15/02/2022
Mensagens dos leitores:
Recebemos uma carta de uma médica brasileira que vive atualmente nos Estados Unidos, em Denver, Colorado, que fez parte do Quadro de Médiuns da FEJOM há muitos anos atrás, e que continua exercendo também sua missão na seara espírita: Analice Hoffenberg.
Carta de uma médium brasileira residente nos Estados Unidos:
Denver, Colorado, 16/01/2022.
Queridos irmãos da Fraternidade Espiritualista João Magalhães (FEJOM)
É com tanta alegria que eu lhes escrevo! Esta fraternidade e a mão segura e estável do meu irmão do coração, Roberto Britto, estendida a mim há tantos anos, e agindo como meu mentor nos primeiros anos de trabalho nesta instituição, foram os elementos que formaram a médium que fui e sou.
Hoje eu trabalho no Centro Espírita de Denver, um centro pequenino que opera no porão de uma Igreja, para a qual fazemos pequenas doações em lugar de realmente alugar as duas salas em que realizamos os nossos trabalhos. O presidente do Centro é um amigo querido, Tadeu Magalhães (outro Magalhães!) dos Santos, e o seu mentor espiritual é o Irmão Josué. Este mentor espiritual também dirige todos os trabalhos espirituais do Centro que atende a uma pequena população de brasileiros espíritas aqui. Nós somos cinco médiuns de vidência, psicofonia, psicografia e de desenhos mediúnicos. A quantidade de membros varia bastante depois da pandemia, mas temos uma média de 10 membros assistindo às palestras públicas toda semana.
O Centro somente tem um dia da semana para todos os trabalhos, todos realizados à noite, depois do dia de trabalho de cada um, das sete e quinze até aproximadamente dez da noite às quintas-feiras. Começamos com a reunião mediúnica (só com os médiuns) às sete e quinze da noite até as oito; das oito e cinco até oito e meia, temos o atendimento fraterno (sessão de passes curativos para membros necessitados que se inscreveram para tratamento); e das oito e meia até nove e meia, temos uma reunião pública para uma palestra apresentada por um dos médiuns uma vez por mês, ou para o estudo das obras básicas de Allan Kardec. No momento, estamos estudando o Céu e Inferno durante a parte inicial da sessão mediúnica, e O Evangelho segundo o Espiritismo e A Gênese durante as reuniões públicas. Depois dos estudos, às nove e meia da noite, temos a aplicação de passes para todos os presentes. Uma vez por mês, na última quinta-feira de cada mês, recolhemos gêneros alimentícios e os doamos ao banco de comidas local, o Food Bank of the Rockies, que serve a famílias pobres que não têm comida na mesa. Sim, é isso mesmo; até aqui, no país mais rico do mundo, existe fome!
Somos um Centro bem pequenino, como vocês podem imaginar, mas muito coeso e amigo. E, mesmo fora dele, nós nos ajudamos mutuamente. A organização é puramente espírita, e não espiritualista, mas isso nunca impediu que meus guias de Umbanda participassem. Os espíritos superiores nunca se ofendem com as nossas crenças e a Cabocla Jurema da Mata Virgem, por exemplo, se manifesta como Irmã Letícia. Muitas vezes ainda posso vê-los com suas roupagens perispirituais de caboclos, e outras vezes, como religiosos (freiras ou padres). O Bem Maior é o que os movem, e a roupagem pouco interessa.
O Mestre Ali-kemur ainda me guia e consola, e às vezes se manifesta através de mim em psicografias ou por psicofonia. Eu me sinto muito agradecida e honrada por sua presença na minha vida. Apesar da direção puramente kardequiana do Centro, como observei antes, nenhum dos meus guias são impedidos de trabalhar.
Nos Estados Unidos, ou pelo menos em Denver, os meus amigos americanos nunca ouviram falar em Espiritismo. E, quando começo a falar sobre contatos espirituais, obras mediúnicas, etc., muitos acham a coisa fantasiosa, algo relacionado ao Halloween, ou algo com que somente cartomantes ou "vigaristas" se ocupam. A ignorância é total e irrestrita. Aliás, essa falta de conhecimento também se estende a brasileiros; já tive amigos presbiterianos insistindo que espíritas não são cristãos.
Eu acho que a maior dificuldade de se divulgar o Espiritismo aqui é cultural. Bem no fundo, apesar da fachada progressista, este país é um país de “pilgrims”, isto é, a cultura é fundamentalmente protestante e conservadora, e contatos espirituais são tidos como eminentemente pecaminosos ou perigosos. Vocês podem lembrar de filmes como “Carrie, a estranha” ou “O bebê de Rosemary”, que são muito característicos da cultura popular.
Outra dificuldade é linguística. Somente há pouco tempo que a Federação Espírita Brasileira (FEB) concordou em traduzir as obras espíritas, das quais tem direitos de edição e publicação, em inglês. Isto atrasou a divulgação de certas obras de Chico Xavier em pelo menos 50 anos! Por acaso, eu descobri uma outra forma de divulgar o Espiritismo. No entanto, com a pandemia, o Centro Espírita fechou por algum tempo. Foi neste período que eu comecei a fazer minhas postagens no Facebook sobre minhas reflexões das epístolas paulinas com o comentário de Emmanuel. No início, esse esforço era só para ajudar os membros do Centro a persistirem na prática do Evangelho no Lar. Mas, como o Facebook traduz automaticamente todas as postagens, alguns amigos americanos passaram a ter contato com as obras de Chico. E, dessa forma, muitos têm tido a consolação do Consolador! Não é maravilhoso? Deus sempre realmente escreve reto por linhas tortas!
Bom, meus amigos, vou f**ando por aqui. Se vocês tiverem mais perguntas, por favor as dirijam ao Roberto, e ele me as enviará com certeza, e terei a oportunidade de lhes escrever de novo.
Abraços mil, da irmã que muito lhes quer bem, Ana.
Analice Hoffenberg - Colaboradora da FEJOM
www.fejom.org
Esta página destina-se a apresentar nossa Fraternidade Espiritualista àqueles que se interessam pelo assunto, e aos que desejam conhecê-lo.