27/06/2024
Sobre a tentativa de Golpe de Estado na Bolívia
A hipótese mais provável de sua causa imediata é a reação do General Zuniga a sua destituição provocada por sua declaração de que prenderia Evo Morales, caso tentasse uma nova candidatura à Presidencia da República.
Zuniga superestimou a baixa popularidade de Luis Arce, que tem 41,9% de aprovação e 51,6% de desaprovação, para lançar uma tentativa de golpe de Estado que diante do forte rechaço popular não prosperou.
Zuniga contava com a adesão do imperialismo norte-americano, denunciado por Luis Arce, como articulador de golpes brandos contra a Bolívia. Em13 de junho, Marcelo Montenegro, ministro da economia, denunciou a representação diplomática dos Estados Unidos de estar por detrás do bloqueio de créditos na Assembleia Legislativa e da interrupção de fluxos nas estradas para criar um caos administrativo e social. A declaração foi rechaçada pela Embaixada dos Estados Unidos no dia seguinte, mas em 24 de junho, o governo Arce lançou uma nota pública contra intromissão nos assuntos internos de Bolívia e convocou Debra Hévia, encarregada de negócios na embaixada dos Estados Unidos na Bolívia, a explicar-se.
Entre as principais razões de descontentamento dos Estados Unidos com o governo Arce estão a cooperação com China e Rússia para a exploração e industrialização do lítio - envolvendo a Yacimientos de Litio Bolivianos, a Citic Gouan e a Uraniun One Group - e a provável incorporação da Bolívia ao BRICS.
A reação popular impediu que a articulação golpista prosperasse insulando-se no circulo de comando do General Zuniga que quixotescamente, diante da falta de poder para desfechá-lo, resolveu atribuí-lo a um autogolpe de Luis Arce, alinhando-se à estratégia de guerra híbrida, sem explicar como teria aderido ao autogolpe para ser preso e tentar desmoralizá-lo ao final, denunciando-o ao mundo.