19/02/2019
O que você precisa saber sobre o choro do bebê?
O choro do bebê é um pedido de ajuda genuíno.
O terapeuta cognitivo-comportamental infanto-juvenil recebe demandas para atendimento de crianças e adolescentes de todas as idades. Quando a criança é muito pequena, o trabalho muitas vezes se torna a orientação dos pais.
Pais de primeira viagem, pais de crianças com um temperamento mais difícil muitas vezes recorrem a ajuda de psicólogos para saber se estão agindo corretamente com seus filhos nos seus primeiros meses ou anos de vida.
Nem sempre é fácil entender quais são as necessidades de um bebê, uma vez que ele ainda não aprendeu a comunicá-las a partir da linguagem verbal. Chorar é a primeira forma que o bebê tem de comunicar uma necessidade.
Existem pelo menos quatro padrões distintos de choro:
1. O choro de fome;
2. O choro de raiva;
3. O choro de dor;
4. O choro de frustração.
Estudiosos da psicologia do desenvolvimento afirmam que os quatro padrões descrevem na verdade uma série de necessidades distintas: fome ou sede, frio ou calor, desconforto com a roupa ou por estar com a fralda cheia, dor, tédio, excesso de estimulação, necessidade de sono, vontade de receber um aconchego ou irritação por ter sido afastado da mãe.
Mães, pais ou cuidadores frequentes tendem a aprender a distinguir entre os diferentes tipos de choro e saber o que fazer para acalmar o bebê momento a momento. O bebê nos dá o recado de que suas necessidades foram atendidas, quando dorme ou f**a acordado de forma ativa, observando o ambiente.
No entanto, quando o choro persiste por mais tempo, é sinal de que ainda não foi oferecido o tipo de ajuda necessária. Não existe uma fórmula infalível para reduzir o choro do bebê, mas é importante dedicação para tentar entender o que o bebê quer.
Bebês com até seis meses de idade não usam o choro para manipular os adultos, tampouco se tornam mimados por receberem atenção e cuidado de pessoas em resposta ao choro. Os pais devem atender ao choro o mais breve possível, de forma consistente e completa. Toque, olhar, conversa e colo. Devem tocar na cabeça ou na testa da criança, olhar e conversar com ela estando em seu raio de visão, para depois, finalmente, pegá-lo no colo buscando atender a necessidade em questão.
Bebês que têm suas necessidades atendidas a partir do choro, tendem a se tornar crianças mais confiantes e com maior senso de auto-eficácia, além de terem a tendência a desenvolverem mais rapidamente a linguagem verbal.
Na próxima segunda-feira, vamos apresentar as estratégias do terapeuta para educar pais e cuidadores sobre como acalmar o bebê.
Por: Renata Vianna, PhD
Referências:
Bee, H. A criança em desenvolvimento. 9a ed., 2003.
Papalia, D.; Olds, S.; Feldman, R. D. O mundo da criança, 2009, p.127.
Shelov, S. (org) from American Academy of Pediatrics. Caring for your baby and young child: birth to age 5, 2009.
Ludington-Hoe, S.; Cong, X.; Hashemi, F., 2002
Wood & Gustafson, 2011