27/04/2021
“FILHOS DE CHERNOBYL” - ESTUDO DE DESCENDENTES DOS ATINGIDOS PELO ACIDENTE NUCLEAR HÁ 35 ANOS
Registros oficiais indicam que 600 mil pessoas receberam o status de liquidante, nome dado a quem participou dos esforços para conter o impacto do acidente.
Quando o reator número quatro da usina de Chernobyl explodiu na madrugada de 26 de abril de 1986, a cidade do norte da Ucrânia se tornou uma cidade fantasma e a vida de dezenas de milhares de pessoas foi marcada pelo desastre atômico.
Desde então, muitos dos sobreviventes tiveram que lidar com doenças ligadas à radiação a que foram expostos e com a incerteza do que poderia acontecer com seus descendentes, os chamados "filhos de Chernobyl".
Uma das questões que intriga cientistas e sobreviventes há décadas é se os efeitos da radiação nuclear poderiam passar para os descendentes.
Agora, pela primeira vez, um estudo genético lança luz sobre o assunto e seus resultados acabam de ser publicados na revista Science.
A pesquisa, liderada pela professora Meredith Yeager, do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI), se concentrou nos filhos de trabalhadores que se alistaram para ajudar a limpar a área altamente contaminada ao redor da usina nuclear (os chamados "liquidantes").
E o resultado do estudo foi uma surpresa para muitos dos envolvidos: não foram identificados "danos adicionais ao DNA" de crianças nascidas de pais que foram expostos à radiação da explosão de Chernobyl antes de elas serem concebidas.
Estas são novas mutações no DNA — elas ocorrem aleatoriamente em um óvulo ou es***ma. Dependendo de onde no projeto genético de um bebê uma mutação surge, ela pode não ter impacto ou pode ser a causa de uma doença genética. Existem entre 50 e 100 dessas mutações em cada geração e são aleatórias.
Isso significa, dizem os cientistas, que o efeito da radiação no corpo dos pais não tem impacto nas crianças que eles eventualmente vão conceber no futuro.
Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2021/04/24/filhos-de-chernobyl-o-que-diz-primeiro-estudo-de-descendentes-dos-atingidos-pelo-acidente-nuclear.ghtml