04/12/2025
A COP30, realizada em Belém, teve a “Decisão Mutirão Global” como um dos principais resultados políticos da conferência. O documento reforça o papel do multilateralismo e destaca, de forma inédita, a importância do engajamento de atores não estatais – como sociedade civil, setor privado, governos subnacionais, povos indígenas, comunidades locais e, pela primeira vez, populações afrodescendentes – no apoio à implementação do Acordo de Paris.
Entre os avanços, a decisão incorporou temas demandados por países em desenvolvimento, como financiamento climático (com meta de US$ 1,3 trilhão anuais até 2035), transparência das NDCs e a questão das medidas unilaterais de comércio (UTM), que não devem servir como barreiras disfarçadas. Foi lançado o “Acelerador Global de Implementação” e criado um programa de trabalho de dois anos sobre financiamento, embora sem compromissos concretos novos.
Porém, a decisão deixou de fora menções à eliminação ou redução de combustíveis fósseis e ao combate ao desmatamento – temas levantados pelo Brasil, mas sem consenso. Com progressos limitados em adaptação e financiamento, o texto foi considerado diluído, mas marca o início de um novo ciclo de implementação do Acordo de Paris.
Pesquisa e texto: Maria Beatriz Mello