10/08/2026
Confesso que essa frase me incomodou.
Não porque mudar hábitos não seja importante. É.
Mas porque existe uma diferença entre responsabilizar o paciente pelo tratamento e culpá-lo pela doença.
A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Ela não acontece por um único motivo e, por isso, também não tem uma única solução.
Como outras doenças crônicas, exige acompanhamento, mudanças consistentes e, muitas vezes, uma equipe formada por nutricionista, médico, psicólogo e educador físico.
O tratamento exige comprometimento. Mas força de vontade não explica uma doença complexa.
Qualquer pessoa pode sentir preguiça, desânimo, procrastinar ou ter dificuldade para manter uma rotina. Isso faz parte da vida.
A obesidade envolve fatores biológicos, psicológicos, comportamentais, sociais e ambientais. Por isso, duas pessoas podem seguir a mesma orientação e ter resultados diferentes.
No consultório, vejo pessoas que já tentaram emagrecer inúmeras vezes. Algumas precisam de pequenos ajustes. Outras convivem com compulsão alimentar, alterações metabólicas, uso de medicamentos, privação de sono, dores ou anos de efeito sanfona.
Cada história tem barreiras diferentes. E o meu papel não é julgar quem se esforçou mais.
É identif**ar essas barreiras e construir uma estratégia que faça sentido para aquela pessoa e possa ser sustentada ao longo da vida.
Quem convive com obesidade não precisa de julgamento.
Precisa de acolhimento, conhecimento e tratamento baseado em ciência.
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