09/11/2020
Lindo texto que o apē - estudos em mobilidade fez para sua ex-integrante Marina Harkot.
Marina participou do grupo quando este fazia parte do Escritório Piloto, além de ser conhecida e admirada por muitos de nós através de sua pesquisa, seu ativismo e seu brilho.
Que sua luta por uma cidade justa e humana continue sempre viva entre nós!
É difícil entender e, talvez por isso, escrever. Hoje é dia 9 de novembro, segunda-feira, um dia após o domingo mais difícil do ano de 2020.
2020 nos imobilizou de diversas maneiras, e foi preciso muita energia para reinventar nossas formas de trabalhar, nos relacionar e lidar com as dificuldades. Energia que você tinha de sobra, Ma. E agora, com esta perda, sentimos que será necessário evocar sua lembrança cada vez mais para podermos reunir forças para seguir lutando por tudo aquilo que você, nós, acreditamos.
Quando lembramos de você, pensamos em sua grandiosidade e generosidade, você era São Paulo para nós. Tão livre que tomava a cidade para si com suas pedaladas, ultrapassando as opressões constantes do sistema viário, das formas de circulação e de normas sociais que limitam as possibilidades de viver a cidade de forma justa entre todas e todos. Tão altiva, sabendo que merecia ocupar os espaços tanto quanto todos os outros. Sua força ecoa por todos os cantos da cidade. Você é potência e sempre será.
Você, Ma, permanece com a gente, viva dentro de nós, presente quando conversamos, sonhamos e buscamos construir espaços melhores, convivências mais harmoniosas e realidades mais justas em nossas cidades. Desde aqueles primeiros encontros, nos ônibus do Sinhá Zózima e nos encontros de estudo do apē, em que o envolvimento com os temas da mobilidade se iniciavam e ficaram tão presentes cotidianamente, pra você e pra nós. Com tanta alegria e tanta luta, sempre juntas.
Nosso desafio é seguir fazendo tudo aquilo que você nos mostrou, com tanto entusiasmo, que é possível, é urgente e necessário. Para que a gente não tenha que lamentar por tantos episódios injustos, como a sua partida tão precoce.
Para nós, a justiça em nome da Marina não acontecerá somente no momento em que o responsável for identificado e responsabilizado, ainda que este seja um passo importante. Por isso, repetiremos: não foi acidente!
Também lutaremos constantemente para que essa justiça se concretize no momento em que seja possível convivermos em uma cidade mais humana, com crianças caminhando pelas ruas e com mulheres sem medo de andar e pedalar quando e para onde quiserem. Em uma cidade onde as pessoas tenham e sintam suas vidas mais valorizadas.
Vamos seguir caminhando com você; para isso, seguiremos lembrando e lendo Marina: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16139/tde-17092018-153511/publico/MEmarinakohlerharkot_rev.pdf