Impasses da Prática

Impasses da Prática Nosso objetivo é disponibilizar um canal/espaço de acolhimento para a escuta das questões e dificuldades enfrentadas pelos profissionais da educação.

O ponto de partida para este projeto de extensão, criado pelas professoras Lucia Perez e Sandra Albernaz Ambas docentes da Faculdade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO , foi o relato de um professor, recém-graduado em pedagogia pela UNIRIO, que se encontrava desalentado com as dificuldades encontradas no desafiante processo de assumir seu papel de professor em sala de aula. Dada a problem

ática em torno dos conflitos que surgem na trajetória de vários professores, estamos desenvolvendo um projeto que tem por objetivo disponibilizar um canal/espaço virtual de acolhimento para a escuta das questões e dificuldades enfrentadas pelos profissionais da educação, principalmente esses que estão iniciando sua prática profissional e que entram em ’’choque’’ com a realidade da prática escolar. O trabalho de escutar os conflitos enfrentados por professores será nossa fonte permanente de pesquisa e estudo. Inspirando-nos, primordialmente, nas teorias da psicanálise, trabalhamos com o que podemos chamar de uma escuta sensível, colocando-nos a disposição de escutar a ‘’dor’’ do outro. Buscamos despertar questionamentos pela convocação ao ato de associação, movimento que pode contribuir para que o profissional em crise construa uma elaboração, a partir de sua experiência, saindo da condição de vítima, na busca e luta pela superação de seus conflitos e dificuldades. Pretendemos, com essa pesquisa, levantar dados que convoquem a universidade a trabalhar sobre as dificuldades enfrentadas pelos educadores, tendo como premissa básica que o ato de ouvir os educadores abre possibilidades para que a aposta na educação possa ser permanentemente renovada. Equipe :

Coordenadoras
Lucia Maria de Freitas Perez
Sandra de Medeiros Albernaz

Bolsistas UNIRIO
Ana Cristina Franca Moledo
Paloma Trevizani Salgueiro


Corpo Freudiano
Leila Martins Farias
Márcia Cristina do Nascimento
Roberta Duarte dos Santos
Rubens Braga de Lima
Sonia Regina Magalhães

‘Há um grande risco’ ⚠️A empresa brasileira Serra Verde, que atua com mineração de terras raras no município de Minaçu (...
21/04/2026

‘Há um grande risco’ ⚠️

A empresa brasileira Serra Verde, que atua com mineração de terras raras no município de Minaçu (GO), foi adquirida pela empresa USA Rare Earth (Usar), mineradora estadunidense, em negociação equivalente a cerca de US$ 2,8 bilhões. A compra foi anunciada ontem (20) pelas companhias.

Em entrevista ao , da , Luiz Paulo Siqueira, membro da Coordenação Nacional do Movimento pela Soberania Popular da Mineração (MAM), aponta que o interesse principal nas terras raras é bélico. “O que está em jogo nessa obtenção é como amplia o poder direto do governo estadunidense no controle das jazidas de terras raras em território nacional, o que é uma afronta à nossa soberania”.

Embora as negociações envolvendo terras raras já estejam acontecendo, falta legislação para regulamentar essa exploração. Sobre isso, Siqueira afirma que a lei para esse tipo de negociação é a mesma que incide para qualquer outra atividade de mineração.

“É uma pauta que a gente tem levantado ao governo e ele tem assumido. Houve um pedido do governo Lula e o Ministério de Minas e Energia tem construído internamente [um regramento para essa exploração específ**a]”, destaca.

Siqueira aponta o risco da apropriação do debate pelas bancadas mineradoras. “Há um grande risco que tem acontecido no Congresso Nacional de parlamentares que criaram a Frente Parlamentar pela Mineração Sustentável. São eles que fazem as leis que retiram os direitos dos trabalhadores, que flexibilizam as leis ambientais para ampliar a fronteira da mineração e facilitar o saque dos nossos minérios em território nacional.”

“Eles estão tentando aprovar, em regime de urgência, o PL que tem dois objetivos: garantir a desoneração fiscal de empresas que exploram esses minerais críticos e facilitar o licenciamento ambiental desses projetos. É fundamental que a sociedade olhe para isso”, aponta.

📍 O Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: uma às 12h e outra às 17h. Você confere as principais notícias na Rádio pela 98.9 FM na Grande São Paulo, no site e no YouTube do 📻

Em meados do século XIX, Viena era a capital mundial da medicina. No entanto, na Primeira Clínica de Maternidade do Hosp...
14/04/2026

Em meados do século XIX, Viena era a capital mundial da medicina. No entanto, na Primeira Clínica de Maternidade do Hospital Geral, escondia-se um inimigo invisível. A “febre puerperal” matava até 30% das mulheres que davam à luz ali. Elas morriam em agonias indescritíveis poucos dias após o parto, com febres altíssimas e dores lancinantes.

Ignaz Semmelweis era um jovem obstetra húngaro de 29 anos, brilhante e profundamente empático. Diferente de seus colegas mais experientes, que viam a morte dessas mulheres como “vontade divina” ou culpa de “miasmas tóxicos no ar”, Ignaz não conseguia dormir. Ele ouvia os gritos das mães durante a noite.

Semmelweis percebeu algo assustador: o hospital tinha duas clínicas. A primeira era atendida por médicos e estudantes de medicina; a segunda, por parteiras. A taxa de mortalidade na clínica dos médicos era até dez vezes maior do que na das parteiras. A ironia era cruel: estar sob os cuidados dos profissionais mais instruídos da Europa era mais perigoso do que dar à luz sem eles.

Ignaz tentou de tudo. Mudou a alimentação das pacientes, melhorou a ventilação, até pediu ao padre que alterasse o trajeto ao caminhar pelos corredores com seu sino para não assustar as mulheres. Nada funcionava. A morte continuava presente.

Em 1847, seu amigo e colega, o doutor Jakob Kolletschka, morreu de forma repentina. Ele realizava a autópsia de uma mulher que havia falecido de febre puerperal quando um estudante o feriu acidentalmente com um bisturi contaminado.

Ao analisar o relatório da autópsia do amigo, Semmelweis ficou chocado. Os órgãos de Jakob apresentavam exatamente os mesmos danos que os das mulheres que morriam após o parto. Foi então que teve uma revelação perturbadora: os médicos e estudantes começavam o dia na sala de dissecação, manipulando cadáveres em decomposição com as mãos nuas. Depois, sem lavá-las, iam atender as mulheres, examinando seus corpos e realizando partos.

Eles próprios estavam levando a morte dos cadáveres para as mães.

Naquela época, a teoria dos germes ainda não existia. Semmelweis chamou aquilo de “partículas cadavéricas”.

Para combatê-las, ele instalou um lavatório na entrada da clínica e determinou uma regra rígida: todos os médicos e estudantes deveriam lavar as mãos e esfregar as unhas com uma solução de cloro antes de tocar qualquer paciente.

O resultado foi impressionante. Em abril de 1847, a mortalidade era de 18,3%. Em julho, após a adoção da lavagem das mãos, caiu para 1,2%. No ano seguinte, houve meses em que a mortalidade chegou a zero. Semmelweis havia descoberto como interromper aquela tragédia.

Seria esperado que ele fosse celebrado como herói. Mas aconteceu o contrário.

A elite médica de Viena se sentiu ofendida. Médicos eram considerados homens respeitáveis, e a ideia de que suas mãos estivessem sujas — e pior, que fossem responsáveis por tantas mortes — era inaceitável. Seu chefe, o professor Johann Klein, rejeitou suas conclusões, chamando-as de exageradas.

Em vez de aceitar a descoberta, a comunidade médica ridicularizou Semmelweis. Ele foi demitido e acabou retornando a Budapeste. Mesmo publicando um livro com evidências sólidas, foi alvo de críticas e zombarias. O orgulho falou mais alto do que a vida das pacientes.

Ver tantas mortes evitáveis destruiu sua saúde mental. Ele se tornou irritado, obsessivo e desesperado. Chegou a escrever cartas chamando outros médicos de “assassinos irresponsáveis”. Seu comportamento passou a ser visto como instável.

Em 1865, aos 47 anos, foi enganado por colegas e até por sua esposa, que acreditavam que ele havia enlouquecido. Disseram que ele visitaria um instituto médico, mas na verdade o levaram a um manicômio. Ao tentar fugir, foi espancado, imobilizado e trancado em uma cela escura.

A agressão causou uma ferida grave em sua mão. A infecção evoluiu para gangrena. Duas semanas depois, o homem que descobriu como prevenir infecções morreu justamente de septicemia — uma infecção generalizada no sangue — sozinho e abandonado.

Mais de 20 anos depois, cientistas como Louis Pasteur e Joseph Lister comprovaram a existência dos germes e confirmaram que Semmelweis estava absolutamente certo.

1 – Salários que não condizem com a responsabilidade de formar o futuro.2 – Ambientes de trabalho muitas vezes insalubre...
14/04/2026

1 – Salários que não condizem com a responsabilidade de formar o futuro.
2 – Ambientes de trabalho muitas vezes insalubres e indignos.
3 – Risco constante no exercício da profissão.
4 – Um desgaste físico e emocional que ultrapassa qualquer limite.
5 - Falta incentivo para qualif**ação e ocupação dos espaços na gestão.
6 – Desvalorização e perda de respeito perante a sociedade.
7 – Um sistema sufocado por burocracias que impedem o essencial: ensinar.
8 – Falta de estrutura pedagógica que compromete o aprendizado.
9 – Ausência de leis firmes que garantam proteção ao docente.
10 – Carreiras sem perspectiva, sem valorização e sem futuro.

Esses não são apenas números ou tópicos. São retratos de uma realidade dura, vivida diariamente por quem carrega nas mãos a missão de educar uma nação.

Valorizar o professor não é escolha política — é obrigação moral. Sem educação forte, não existe futuro forte.

E eu digo aqui, com toda firmeza: Um país que desvaloriza o professor está condenando suas próximas gerações.

Mas eu não vou desistir! Vou resistir e continuar lutando por respeito, valorização e dignidade para cada professor e cada professora, cada profissional da Educação da nossa capital!

Porque defender a educação e seus profissionais é defender o Brasil!







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ÍNDICE MAIOR QUE DE NÃO COTISTASQuase metade dos alunos que ingressaram por meio da reserva de vagas por cotas em univer...
14/04/2026

ÍNDICE MAIOR QUE DE NÃO COTISTAS

Quase metade dos alunos que ingressaram por meio da reserva de vagas por cotas em universidades federais e em instituições da rede federal de Educação concluíram a graduação em 2024. O índice, de 49%, superou o número dos formados por demais modalidades de ingresso, que ficou em 42%.

Os dados são do Censo da Educação Superior (2024), organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O levantamento ainda indica que a maior parte dos estudantes que ingressam no ensino superior por ações afirmativas concluem seus cursos e são diplomados.

Segundo o Censo, mais de 1,4 milhão de pessoas ingressaram em instituições federais de ensino por meio de políticas de reserva de vagas entre 2013 e 2024, o que ampliou a presença de grupos historicamente excluídos desses espaços na educação superior. Em 2024, esse número foi de 133.078 estudantes.

A maior parte das matrículas ocorreu em universidades, que registraram 110.196 alunos cotistas, enquanto 22.587 foram contabilizados em instituições da rede federal.

Com o Sisu, mais de 790,1 mil estudantes conseguiram ingressar em universidades públicas por meio da Lei de Cotas. De 2023 a 2026, esse número alcançou a marca de 307.545 estudantes.

O Prouni foi pioneiro na implementação de ações afirmativas e, desde a sua primeira edição, em 2005, até o ano passado, já beneficiou mais de 1,1 milhão de autodeclarados pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. Em 2024, o Fies também passou a ofertar vagas para cotistas, garantindo o ingresso de 29,6 mil estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.

A Lei de Cotas é obrigatória para as instituições federais e passou por atualizações no ano de 2023, sendo aprimorada com a criação de cota específ**a para quilombolas. O programa também ampliou as oportunidades para a população de menor renda, ao diminuir de 1,5 para um salário mínimo o limite da renda mínima per capta para quem opta por cotas que exigem a comprovação do critério econômico.

(Foto: Sam Balye/Unsplash)

13/04/2026
02/04/2026
Agora é Lei! \nLei no. 15.367 de 30 de março de 2026, Art. 44.Contratação de profissional especializado, de nível superi...
02/04/2026

Agora é Lei! \nLei no. 15.367 de 30 de março de 2026, Art. 44.

Contratação de profissional especializado, de nível superior, para atendimento de pessoas com deficiência no ambiente das instituições federais de ensino.

Ainda não é o ideal, mas o fato das Universidades saírem do modelo de contratação indireta para contratação direta, via PSS, já elimina muitas barreiras para a aquisição dos profissionais de acessibilidade no Ensino Superior, que antes dependiam de terceirização.

Essa era uma das demandas emergenciais desse Colégio.

Ainda precisamos avançar na garantia de rubrica específ**a para esses cargos, para a manutenção e viabilidade orçamentária e da permanência estudantil de pessoas com deficiência no Ensino Superior.

Descrição das imagens em texto alternativo.
Avancemos!

Extraído do mural do colega Allan Damasceno

Teerã é logo aliAcordo com a notícia de que meninas foram mortas numa escola iraniana. O resto do dia passa a girar em t...
31/03/2026

Teerã é logo ali

Acordo com a notícia de que meninas foram mortas numa escola iraniana. O resto do dia passa a girar em torno disso. A notícia f**a. F**a com as imagens, com os comentários, com as versões interessadas, com a sensação de que o crime já entrou no mundo cercado de álibis e de que, no fim, ninguém vai responder por ele. Em Minab, no sul do Irã, a escola Shajareh Tayyebeh foi atingida em 28 de fevereiro, no início da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel. Morreram mais de 160 crianças e professoras. A investigação segue aberta. A resposta não veio. A punição, menos ainda.

É isso que pesa desde cedo. A a cena do massacre basta para quebrar qualquer manhã. O que pesa também é o que vem junto dela: a experiência já conhecida de assistir a um crime dessa dimensão entrar na circulação pública cercado de cautelas, dúvidas seletivas, justif**ativas técnicas, explicações que esfriam o horror antes mesmo que ele possa se fixar como escândalo. A morte de meninas numa escola aparece no mundo e, quase no mesmo instante, começa o trabalho para reordená-la numa linguagem que a torne suportável para quem a produz, para quem a defende, para quem precisa seguir chamando de civilização o que já se acostumou a administrar cadáveres infantis.

Ao longo do dia, leio o que vai saindo, volto ao assunto, vejo o esforço de muita gente para sustentar a gravidade do que aconteceu. Vejo também o resto: o orientalismo automático, a prontidão para suspeitar primeiro do país atacado, a facilidade com que o agredido é redescrito até que a agressão perca nitidez. Em pouco tempo, a cena já está povoada por filtros, reservas, deslocamentos. O massacre continua sendo um massacre, mas passa a circular compensado pela busca diversionista, por ressalva, por cálculo. É aí que a notícia deixa de ser só notícia e vira matéria de desgaste. Ela ocupa o dia inteiro porque o crime chega acompanhado da sua administração.

À noite, o fato retorna com mais densidade. Volta num comentário, volta numa conversa, volta num detalhe que não estava claro de manhã. Num amontoado de análises inócuas. Então, me vem Georg Trakl, poeta austríaco nascido em 1887 e morto em 1914, depois de presenciar o início da devastação da Primeira Guerra. Num verso de Underway, ele escreve: “de novo e de novo aquela tarde passada retorna”. O verso cabe aqui porque certas notícias não terminam quando o dia acaba. Elas voltam porque f**aram sem resposta, porque seguem sem punição, porque o mundo continua de pé em torno delas.

Trakl escreveu a guerra a partir do colapso que ela deixava no corpo e na percepção. Quem lê hoje certos massacres à distância sente outra coisa, muito menor, mas ainda assim real: a guerra passa a ocupar o dia, a organizar a atenção, a interferir no humor, a desgastar a capacidade de sustentar espanto. Ela não nos atinge como as bombas reais, nos obriga a participar da guerra dentro da consciência, no convívio repetido com crimes que retornam, que se repetem.

Teerã é logo ali. A massa de destruição pesa sobre as nossas cabeças, mesmo à distância. A distância geográf**a continua inteira. O cotidiano, não. A guerra entra pela tela, pelas frases que circulam, pelas imagens que voltam quando parecia possível pensar em outra coisa. Ela altera o peso das horas, desloca o humor, introduz uma tensão contínua no interior da rotina. O trabalho continua, os compromissos continuam, as pequenas tarefas continuam, e tudo isso passa a se desenrolar sob a pressão de um acontecimento distante que já se instalou perto demais.

Junto com isso, alguma coisa vai mudando na percepção. A atenção perde firmeza. A sensibilidade procura meios de suportar. Cada novo massacre encontra uma consciência já cansada do anterior. Cada nova imagem se deposita sobre imagens que ainda não saíram. Forma-se aos poucos um aprendizado brutal: seguir o dia carregando mortos na cabeça, ouvir justif**ativas repugnantes, continuar funcionando à espera do próximo horror. Esse prolongamento tem efeito político. Um mundo submetido ao retorno constante do massacre se torna mais fatigado, mais sitiado, mais vulnerável à administração do intolerável. A revolta não desaparece. Vai sendo comprimida, forçada a viver sem consequência, empurrada para dentro de um circuito em que o crime se repete, a desculpa se repete, a impunidade se repete.

É isso que tento segurar quando escrevo. Tento impedir que a manhã seguinte encontre tudo já acomodado dentro de mim. Tento não entregar tão depressa ao esquecimento as meninas mortas, a escola destruída, a linguagem suja que se acumula em torno do crime, a sensação de que o mundo seguirá adiante como se fosse possível seguir adiante assim. Escrevo para retardar essa acomodação. Escrevo porque ainda quero preservar alguma coisa da revolta antes que ela também entre no looping e comece a voltar apenas como cansaço.
..“de novo e de novo aquela tarde passada retorna”.

Ricardo Queiroz Pinheiro

30/03/2026

O PowerPoint certo do Banco Master

CELSO ROCHA DE BARROS

Um programa da GloboNews mostrou um gráfico que colocava Lula e a esquerda no centro do escândalo do Master. Estava errado. A emissora pediu desculpas. Mas como seria o PowerPoint certo?

No centro, coloque Daniel Vorcaro como símbolo do ecossistema Master (que tem também Fictor, Will Bank, Reag, etc.).

Em volta, desenhe um primeiro círculo com o título "suspeitos de roubar com o Master". São os três governadores (todos de direita) e 15 prefeitos (14 de direita) que investiram dinheiro de aposentados no banco. A administração do PT da Bahia é suspeita de coisa diferente, mas pode ser colocada aqui –como um dos 19 casos. Se algum caso merece destaque é Cláudio Castro, do PL, que queimou R$ 1 bilhão dos aposentados do Rio no Master.

Desenhe um segundo círculo com o título "suspeitos de tentar salvar o Master com mutreta". Aqui entram: os partidos PL, PP, União Brasil, Republicanos, MDB e PSB, que assinaram urgência para projeto que lhes permitiria afastar a diretoria do Banco Central que investigava o Master (Req. 3651/2025); Ciro Nogueira (PP-PI) e Filipe Barros (PL-PR), que tentaram mudar a lei para aumentar a cobertura do FGC, dando sobrevida ao esquema (Emenda 11 à PEC 65/2023 e PL 4395/2024); Dias Toffoli, do STF, e Jhonatan de Jesus, ministro do TCU e ex-deputado do Republicanos, que tentaram melar o trabalho do BC.

Guido Mantega, que atuou como lobista para Vorcaro e conseguiu uma reunião dele com Lula e Galípolo; os dois diretores do Banco Central subornados por Vorcaro; e, com absoluto destaque, Ibaneis Rocha (MDB-DF), que deu um rombo de R$ 15 bi a R$ 20 bilhões no BRB tentando salvar o Master.

Nesse segundo círculo também devem entrar Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques. Não sabemos, ainda, se fizeram ou prometeram fazer algo para salvar o Master. Porém, seus familiares (esposa de Moraes, filho de Nunes Marques) têm contratos de advocacia com o ecossistema Master com valores suspeitos. Eu não incluiria Ricardo Lewandowski no mesmo círculo, porque a Polícia Federal, sob sua responsabilidade, prendeu o ecossistema inteiro; e porque os honorários que o Master lhe pagava eram muito mais compatíveis com os valores de mercado. Mas o leitor pode colocá-lo aqui, se achar melhor.

Desenhe um terceiro círculo com o título "recebeu dinheiro do Master para fazer campanha eleitoral". Aqui estão Tarcísio de Freitas (R$ 2 milhões) e, sobretudo, Jair Bolsonaro. Além dos R$ 3 milhões recebidos de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, os passeios de jatinho de Nikolas Ferreira eram para fazer campanha para Jair.

Lula não está no PowerPoint. Até agora, não há sinal de que tenha roubado com o Master, tentado salvá-lo ou recebido dinheiro de seus sócios. Se algo aparecer, colocamos Lula.

Haddad é, pelo que se sabe, o único político que se negou a encontrar Vorcaro. Galípolo liquidou o Master.

Esse tipo de gráfico tem seus defeitos: há gente que fez coisas de gravidade diferente no mesmo círculo. Mais importante: o gráfico precisa ser atualizado com o conteúdo dos celulares de Vorcaro (mais importante que as delações).

Há outros envolvidos, mas todo o núcleo político do caso Master está aí. Agora pinte os envolvidos de direita de azul, os de esquerda de vermelho, os juízes de preto, e observe o padrão.

Celso Rocha de Barros
Servidor federal, é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e autor de "PT, uma História"

FSP 28.03.2026

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

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