02/09/2020
PORQUE A LUTA LGBTQ+ DEVE SER NECESSARIAMENTE À ESQUERDA E AO LADO DOS TRABALHADORES?
Finalizando nossa sessão de vídeos sobre a história do movimento lésbico feminista no Brasil, a militante Alice Oliveira, co-fundadora do primeiro grupo LGBT (SOMOS) e do primeiro movimento organizado das mulheres lé***cas (GALF), há 40 anos atrás, compartilha com nós, neste último relato, sobre o porquê da luta em prol da comunidade LGBTQ+ historicamente ter sido de viés revolucionário e o porquê deve nos dias de hoje, necessariamente, ser à esquerda e ao lado da classe trabalhadora.
Para tanto, Alice recorda de um momento crucial na história do SOMOS, considerado o primeiro grupo de LGBT no Brasil, que foi a adesão à Greve dos metalúrgicos do ABC, no 1º de maio de 1979. Alice conta que o SOMOS se dividiu nesse episódio, com parte que defendeu a importância de se somar às reivindicações populares em plena ditadura e compreendeu que seus membros não eram apenas LGBTQ+, mas também trabalhadoras e trabalhadores oprimidos. Outra parcela, porém, não queria vincular a comunidade LGBT ao processo político, e optou por promover um piquenique no parque Ibirapuera no feriado, ao invés de fazer parte do ato histórico. Apesar dos temores de homofobia, Alice conta que os que aderiram à greve foram bem-recebidos, aplaudidos e que mostraram que é imprescindível a união de diferentes segmentos em combate à exploração, patriarcado e discriminação, ao invés da adoção de posturas isolacionistas do movimento.
Em uma perspectiva mais ampla dos 42 anos de história do movimento LGBTQ+ no Brasil, Alice compreende que o momento de maior expansão de políticas e direitos em prol das minorias se deu nos governos de esquerda, entre 2002 e 2016. Projetos federais como “Brasil sem Homofobia” e a progressiva criação de coordenadorias a nível municipal, estadual e federal, especif**amente para elaboração de políticas públicas para os LGBTQ+, foram essenciais para promoção da discussão perante a sociedade e combate à discriminação. Além disso, entende como uma vitória o movimento ter saído de sua bolha, de forma que hoje são vários os sindicatos com secretarias LGBT e os partidos de esquerda com núcleos internos LGBT, como pioneiramente fez o PT em 93. A partir disso, na atualidade, aumentaram imensamente os partidos que tornaram a pauta LGBTQ+ uma bandeira política e eleitoral, mas Alice ressalta que não basta eleger candidatos que sejam LGBTs, mas sim candidaturas dentro de partidos que verdadeiramente promovam o debate público em prol dessa luta. Por fim, também aponta que é papel dos diversos movimentos se unirem na formulação da compreensão de opressões antes negligenciadas pela grande parcela, como a de indígenas, pessoas com deficiência e mulheres negras LGBT, compreendendo que a questão LGBT perpassa por todos os segmentos da sociedade.