22/02/2026
O plantão noturno tem um peso que muita gente só entende quando vive. A cidade dorme, o corredor continua aceso, e a enfermagem segue firme no ritmo que não para. Na imagem, a enfermeira sentada no chão, com o corpo pedindo pausa, retrata uma cena que parece “artística”, mas que, para muitos profissionais, é rotina: a exaustão chegando antes do fim do turno.
E o mais duro é que, em alguns lugares, nem existe um espaço digno para repousar. Não é luxo. É o mínimo. Tem unidade sem sala de descanso, sem cama, sem cadeira confortável, às vezes sem um cantinho silencioso. Quando a demanda aperta, o “descanso” vira encostar onde dá, porque o próximo chamado pode acontecer a qualquer momento. Quem olha de fora vê o uniforme, o crachá, o estetoscópio. Mas não vê as horas em pé, a sobrecarga, a falta de estrutura e a sensação de estar segurando tudo com as próprias mãos.
Esse descaso não é só cansaço físico. É um tipo de abandono silencioso: quando o serviço depende da enfermagem, mas o básico para a enfermagem existir com dignidade não é garantido. E isso machuca, porque a responsabilidade é enorme, o risco é real, e a cobrança vem de todos os lados. Ainda tem quem ache que “é assim mesmo”, como se fosse normal trabalhar no limite.
A enfermagem merece mais do que aplauso. Merece respeito prático: equipe suficiente, condições seguras, pausas possíveis e um local decente para repousar. Porque cuidar do outro não deveria significar se apagar por dentro.
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NOTA: Texto informativo e revisado pelo Enfermeiro e Repórter investigativo: Raimundo Renato da Silva Neto, Coren-PR n° 325265
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Imagem feita com ajuda de IA
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