05/01/2020
Não foi fácil.
Não foi fácil reconquistar um espaço de luta tão importante quanto o Diretório Central dos Estudantes da Facha.
Em 2018, depois de eleições conturbadas por inúmeros motivos, a chapa Atividade foi eleita para a gestão de 2019. Eram muitas propostas e projetos para serem colocados em prática. Contávamos com cerca de 30 pessoas entre presidentes, diretores, coordenadores e voluntários.
Coincidentemente, com a mudança de gestão do DCE, houve a mudança de gestão da instituição FACHA. A Facha passaria a ser gerida por gestores externos. Gestores com trabalhos e filosofias bem diferentes das historicamente presentes na Facha.
Confira o vídeo onde o Gestor Executivo da Facha afirma que as faculdades deixarão de existir: https://www.youtube.com/watch?v=3yYA652EUDQ&t=10s
Para nós, do DCE FACHA, este vídeo é uma afronta à educação. Se supostamente o EAD é a solução, por que ele continua tão ruim? O Jornalismo está deixando de existir? Será que em tempos de Fake News nós não precisaríamos de jornalistas cada vez mais qualif**ados e, sobretudo, críticos?
Se o EAD já era ruim, agora a situação piorou, pois o número de matérias obrigatórias disponibilizadas apenas à distância aumentou e, pelo visto, continuará crescendo. O TCC passou a ser obrigatoriamente em grupo. A estética da instituição foi modif**ada com o intuito de mascarar um corte de gastos fazendo com que ele pareça uma medida de modernização da faculdade, e não um verdadeiro retrocesso.
Com todos estes acontecimentos, as nossas forças mudaram de direção. Elas precisaram mudar. Em vez de conquistar e criar novos projetos, a tática foi lutar para MANTER nossos direitos que aos poucos nos eram retirados, além de tentar preservar o resto de qualidade que nos restava.
Paralelamente a debates, rodas de conversa, palestras e projetos pontuais, focamos nossos esforços junto ao corpo docente para não perdermos nossos direitos.
Com a força dos alunos da Facha, conseguimos reconquistar o direito ao TCC individual.
Com a força dos alunos e dos professores, juntos conseguimos fazer com que a instituição não parasse por falta de pagamento do décimo terceiro dos docentes.
Abrimos a sala do DCE para um ambiente colaborativo, com cafeteira, microondas e espaço físico para convivência.
Poderíamos ter conquistado mais. Faltou organização e até mesmo um pouco de competência, mas tudo nessa vida é aprendizado.
Nossa gestão f**a por aqui, mas esperamos que a próxima assuma com sangue nos olhos e utilize este espaço de luta como ele nunca deveria ter deixado de ser.
E, pelo visto, o tempo continuará fechado para nós. A mercantilização do ensino é real e instituições pequenas como a Facha não parecem mais um modelo de negócios eficiente. A educação será cada vez mais tratada como mercadoria e tudo o que não gerar lucro continuará correndo o risco de sumir. Aos poucos, a história de resistência da Facha se tornará um passado distante, esquecido e, quem sabe, eventualmente relembrado em discursos publicitários cools que promovam essa nova faculdade, tão distante da Facha da qual tanto nos orgulhávamos.
Por isso, é preciso lutar. É preciso se posicionar, repensar, entender as prioridades, reconhecer o valor dos funcionários, dos professores. E lutar por eles também. Se a educação agora é uma mercadoria, que nós, alunos, pelo menos assumamos o papel de clientes exigentes e cobremos da instituição nossos direitos que aos poucos nos são arrancados. Que não sejamos passivos diante da destruição da Facha que Helio Alonso tanto lutou pra construir.
O DCE é uma poderosa ferramenta nessa luta. Talvez até mesmo seja uma chave mestra. Mas, pra que a engrenagem gire, todos precisam participar. Um Diretório Central Estudantil ativo é um trabalho coletivo. Não se esqueçam.
Desejamos sorte para a próxima gestão e muita vontade de lutar para todos os alunos. Afinal, como cantou Gal Costa, é preciso estar atento e forte. Sempre.
Att,
DCE - FACHA