14/12/2020
Um mês após a nossa querida Syl, nos deixa também o grande mestre Rafael Navas.
Aposto que todo estudante do nosso curso que está lendo aqui se lembra da primeira vez que se deparou com o professor Navas. No meu caso, e acredito que de muitos outros, foi ver aquela pessoinha pequena entrando na sala de aula, de camiseta e bermuda. O primeiro pensamento foi de que era mais um calouro, doida que fosse um bicho grilo, que fosse da Agroecologia. Pensamento seguido da surpresa de ver ele dizendo que a aula ia começar, ele era o Professor, uai!
Rafa era não convencional, logo entrei na Ufal, em especial, no Ceca, e já descobri que ele era um dos grandes responsáveis pela reconstrução do curso da Agroecologia, quem bateu a mão na mesa pra que as coisas mudassem, pra que a agroecologia conseguisse a sua verdadeira identidade. E ninguém parava o danado não, quando achavam que ele tava meio escondido, pode ter certeza que era porque estava tramando mais uma revolução dentro do sistema. Rafa não tinha pressa, sabia que as grandes mudanças precisam de tempo e de dedicação. Quando achavam que o tinham enquietado...Pá! Lá foi ele trazer camponesas e camponeses pra dentro da universidade. Vai ter sem terra dentro da Universidade sim. Ele nunca precisou gritar isso pra fazer com que fosse possível. E a gente percebia no seu andar certeiro, que haviam muitos planos infalíveis que ele já estava a bolar. E muitos outros que ele ainda bolaria...
Dos primeiros contatos com os calouros, as suas aulas eram as das mais estimulantes, digo sem medo de soar inverdadeira que o professor Navas fazia com que
quem não conhecia a agroecologia, pudesse ter a chance de se apaixonar. E somos a prova nítida e forte de que essa paixão virou amor sem medidas.
Bom, seja por terra, nas comunidades, seja pelas águas, em expedições pelo Velho Chico, Rafa, mesmo pequeno, se fez enorme, em presença, em resistência. Não há aula melhor do que aquela em que a gente sente a certeza de que é isso que queremos pro resto da vida, pelo bem comum à nossa casa comum, e Rafa era mestre nestas aulas de vida.
Obrigada demais, fessô.
RAFA PRESENTE, PRESENTE, PRESENTE!