02/06/2020
O Centro Acadêmico de Relações Internacionais da PUC-Rio, por meio desta nota, se manifesta como uma instituição ANTIRRACISTA. Infelizmente, vivemos em uma época de pós-verdade, onde até mesmo os direitos fundamentais são questionados e a construção da memória e da narrativa histórica é ditada pelos opressores. Contudo, nós nos posicionamos em contra resposta a esse movimento negacionista, que busca apagar nossas vidas e ancestralidade, e reafirmamos nosso lugar de existência: VOCÊS NÃO PODEM NOS CALAR.
A brutalidade da morte de corpos negros pela autoridades tem causado indignações mundo afora e gerado uma onda gigantesca de protestos. Todos os dias nossas vidas são cessadas pela truculência policial e nossas memórias vinculadas ao crime ma tentativa de nos silenciar. O Estado ainda insiste na lógica colonial de securitização, que pressupõe dois lados: o que é perigoso e o que ou quem precisa ser protegido - e é assim que encontramos a tensão desse contexto: quem determina que o preto é perigoso e que o branco precisa ser protegido?
18 de maio de 2020. 25 de maio de 2020. Nem mesmo em uma pandemia global a bala do estado parou de encontrar corpos Pretos. Nas datas citadas duas pessoas tiveram suas vidas tomadas E ambas eram pretas. Não foi coincidência. João Pedro em São Gonçalo e George Floyd em Minneapolis. Idades distintas. Países distintos. Mas o problema é igual: o racismo enraizado em nossas sociedades.
O Estado deveria proteger a todos, em qualquer lugar, mas escolhe todos os dias quem vive e quem morre, agindo sempre em nome de um seleto grupo. Em nome de todas as vítimas, estão surgindo manifestações que reivindicam mudanças extremamente necessárias. Por um direito básico, a igualdade e o respeito, não só no Brasil mas no globo. Uma luta com razões antigas, mas tristemente atual e que também tenta vencer o outros monstros que o acompanham o facismo e nazismo.
O ato do dia 30 de Maio, no Rio de Janeiro, foi organizado por um grupo de coletivos de favelas, negritude e juventude, integrando, além disso, a luta contra o genocídio promovido pelo governador Witzel. Nos Estados Unidos, de maneira semelhante, os protestos também preconizam a luta contra o racismo e a como tal preconceito está intrinsecamente interligado nas instituições. É, consequentemente, por João Pedro, George Floyd, Ahmaud Arbery, Jennifer Cilene, Marielle Franco, Kauan Peixoto, Kauã Rozário, Kauê Ribeiro, Anna Carolina, João Vitor, David Nascimento, Kethellen Umbelino, Ágatha Vitória, Marcos Vinícius e todos os pretos e pretas que são alvos da polícia e do Estado genocida.
No dia 5 de junho de 2019, a lei que criminaliza o racismo no Brasil havia completado seus 30 anos. Contudo, ainda sim, o racismo continua a estar presente todos os dias. A naturalização de atos racistas e a impunidade de um sistema genocida caracterizam a indignação de muitos. Diante disto, os alunos do Centro de Relações Internacionais da PUC-Rio, representando o seu alunato, mostram-se, por meio desta notif**ação, o apoio incondicional luta antirracista e, consequentemente, o repúdio total a tal tipo de preconceito. O racismo, além de ser um crime, é desumano, cruel e repugnante. E tal deve ser combatido por todos. Todos os dias. Para além de refletir, é necessário agir. Aja e seja antirracista em seu cotidiano!!! Estude, leia,escute vozes pretas, coloquem pretos no topo. Referencie, reconheça e admire vidas negras, por que cada um deles luta todos os dias para estar vivo. Cada uma delas importam.