08/11/2020
O transtorno de estresse pós-traumático é uma condição que pode ocorrer após uma pessoa experienciar um trauma. O trauma é um evento intenso que pode, por exemplo, ser decorrente de situações em que ocorra morte, ferimentos graves ou violência sexual, ou mesmo em que tenha havido sério risco de que essas situações ocorressem. Sabemos, porém, que nem todas as pessoas que vivem um trauma desenvolvem a condição, e ainda não se conhece o motivo para que diferentes indivíduos venham a apresentar ou não o transtorno quando expostos a eventos semelhantes. Embora seja comum que o próprio paciente tenha sido o alvo de uma das situações citadas (como no caso de emergências médicas como ataque cardíaco, acidentes de trânsito com ferimentos graves ou mesmo somente o risco de eles ocorrerem, etc.), isso não necessariamente ocorre, ou seja, é possível que haja o desenvolvimento do transtorno ao presenciar a ocorrência de uma das situações citadas com outra pessoa. É possível, inclusive, que o próprio indivíduo que realizou o ato que originou o evento traumático desenvolva a condição - considerando o notório exemplo de veteranos de guerra norte-americanos que vieram a desenvolver o transtorno de estresse pós-traumático, ele pode ocorrer não somente em decorrência de presenciar eventos causados por outros soldados em combate, mas também de uma situação oriunda das ações do próprio paciente.
Os sintomas podem se iniciar logo após o trauma, e caso persistam por mais de 3 dias podem estar associados, na verdade, ao transtorno de estresse agudo. Havendo continuidade dos sintomas por mais de um mês, torna-se mais forte a hipótese de transtorno de estresse pós-traumático. Todavia, o transtorno não precisa se instalar imediatamente após o trauma, podendo ter seus sintomas iniciados até mesmo anos depois do ocorrido.
Os sintomas do transtorno do estresse pós-traumático incluem: lembranças do trauma, através de pensamentos e sentimentos- podem ocorrer lembranças perturbadoras, pesadelos ou “flashbacks” (caracterizados por sentimentos ou “visões” do trauma que ocorrem repetidas vezes); sensação de torpor ou apatia, e perda da apreciação por atividades que costumavam gostar de realizar; tentativa por parte do paciente de evitar certas situações ou lugares que o remetam ao trauma; sentimentos intensos como raiva, medo ou preocupação- é possível que o paciente se assuste ou sobressalte constantemente, espontaneamente ou em resposta a estímulos que em geral não teriam o mesmo efeito em indivíduos sem transtorno de estresse pós-traumático (essa hiper-responsividade é talvez o sintoma mais conhecido do transtorno do estresse pós-traumático, e costuma ocasionar dificuldades para dormir).
O tratamento do transtorno de estresse pós-traumático tem dois pilares: a terapia cognitivo-comportamental (em especial a terapia de exposição) e o tratamento medicamentoso (anti-depressivos são o principal tipo de medicamento utilizado para o transtorno em si, sendo possível utilizar outros classes de fármacos para tratar os sintomas de insônia e pesadelos).