26/06/2024
Em Minas Gerais, ano de 1935, nasceu Lélia Gonzalez. Filha de operário negro e empregada doméstica de origem indígena, sua família se mudou para o Rio de Janeiro quando ela tinha 7 anos em busca de melhores condições de vida. Isso evidencia que desde cedo, Lélia teve sua vida marcada pelo desejo e busca por mudanças. Apesar das barreiras econômicas, seu nítido engajamento, afinidade com a leitura e estudos de maneira geral, foram fundamentais para a construção de sua trajetória acadêmica. Estudou no Colégio Pedro II, em seguida, passou pela PUC - RJ, UFRJ e UERJ, tornando-se professora, historiadora, geógrafa, filósofa e autora de diversas obras, cuja finalidade principal era, e ainda é, combater o preconceito racial e de gênero no Brasil.
Diante do anseio de superar preconceitos, Lélia considerava a cultura como um importante canal para proporcionar entendimento e maior sensibilidade política. Através do curso de Cultura Negra, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, por exemplo, defendeu o ensino de história e cultura brasileira, devido ao conteúdo educativo e seu valor advindo do cenário histórico, considerando que as raízes africanas se entrelaçam às práticas culturais e religiosas na história do Brasil.
Além disso, por meio de sua ótica sensível, profunda e ao mesmo tempo crítica, ela afirma que a mulher negra é o alvo de discriminação racial e sexual, ou seja, sofre com a dupla exposição de seu corpo. E em virtude desse nefasto problema em nossa sociedade, tanto em suas obras acadêmicas como em seu engajamento político no Rio de Janeiro e internacional, f**a evidente a sua luta a favor feminismo negro. Entre inúmeras contribuições, a ativista, junto a outros integrantes, fundou o Movimento Negro Unif**ado contra Discriminação e o Racismo, na década de 70.
Em 1994, aos 59 anos de idade, Lélia morreu, deixando seu legado a favor da causa feminista, especialmente, a favor de mulheres que sofreram ou sofrem com o racismo e sexismo, servindo como inspiração àquelas que, hoje, século XXI, lutam contra esse tipo de discriminação no Brasil.
Vanessa Moreira
Bolsista e Extensionista - EJA/UFRJ
Graduanda em Letras - Português/Hebraico - UFRJ