02/07/2026
A Orquestra Sinfônica da UFRJ realiza, no dia 16 de julho, no Salão Leopoldo Miguez, mais um concerto de sua 102ª temporada. Sob regência de Felipe Prazeres, a apresentação reúne o Concerto para piano em Lá menor, op. 54, de Robert Schumann, com solo do pianista José Sacramento, e a Sinfonia nº 3 em Mi bemol maior, op. 55, “Heroica”, de Beethoven.
Híbrida de sinfonia, concerto e grande sonata, a obra que abre a noite foi concebida inicialmente em 1839 como uma fantasia em um único movimento. Em 1845, a obra foi ampliada com a inclusão de um Intermezzo e de um Allegro vivace final. Estreada por Clara Schumann no início de 1846, em Leipzig, destaca-se pela integração entre piano e orquestra e pelo desenvolvimento de um mesmo material temático ao longo dos três movimentos.
O primeiro, exposto pelos sopros, é o motivo gerador para os demais movimentos, passando por diferentes transformações, inclusive de andamentos, até desembocar na bela cadência que antecede a aceleração final. O tema do Intermezzo se destaca pelo diálogo do piano solista com o naipe de violoncelos. O terceiro movimento é de maior virtuosidade, caracterizando-se pela métrica deslocada, que causa um irresistível balanço rítmico.
Na sequência, a orquestra interpreta a célebre “Heroica”, marco na história da música sinfônica. Composta em 1804, a obra originalmente pensada como homenagem a Napoleão Bonaparte recebeu outro significado após a autoproclamação do líder francês como imperador. A decepção do compositor foi tamanha que, num acesso de raiva, Beethoven raspou a dedicatória que havia feito na partitura a ponto de furar o papel. Decidiu por intitulá-la Heróica e dedicá-la “à memória de um grande homem”, passando então a representar uma ideia universal de heroísmo.
A Terceira Sinfonia representa um marco na história da música por expandir a forma sinfônica a dimensões inéditas. No primeiro movimento, Beethoven amplia significativamente a seção de desenvolvimento em relação às sinfonias de Mozart e Haydn, introduzindo inclusive um novo tema. Em seguida, a célebre Marcha Fúnebre confere ao segundo movimento um caráter narrativo, evocando a morte do herói por meio de uma atmosfera solene e de um ritmo que remete a uma procissão. O scherzo do terceiro movimento imprime leveza e vigor, com destaque para o trio de trompas, cuja escrita sugere o caráter de uma dança rústica. O encerramento da obra apresenta um amplo movimento de variações. Após a introdução enérgica e a exposição do tema pelas cordas em pizzicato, Beethoven desenvolve uma série de variações de grande inventividade, incluindo um fugato, culminando em uma coda de forte impacto.
O solista da noite será o pianista José Sacramento, bacharelando da Escola de Música da UFRJ. Vencedor do Concurso de Jovens Solistas da OSUFRJ em 2022, já se apresentou em espaços como a Casa Museu Eva Klabin, a Biblioteca Nacional e a Sala Cecília Meireles. Em 2025, realizou turnê nacional com o Trio Oré e participou de produções do Theatro Municipal do Rio de Janeiro como pianista correpetidor e maestro interno.
A regência estará a cargo de Felipe Prazeres, maestro titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e maestro associado da Orquestra Petrobras Sinfônica. Spalla da Orquestra Sinfônica da UFRJ, Prazeres rege regularmente a OSUFRJ desde 2013 e desenvolve intensa atuação artística no Brasil e no exterior.
Serviço
📅 16/07 (quinta-feira) | 19h
🏛️ Salão Leopoldo Miguez – EM/UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟️ Entrada franca