20/04/2021
Estudo monitora a fauna do Rio para entender os impactos da pandemia de Covid-19 na vida selvagem
Por Ana Cláudia Guimarães • 18/04/2021 10:00
Acompanhar a fauna do Parque Nacional da Tijuca e da Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), no Rio, com câmeras e sensores por um ano para entender como os animais respondem à presença humana nas trilhas durante a pandemia de Covid-19. Esta é a atual missão de Marcelo Rheingantz, biólogo da UFRJ, e Maron Galliez, professor do IFRJ. Ambos trabalham no Refauna - uma iniciativa que a turma sa coluna acompanha de perto há alguns anos e é a responsável por reintroduzir espécies de animais que estavam extintas na Mata Atlântica do Rio.
O novo projeto desenvolvido pele equipe deles, que é financiado pela NatGeo e tem o apoio do Parque Nacional da Tijuca e da REGUA, vai tentar entender se mamíferos de médio e grande porte de fato se comportam diferente na floresta com menos humanos e como eles respondem ao seu retorno. Se com menos barulho de veículos motorizados há maior ou menor diferença no comportamento deles e o porquê tudo isso acontece.
Desde que a pandemia começou, foram vários os relatos e imagens que mostraram como o “sumiço” das pessoas deixou animais selvagens muito mais à vontade – com casos marcantes, como o flagrante em julho de 2020 de um puma dentro da cidade do Rio de Janeiro, um fato não registrado há pelo menos 50 anos na área urbana do Rio. Aliás, chama-se de antropopausa este fenômeno, que é a interrupção ou a diminuição das atividades humanas e foi criado por conta dos acontecimentos vistos durante a pandemia de Covid-19.
A pesquisa faz uso de 37 armadilhas fotográficas e 10 sensores de pedestres em cada uma dessas áreas protegidas. Esses equipamentos poderão ajudar a estimar, por meio de dados, vídeos e fotos, qual deve ser a taxa máxima de visitação de turistas em regiões de trilhas, dentro de cada uma dessas unidades de conservação. Quando tiver os resultados, Marcelo cita quais podem ser os benefícios práticos. “A compreensão deste fenômeno pode auxiliar a gestão de Unidades de Conservação (UC) para assegurar a manutenção da biodiversidade, fazendo uso, se necessário, da limitação adequada da visitação nas trilhas mais movimentadas”, conclui o pesquisador.
Acompanhar a fauna do Parque Nacional da Tijuca e da Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), no Rio, com câmeras e sensores por um ano para entende...