Trata-se de oficina de mediação de leitura e prática de biblioterapia a partir de textos que tenham como elementos articuladores o luto e a finitude da vida e das relações sociais, tendo como pano de fundo a pandemia de Covid-19. É sabido que a pandemia da COVID-19 alterou a normalidade da vida das pessoas, das organizações e das ações empreendidas por elas, surgindo novos aprendizados de toda e q
ualquer natureza e nos colocando em constante contato com a expressão finitude, em suas diferentes perspectivas. Assim sendo, entendemos que trabalhar questões humanas relacionadas ao luto e às finitudes inerentes dos ciclos da vida, através de textos de diferentes gêneros literários, exemplifica uma função terapêutica da leitura, a qual admite a possibilidade de a literatura proporcionar uma pacificação das emoções. Assim, intuindo fomentar questões relacionadas ao atual cenário sanitário, bem como auxiliando a compreensão do conceito de finitude, o qual estamos aprendendo a ressignificar ou até, dolorosamente, significar, justifica-se a aplicação da biblioterapia através da técnica de mediação de leitura, onde o ato da leitura e as narrativas envoltas à esta ação proporciona reflexões, ressignificação ou não de emoções e aprendizagem coletiva. Os benefícios da biblioterapia e seus efeitos em perspectivas de apoio psicossocial são amplamente discutidos e apresentados nos estudos de Pereira (1996), Ouaknin (1998), Caldin (2001), Costa (2007), Seitz (2005), Lopes (2012) entre outros. Assim sendo, entendemos que as oficinas podem auxiliar e contribuir com o bem-estar e promoção da leitura para diversos segmentos da sociedade. Ademais, interpretamos o ato da leitura e sua mediação, tanto no âmbito linguístico quanto no cognitivo. Defendemos que, em ambos, destaca-se a cidadania individual de quem está lendo e o exercício da colaboração (entre autor, leitor, comunidade e mediador de leitura). Portanto, em algum nível vivencia-se a empatia, tão necessária diante da crueldade do vírus (BOAVENTURA SANTOS, 2020).