05/01/2021
Em 2011, o cientista da computação Scott Aaronson, da Universidade do Texas, delineou os fundamentos do que seria um computador quântico baseado em luz mas, frente à opinião de colegas físicos de que ele jamais funcionaria, engavetou o projeto – para vê-lo concretizado nove anos depois. “Não achei que isso aconteceria tão cedo. Tiro meu chapéu para eles.” Aaronson se referia aos físicos Chao-Yang Lu e Jian-Wei Pan, que tornaram possível ao computador quântico Jiuzhang alcançar a supremacia quântica.
Construído na Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC) em Xangai, o Jiuzhang tem uma configuração complicada: um laser na estrutura atinge 25 cristais feitos de fosfato de titanil potássio — ao serem atingidos, cada um deles libera dois fótons em direções opostas. Estes são, então, enviados por 100 caminhos diferentes, percorrendo trilhas feitas com 300 prismas e 75 espelhos. Finalmente, eles caem em 100 canaletas diferentes, onde são detectados.
Ao perceber que um computador quântico fotônico universal demandaria milhões de lasers, espelhos e outros dispositivos ópticos, a comunidade científica enterrou a ideia — até que Aaronson e o físico Alex Arkhipov, à época seu aluno, tiveram a ideia de usar o conceito de amostragem de bóson: o computador quântico teria apenas alguns lasers, espelhos, prismas e detectores de fótons.