01/12/2021
Boa noite, pessoal! Depois de um breve período fora das redes, retornamos com mais uma publicação sobre leituras que tem seu espaço na produção de Pêcheux.
Pêcheux (1969), em suas retomadas a Saussure, nos relembra que no Curso de Linguística Geral (CLG) a língua é entendida como um sistema. Para Pêcheux, a língua é a base dos processos discursivos. Ao longo dos textos desse autor, vamos perceber como o sistema da língua é aberto à falha e ao equívoco.
Em 1971, Haroche, Pêcheux e Henry refletem sobre algumas noções deixadas de fora do corte saussuriano, como sujeito, história, sentido. Para os autores, a AD consiste em uma “teoria das regiões deixadas de lado do campo de aplicações dos conceitos e da prática dos linguistas” (HAROCHE; PÊCHEUX; HENRY, [1971] 2011), mas que pressupõe “uma mudança de terreno ou de perspectiva” (ibidem).
Em 1981, Gadet e Pêcheux questionam se haveria uma revolução saussuriana. No entanto, eles nos dizem que, direta ou indiretamente, Saussure é a pedra de toque de todas as escolas linguísticas da atualidade, o ponto de partida crítico. (GADET, F. PÊCHEUX, M., 2010 [1981] p. 55) .
Neste momento das reflexões da AD, Pêcheux parece estar atento a um Saussure para além do CLG. Como se pode perceber em uma das sessões de “A língua inatingível” intitulada de “Dois Saussure?” Nela, Gadet e Pêcheux se questionam sobre a cisão entre o Saussure diurno, o da Linguística, do CLG, e o Saussure noturno, redescoberto a partir dos anagramas, dos escritos, dos estudos das lendas. Para os autores, é impossível separar essas duas faces de Saussure, em função do conceito de valor. “O espaço do valor é o de um sistêmico capaz de subversão em que, no máximo, qualquer coisa pode ser representada por qualquer coisa” (GADET; PÊCHEUX, 2010 [1981], p. 59).
Pêcheux (1983 [2015], p. 63) acena para o efeito subversivo da trilogia Marx-Freud-Saussure “que coloca em causa as evidências da ordem humana estritamente bio-social” Ou, como Gadet e Pêcheux (2010 [1981]) pontuam, o que comparece em Saussure é algo da ordem de uma ferida narcísica. A língua é um sistema que não se fecha.