22/12/2019
“Você percebe experiências de racismo nos seus espaços de trabalho?
A cor da enfermagem é negra, mas, se você observar, a enfermagem é composta por três categorias: o enfermeiro, o técnico e o auxiliar. Em nível superior, o enfermeiro não é negro, mas técnicos e auxiliares, sim. Então já começa daí. Eu não sou um grande grupo onde eu estou. Não é fácil, pois a discriminação existe. Eu sou docente na Uerj e isso aflige muito os alunos, assim como em qualquer outra universidade. E na enfermagem muito mais. Como a Uerj trabalha com a questão de cotas, eu tenho numa turma de enfermagem muitos negros, ao contrário de algum tempo atrás. Mas quando as pessoas passam, já dizem assim: “Ah, é a enfermagem! Olha a quantidade de negros na sala.” Então uma turma já é reconhecida como de enfermeiros porque tem em sua maioria a cor negra. Isso perturba muito os alunos”.
Em 1985, quando entrou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pela primeira vez para cursar a graduação em Enfermagem e Obstetrícia, a jovem Luzia da Conceição de Araújo Marques não imaginava que, 34 anos depois, se tornaria a primeira pró-reitora negra da maior universidade federa...