16/06/2021
Nos últimos meses, aconteceu no Peru as eleições presidencial, vice-presidencial e parlamentar, com a mais importante sendo a presidencial, neste segundo turbo disputado por Keiko Fujimori (Fuerza Popular) e Pedro Castillo (Peru Livre).
Desde os anos 1990, o país vivia sob o Fujimorismo, ditadura comandada por Alberto Fujimori após realizar um autogolpe no Peru, em 5 de abril de 1992. Após isso, Fujimori colocou o exército nas ruas do país e fechou o Congresso.
Durante os quase dez anos de seu governo, cerca de 200 mil mulheres foram esterilizadas à força devido a uma lei de controle de natalidade, setores estratégicos do Estado foram privatizados (como a extração de cobre, por exemplo), mesmo que 50% da população estivesse em situação de pobreza e adquiriu dívidas externa de 610 milhões em empréstimos no FMI, além de 1,16 bilhão de dólares com Espanha e Japão. O ex-ditador ordenava a caça e assassinato de pessoas vinculadas à guerrilha Sandero Luminoso e do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, grupos de oposição ao governo Fujimori, e inclusive foi condenado a 25 anos de prisão pelo massacre de Barrio Alto, onde 15 pessoas foram assassinadas, e La Cantuta, onde oito estudantes e um professor de uma universidade foram enterrado como indigentes em uma fossa comum, todos supostamente ligados às guerrilhas.
Assim, em 2021, há uma expectativa quanto a vitória de Pedro Castillo no Peru, considerando que Keiko Fujimori assumiu como líder do Fujimori no lugar de seu pai, Alberto, e manteve o mesmo discurso neoliberal do fujimorismo. Apesar de não ser o candidato da esquerda ideal (Castillo é reconhecidamente conservador quanto a questões como ab**to e identidade de gênero), Pedro Castillo é visto como a solução para a política peruana, e sua vitória, como a esperança para uma mudança na America Latina, assim como a vitória de Alberto Fernandéz, na Argentina. As eleições de candidatos da esquerda para a direção do país poderia ser o começo de uma tímida revolução na America do Sul, além de um freio na influência imperialista dos Estados Unidos.