CEPED USP
APRESENTAÇÃO
O ano de 2014, marcado pelas eleições e pela maior greve da história das universidades estaduais de São Paulo, termina com um cenário repleto de disputas e posicionamentos acirrados entre as diferentes forças que compõem a sociedade brasileira.A polarização entre os dois projetos, que há muito disputam o país, se chocaram frontalmente trazendo a tona seus resíduos, dema
rcando claramente as visões de mundo deles derivadas. De um lado sai parcialmente derrotado o projeto neoliberal, saudoso de um passado cuja tônica foi o desemprego, o arrocho salarial, as privatizações e o aprofundamento das desigualdades sociais; desesperado e apoiado pela grande mídia nativa, agora deslegitima o processo eleitoral, exigindo recontagem de votos e chega ao absurdo de incitar a volta de intervenções militares no país. Por outro lado, sai parcialmente vitorioso o projeto que, apesar das limitações impostas pelo capital e pela correlação de forças, avança na conquista de direitos sociais e acena para um futuro de mudanças possíveis mediante uma grande mobilização dos setores progressistas da sociedade. Assistimos as investidas da mídia, controlada pela “Casa Grande” e defensora dos privilégios de seus clientes e aliados históricos. A grande greve realizada pelos professores, funcionários e estudantes da Universidade de São Paulo foi transmitida à sociedade como espetáculo pelos jornalões que, como era de se esperar, abriram suas colunas para os articuladores da privatização e da cobrança de mensalidades. Depois da cobertura espetacular dada ao julgamento do “Mensalão”, agora é a vez da Petrobras estampar as manchetes sensacionalistas, escritas por jornalistas sempre ávidos por novos “escândalos” de corrupção. Ao mesmo tempo, vimos a capacidade de blindagem desse órgãos quando os alvos são seus financiadores e proprietários: mesmo ignorando a crise orçamentária da USP, levando o estado à crise hídrica, sucateando a educação de nível básico, apoiando a atuação violenta da Polícia Militar entre outras barbaridades, o grupo político que controla São Paulo há mais de vinte anos é reeleito com segurança e seus quadros saem, aparentemente, intactos. Tivemos um ano marcado pela atuação e fortalecimento de movimentos sociais importantes (MTST em São Paulo), greves vitoriosas construídas a partir da base (garis no Rio de Janeiro), formação de uma oposição sindical forte e combativa em Ribeirão Preto (chapa 2 do Sindicato dos Servidores Municipais), formação de coletivos em defesa das minoridades de direitos na USP Ribeirão, etc. Em nossa universidade saem fortalecidos estudantes, funcionários e professores que protagonizaram uma longa e vitoriosa greve contra os desmandos da atual reitoria. Porém, apesar do ascenso da esquerda, ainda presenciamos em nossa universidade casos de racismo, violência sexual, coação de estudantes por meio de sindicâncias, agressões físicas a alunos por seguranças privados em festas profissionais, continuidade do descaso quanto ao acesso e permanência estudantil, continuidade da burocratização da gestão universitária, entre outros pontos que nos impõem a necessidade de atuação enquanto corpo discente organizado. Nesse sentido, por entendermos a urgência de um movimento estudantil atuante e combativo, apresentamos nossa chapa que concorrerá para a próxima gestão (2015) do Ceped. Os estudantes precisam defender suas conquistas e continuar mobilizados para arrancar muitas outras, por meio da luta, da participação e da construção democrática de um centro acadêmico que promova a discussão e a ação, dentro e fora dos muros da universidade. Sentimos a necessidade de criar relações com outros CAs e movimentos sociais para avançar na conquista de direitos e fazer frente ao conservadorismo, dentro e fora da universidade; de articular as demandas específicas dos alunos do curso de Pedagogia com demandas e lutas universais.