22/09/2026
Por que alguns gliomas permanecem estáveis durante anos e, em determinado momento, passam a evoluir rapidamente?
Uma pesquisa da Weill Cornell Medicine identificou um mecanismo que pode ajudar a responder essa questão. O estudo analisou gliomas com mutação no gene IDH, tumores que costumam atingir adultos jovens e geralmente apresentam crescimento mais lento nas fases iniciais.
Os pesquisadores observaram alterações na metilação do DNA, processo epigenético responsável por regular quais genes são ativados ou silenciados sem modificar a sequência genética. À medida que o tumor se tornava mais agressivo, esse mecanismo de controle apresentava falhas, favorecendo células mais imaturas, com maior capacidade de proliferação e características associadas à resistência aos tratamentos.
A descoberta amplia a compreensão sobre a progressão desses tumores. Até então, grande parte das investigações estava concentrada no acúmulo de novas mutações; agora, o estudo mostra que mudanças na forma como os genes são regulados também podem ter papel importante na evolução da doença.
Ainda não há aplicação clínica imediata. No futuro, porém, padrões de metilação poderão contribuir para identificar risco de progressão antes mesmo de alterações visíveis nos exames de imagem e ajudar a compreender por que determinados pacientes respondem de maneira diferente aos tratamentos. Essas possibilidades ainda precisam ser confirmadas em novos estudos.
Para a pesquisa biomédica, o trabalho reforça como a análise molecular pode revelar mecanismos que vão além da sequência do DNA e aprofundar o conhecimento sobre o comportamento dos tumores.
Que impacto a epigenética poderá ter no diagnóstico e no desenvolvimento de tratamentos mais personalizados?
Fonte: LabNetwork