra linda que tive a honra de revisar. Ademir Assunção Parabéns pelo livro, que dá oportunidade aos que chegaram agora de conhecer seus anos de trabalho e a todos de prestigiarem um pouquinho a sua jornada.

Agradeço a confiança e parabenizo toda a equipe da Editora Universidade de Brasília, vocês são demais!

Por fim, há um carinho especial neste trabalho, pois essa oportunidade foi a forma de contribuir com o IL, da minha querida UnB, que por tantos anos esteve lá para a minha formação universitária. Gratidão.

Esta é uma conquista que já merece ser celebrada em "condições normais", pois sabemos o quanto é desafiante conciliar o ...
28/12/2020

Esta é uma conquista que já merece ser celebrada em "condições normais", pois sabemos o quanto é desafiante conciliar o tempo para viver de forma saudável e com equilíbrio nas esferas da vida, mas em "tempos anormais", como o atual, reconhecemos mais ainda a importância de vibrar com cada passo dado. É com alegria que divulgo: concluí minha primeira pós-graduação em Revisão de Textos.

>Para um bom texto, é preciso evitar repetição vocabular, mas nunca trocar “Seis por meia dúzia”. Parece complicado desc...
10/11/2020

>Para um bom texto, é preciso evitar repetição vocabular, mas nunca trocar “Seis por meia dúzia”. Parece complicado descobrir o que isso signif**a.
>Emanuel Araújo, na obra A construção do livro, nos mostra a importância da riqueza vocabular e atribuiu ao editor a função de observar problemas decorrentes do mau uso dos vocábulos. O próprio autor pode identificá-los. Mas nem sempre consegue por estar muito conectado ao seu texto. Por isso a tarefa recai ao revisor, que identif**a os pontos a melhorar justamente por não ter esse laço de proximidade com o texto alheio.
>Araújo aponta que, apesar de cada palavra possuir seu sentido preciso e próprio – portanto de não haver sinônimos perfeitos –, a variação da escolha de vocábulos enriquece o texto. Ela torna o texto melhor porque busca evitar repetições desnecessárias e atingir o sentido desejado usando o melhor termo.
>Um bom texto pode ser alcançado usando sinônimos adequados ao campo semântico, ao nível de linguagem (mais ou menos formal) ou à intenção do discurso (uso coloquial, jargão, gíria), utilizando corretamente os pronomes ou omitindo vocábulos.
>Mas como fazer essa troca correta na prática? Emanuel Araújo nos presenteia com um bom exemplo:
“Ao publicar este livro, a editora anunciou que não seria o único livro do autor que pretende editar.”
>Agrupando em pares os termos destacados na frase (livro-livro; editora-editar), encontramos a repetição vocabular, no primeiro par pelo uso da mesma palavra, no segundo pela utilização de palavras cognatas.
>Para evitar a repetição e melhorar a construção da frase, pode-se usar sinônimos do mesmo campo semântico sem alterar o sentido original da frase, conforme sugere Araújo:
“Ao publicar este livro, a editora anunciou que não seria o único título do autor que pretende lançar.”
>Outro exemplo: no âmbito acadêmico, há algumas vozes além da do autor; usar sinônimos para expressar as ideias alheias (“o autor afirma/sustenta/indica/diz/retoma/acredita/constata/assegura/assevera...”) traz riqueza vocabular.
>Trocar seis por meia dúzia deve ser evitado, deve ser buscada a troca pertinente de palavras e a melhor maneira de expressar as ideias do autor para um texto rico.

04/10/2020
13/09/2020
Grande Mario Quintana! (1906-1994)
30/07/2020

Grande Mario Quintana! (1906-1994)

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