21/11/2025
🥰 No finalzinho deste mês de novembro, compartilhamos com você mais uma pesquisa de Doutorado em Linguística Aplicada 🤩 🥳!
👉 Terça-feira, dia 24/11/2025, a partir das 14h, Graciela Gomes Palacios apresentará sua tese “RELAÇÕES TECNOINTERDISCURSIVAS EM TORNO DAS MENÇÕES AO ZÉ GOTINHA DURANTE O PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO DE VACINAS CONTRA O CORONAVÍRUS: análise de posicionamentos e formações discursivas na plataforma Twitter” 🎯.
☺️ Graciela preparou um resumo para que você saiba mais sobre a pesquisa que ela realizou. Confira abaixo👇🏼:
👉🏼 O presente trabalho trata dos discursos sobre o personagem Zé Gotinha, ícone das campanhas vacinais no Brasil. Em 2020, alastrou-se rapidamente o novo Coronavírus a nível mundial. Durante o contexto pandêmico, o Brasil tinha Jair Bolsonaro como presidente, eleito em 2018. Em meio a um operativo global para o desenvolvimento de vacinas para o combate da doença, apesar da questionável postura do governo brasileiro, tivemos, no país, o reaparecimento da figura do Zé Gotinha, personagem bastante presente em nosso imaginário coletivo e ligado à cultura de vacinação que conhecíamos desde os anos 1990. Tivemos a culminância desse retorno da figura desse personagem quando seu reaparecimento se manifestou por meio da voz do próprio presidente Luís Inácio Lula da Silva (Lula), até então ex-presidente e possível presidenciável na eleição que se aproximava. Em seu primeiro discurso após a anulação de seus processos na Lava Jato, Lula perguntou onde estaria o Zé Gotinha. Em seguida, temos o governo Bolsonaro apropriando-se do personagem através de uma releitura que buscava atenuar o perceptível mau uso de sua figura, o que, até então, desenhara-se não apenas pelas poucas aparições do Zé Gotinha nas publicações do Ministério da Saúde, mas também em função da conduta antivacina do ex-presidente. Ao lidar com lugares enunciativos opostos (governo e oposição), toma-se como referência Maingueneau (2008), considerando sua “hipótese do primado do interdiscurso”. O autor pressupõe uma relação dialógica entre o Outro e o Mesmo, que constitui a diversidade de discursos. Assim, foi lançado um olhar para o interdiscurso em torno do personagem Zé Gotinha. A partir de Maingueneau (2008), foi concebido que o interdiscurso contempla um universo discursivo em que interagem diferentes formações discursivas e posicionamentos. Posto isso, aponta-se como objetivo principal desta pesquisa a análise das relações interdiscursivas que envolvem e constituem os discursos em torno do personagem Zé Gotinha durante o período de desenvolvimento de vacinas contra o Coronavírus, observando a repercussão do tema na plataforma Twitter a partir do referido pronunciamento do presidente Lula. Tomando esse pronunciamento como momento discursivo (Moirand, 2020), foram analisados tuítes publicados antes e depois dele. Para tanto, foram considerados o prestígio do acontecido na plataforma Twitter e a caracterização da realidade investigada enquanto elementos definidores da escolha do Twitter como ecossistema no qual se daria a geração de dados. Para dar conta de enunciados que circulam on-line, recorre-se à Análise do Discurso Digital, pois, eleito o Twitter, foi preciso considerar que categorias de análise textuais ou discursivas pensadas para contextos pré-digitais não poderiam dar conta das particularidades do meio digital. Paveau (2021) postula que, em ambiente digital on-line, o humano e o técnico digital funcionam como prolongamento um do outro e, dessa forma, ambas as dimensões precisam ser consideradas, o que nos convoca a olhar para os contornos que a tecnodiscursividade dá à materialidade enunciativa. Tendo em vista a natureza do corpus explorado, para examinar as relações interdiscursivas em função do aporte teórico adotado, foram elencados três aspectos norteadores para a análise: temático, situacional e tecnodiscursivo. A etapa de geração de dados resultou em um corpus composto por 29 tuítes, selecionados a partir da pesquisa avançada oferecida pelo próprio Twitter em sua versão para computador. Os resultados da análise apontaram 7 instantes discursivos, relacionados a 6 posicionamentos e 1 formação discursiva. Além disso, observou-se que os enunciados analisados revelavam duas relações de interincompreensão regrada, que representavam os discursos antagônicos entre governo e oposição: Lula x Bolsonaro e Ministério da Saúde x Lula. Defende-se com tese a importância de conceber a análise das relações interdiscursivas em textos nativos digitais enquanto uma análise tecnointerdiscursiva. Assim, afirma-se que o estudo contribui para evidenciar a necessidade de abordagens analíticas que considerem as especificidades do contexto digital, ampliando a compreensão sobre a produção de sentidos e sobre as possíveis dinâmicas tecnointerdiscursivas que caracterizam os ambientes digitais 👈🏼.
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Esperamos você 🤗🥰!