15/11/2017
NOTA DE APOIO À GREVE DOS ESTUDANTES DA USP
O Centro Acadêmico Manoel de Abreu (C.A.M.A.), órgão representativo dos alunos da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, vem por meio desta declarar apoio a greve iniciada dia 13 de novembro dos alunos da Faculdade de Medicina da USP (Centro Acadêmico Oswaldo cruz - CAOC). A greve foi deliberada em Assembleia Geral dos Estudantes, realizada dia 9 de novembro e ocorreu após várias tentativas de negociação frustadas e mobilização dos alunos sem resultados. Além dos alunos de medicina, a Escola de Enfermagem da USP(EEUSP) também aderiu ao movimento (Centro Acadêmico Trinta e Um de Outubro - CAEE). Os objetivos da greve são "a contratação de profissionais via USP para o Hospital Universitário da USP (HU)" e "Saúde e educação pública de qualidade".
Desde 2014, na gestão do reitor Marco Antônio Zago, o HU vem sofrendo cortes e passou por dois Programas de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), foram mais de 300 demissões, refletindo em condições extenuantes de trabalho aos que permaneceram.
Por conta da falta de recursos humanos, a direção do HU começou a reduzir os atendimentos em 2016: fecharam 49 leitos, os serviços oftalmológicos foram suspensos, os prontos-socorros adulto e pediátrico, limitados à noite e à gravidade dos casos e há possibilidade de fechamento do seu serviço de pronto atendimento da pediatria no final de novembro.
Segundo a reitoria da USP, há a possibilidade de contrato com a Secretaria Municipal de Saúde para contratação de funcionários via SPDM, ou seja a terceirização dos funcionários junto do projeto de desvinculação do HU da USP. Porém tal forma de contratação prejudica o ensino, porque os contratados não terão vínculo com a USP nem a responsabilidade de ensinar. Assim, além da população atendida, a principal prejudicada, mais de 2000 alunos de cursos da área da saúde que passam parte da sua formação da graduação (sendo 40% do internato), residência e de pós-graduação no HU são afetados com o desmonte do hospital.
Recentemente passamos por crise profunda da Santa Casa, vimos o que está acontecendo com o Hospital São Paulo da UNIFESP e agora estamos assistindo o caminho trilhado pelo HU. O modo como a crise desses hospitais se deu pode ser diferente, mas o contexto de sucateamento do SUS e o prejuízo para a população e para os alunos é semelhante e muito grave. Apoiamos a greve da FMUSP e da EEUSP e nos colocamos a disposição dos alunos para auxiliá-los com o que pudermos, sabendo das grandes dificuldades impostas aos que aderiram a greve.
A luta por uma Saúde Pública de qualidade é de todos nós!