09/08/2017
*SOBRE A ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E SEU PAPEL NA HUMANIZAÇÃO*
por Ana Coelho
Enfermeira Obstétrica
COREn-SP nº 352.099
Sou enfermeira obstétrica e tive a sorte de ser acompanhada por outras duas amigas da mesma categoria profissional no nascimento de minha filha.
Por mais que já nos conhecêssemos, elas fizeram questão de ficar a par do meu acompanhamento pré-natal, e se preocuparam em ouvir meus desejos e medos. Elas prestaram à minha família uma assistência carinhosa, individualizada e segura, me deixando a par de cada intervenção, e respeitando minhas vontades. Elas trabalharam em equipe - com o obstetra e a fotógrafa escolhidos por nós e com a equipe do hospital. Ou seja: tivemos uma assistência de qualidade, e grande parte disso deveu-se a elas.
A enfermeira obstétrica, além de agregar todas as funções e expertises de uma generalista, tem respaldo legal, técnico e científico para acompanhar integralmente parturientes de baixo risco - ou seja, aquela sem intercorrências ou comorbidades durante a gestação -, em todos os períodos clínicos do parto, sem a necessidade ou supervisão de qualquer outro profissional. No caso das gestantes de alto risco, ou em situações de intercorrências, o cuidado prestado tem que ser em parceria com o profissional médico.
Ela é especializada na fisiologia do parto - sabe interpretar a normalidade e suas nuances. Sabe também identificar intercorrências, realizando seu manejo até a chegada de auxílio nos casos mais graves.
Ela domina técnicas não farmacológicas de alívio da dor, proporcionando conforto e bem-estar à mulher.
Ela constitui peça-chave não só para o aumento do número de partos normais, mas também para tornar esse momento cada vez mais satisfatório às famílias.
Infelizmente, ainda vemos muitos serviços de saúde subutilizando a enfermeira obstétrica, deixando-a mergulhada em burocracias e bem longe da assistência direta à mulher, que é o grande objetivo dessa especialidade.
Que possamos ter cada vez mais nossa atuação, que é legal e qualificada, acontecendo e beneficiando o nascimento respeitoso no nosso país, seja em hospitais, casas de parto ou domicílios.
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Meus agradecimentos a Paulo Otacilio, pelo eterno companheirismo, e à Beatriz e Rosiane, pelo carinho e assistência :)