17/07/2026
O CLAM expressa profundo pesar pela partida da demógrafa, pesquisadora e professora Elza Salvatori Berquó, na quinta-feira (16/07).
Durante sua trajetória coordenou pesquisas de ponta sobre gênero, raça e direitos se***is e reprodutivos, com contribuições significativas para a ampliação das fronteiras teórico-metodológicas, para a formulação de políticas públicas e o debate político. De formação multidisciplinar, graduou-se em Matemática (PUC-Campinas), tornou-se mestra em Estatística (USP) e doutora em Bioestatística pela Universidade de Columbia (EUA). Participou nos anos 1960 da criação do primeiro centro de estudos populacionais no país, sediado na então Faculdade de Higiene e Saúde Pública, hoje Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP. Também participou em 1969 da fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). Fundou, em 1982, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Núcleo de Estudos da População (NEPO), que hoje leva seu nome.
Destaca-se ainda seu papel na formação de pesquisadores e ativistas. Foi uma das idealizadoras do Programa Interinstitucional de Treinamento em Metodologia de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Saúde Reprodutiva, que resultou da parceria iniciada em 1996 entre o Núcleo de Estudos de População (UNICAMP), o Instituto de Medicina Social (UERJ), o Instituto de Saúde Coletiva (UFBA), a Escola Nacional de Saúde Pública (FIOCRUZ) e o Instituto de Saúde (Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo), com o apoio da Fundação Ford e do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde.
Elza dedicou-se à formulação de estratégias de monitoramento dos compromissos da Conferência do Cairo em 1994. Seu legado continua vigente perante a necessidade de eliminar as persistentes desigualdades de gênero no campo da saúde e dos direitos se***is e reprodutivos.
O Centro manifesta solidariedade com familiares e parceiros de pesquisa e vida acadêmica.