Centro de Estudos Ameríndios - CEstA/USP

Centro de Estudos Ameríndios - CEstA/USP O Centro de Estudos Ameríndios (CEstA) é um Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP), vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo.

Tem como objetivo produzir, aprofundar, sistematizar e divulgar conhecimentos sobre os povos indígenas das Américas. Sua equipe é composta por pesquisadores de diferentes áreas, contando com especialistas reconhecidos no Brasil e no exterior, vinculados à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Departamentos de Antropologia e História), Museu de Arqueologia e Etnologia, Instituto de Estudos Brasileiros e Instituto de Matemática e Estatística (Departamento de Ciência da Computação).

CEstA Dupla com Chloe Nahum-Claudel e Fabiana Maizza22/05/2026, às 17h30Cozinhando com Lévi-Strauss e as mulheres Enawen...
15/05/2026

CEstA Dupla com Chloe Nahum-Claudel e Fabiana Maizza
22/05/2026, às 17h30

Cozinhando com Lévi-Strauss e as mulheres Enawenê-nawê: em busca da condição humana nos detalhes da experiência cotidiana
As mulheres Enawenê-Nawê do Brasil Central tem uma relação próxima com seu sustento de base, a mandioca brava e tubérculos tóxicos em estado cru. Controlar o contato com a mandioca exige atenção constante da parte dos membros de uma casa (mudar a cozinha de
lugar, tomar precauções xamânicas, cozinhar pratos especiais, etc.) pois aí se encontram pessoas vulneráveis aos efeitos nocivos da planta, concebida como um sujeito feminino hiperanimado – são elas, as mulheres menstruadas, seus parceiros, pais de recém-nascidos ou adolescentes. Seguindo a iniciativa de Lévi-Strauss e através da etnografia dessa convivência diária necessária, mas por vezes perturbadora, exploro como a condição humana é “cozida” por processos que são sempre tanto práticos como metafísicos. A ideia é justamente investigar a forma como a prática e a experiência sensoriais da vida se articulam com o mito e a ideologia referentes à mulher-mandioca. O que considero útil na obra de Lévi-Strauss sobre a culinária é que ele observa os pequenos detalhes da experiência cotidiana e oferece chaves heurísticas que fazem destas pequenas coisas – que muitas vezes dizem respeito às mulheres – indicadores de sentidos determinantes. Por meio de uma releitura crítica do “triângulo culinário” de Lévi-Strauss, proponho, portanto, uma perspectiva feminista sobre o ato de cozinhar a condição humana.

Chloe Nahum-Claudel
Chloé Nahum-Claudel é antropóloga, professora na Universidade de Manchester (UK). Depois de defender sua tese na Universidade de Cambridge em 2012, ela foi pesquisadora na EHESS (CERMA, Mondes-AM), no Pembroke College Cambridge, e na London School of Economics and Political Science. Suas pesquisas focam nas relações entre a humanidade e a natureza, no gênero, na dimensão política e inovadora do ritual e na diplomacia dos povos indígenas. Com base em seu trabalho de campo entre os Enawenê-nawê da Amazônia brasileira, ela publicou uma monografia, Vital Diplomacy (Oxford, Berghahn, 2018), e diversos artigos. Desde 2015, ela também realiza trabalho de campo em Papua Nova Guiné sobre caça às bruxas, o que a levou a adotar uma abordagem feminista mais explícita, abrindo também novas perspectivas para seu trabalho na Amazônia.

Jardins, plantas do mato e outras vegetalidades Jarawara: notas sobre mulheres indígenas e a ecologia da atenção
Pretendo pensar as práticas do criar e cuidar de plantas das mulheres jarawara em seus roçados, jardins, entornos, e na busca aos frutos da floresta, procurando especular sobre estas relações enquanto agência política e cosmopolítica. A ideia é pensar as práticas ecológicas das mulheres indígenas como práticas de emaranhamento com seres não humanos, algo que Despret chama de ecologia da atenção. Assim, a discussão visa dialogar com estudos feministas pós-estruturalistas que seguem as intuições e trabalhos de Lynn Margulis sobre simbiose que afirma que a vida na terra evolui não de forma isolada e competitiva, mas sim através de entrelaçamentos multiespécie onde relações interespecíficas formam os seres em um processo de coevolução. Procurarei deslocar a narrativa etnográfica para que as mulheres
indígenas sejam descritas de uma forma mais próxima à forma como se autodescrevem em suas mobilizações intelectuais e políticas contemporâneas - “mulheres guerreiras da ancestralidade”, “mulheres biomas” - me interessando tanto pelas relações tecidas com plantas próximas, criadas pelas pessoas, como por aquelas distantes, que despontam sobretudo no período das chuvas, quando os mais diversos frutos podem ser apanhados no mato (yama kabani ya).

Fabiana Maizza
Fabiana Maizza é professora de antropologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), formada em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Suas pesquisas atuais focam em relações de gênero e em relações entre humanos e plantas cultivadas entre os Jarawara, povo com quem dialoga desde 2004. Publicou artigos sobre agência feminina, políticas feministas da vida, ecologia e feminismo, e relações humano-planta. É atualmente pesquisadora associada ao Centro de Estudos Ameríndios (USP), à Societé des Américanistes
(Musée du Quai Branly, Paris), e ao Ayé: Laboratório Interdisciplinar Natureza, Cultura e Técnica (UFPE, Recife).

Atividade presencial
Entrada gratuita, sujeita à limitação do espaço
Não há inscrições

Sede do CEstA: Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia - Favo 8
Cidade Universitária, São Paulo-SP
www.cesta.fflch.usp.br
[email protected]
Instagram: cestausp

Atlântico IndígenaSimpósioUniversidade de São Paulo (USP), São PauloUniversidade Federal de São Paulo (UNIFESP), SantosA...
27/02/2026

Atlântico Indígena

Simpósio

Universidade de São Paulo (USP), São Paulo
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Santos
Aldeia Guarani Tekoa Mirim, Praia Grande

11 a 13 de março 2026
Simpósio apoiado pelo projeto EDGES

Organização:
Susana Matos Viegas (ICS-ULisboa, EDGES)
Valéria Macedo (UNIFESP)
Marta Amoroso (USP)
Maria Inês Ladeira (CTI)
Thiago Mota Cardoso (UFAM/EDGES)

Endereços:
Dia 11 – USP - LISA (manhã) e CESTA (tarde): Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia favo 8, Cidade Universitária, São Paulo - SP
Dia 12 – UNIFESP - Parque Tecnológico: Rua Henrique Porchat, 47, bairro Vila Nova, Santos - SP
Dia 13 - Aldeia Tekoa Mirim - Rua Serra da Leoa, s/nº, paralela à Rodovia Governador Mário Covas (Padre Manoel da Nóbrega), Praia Grande - SP

Apresentação:
Este simpósio visa reunir pesquisadores indígenas e não indígenas em torno de uma reflexão sobre territorialidades, significados e relacionalidades envolvendo o mar e povos indígenas que habitam atualmente a longa costa atlântica do Brasil. Contrariando a visão moderna da paisagem como entidade externa destinada à contemplação e/ou da terra como solo destinado ao extrativismo e ocupação, o simpósio convoca reflexões sobre o Atlântico e suas bordas territoriais ou, para alguns povos, suas dobras com outros patamares cósmicos. Isso implica, em primeiro lugar, endereçar a multiplicidade de vidas nas paisagens da mata atlântica, dos brejos, das confluências entre rios e o mar, das passagens da terra arenosa da planície para a terra fértil das serras, dos atravessamentos das rodovias e das mercadorias no turismo e nos portos, e de múltiplas formas de conceber o oceano negligenciadas por uma historiografia
sobre o atlântico marcada pela conquista, domesticação e escravidão. O que designamos
Atlântico Indígena serve de contraponto ao quadro de pesquisas sobre o Atlântico como
espaço “civilizacional”, e complementa, num avesso (e não num oposto), os estudos sobre o Atlântico Negro que, desde a década de 1990 vieram trazendo à cena a violência dos deslocamentos de vidas através desse oceano.
Ao lançarmos uma reflexão sobre o Atlântico Indígena queremos endereçar paisagens
invisibilizadas do Atlântico, buscando ainda suas dimensões invisíveis. Particularmente,
centraremos foco nas conexões entre o Atlântico e a mata que toma o seu nome, assim como as múltiplas vidas que o conectam em terra firme com rios, mangues e outras bordas, compondo cosmo-existências e cosmopolíticas. Como aponta a etnologia guarani, cada vez mais fortalecida por pesquisadores guarani, o Atlântico como travessia em intensidade para tempos-espaços outros, conectando mar e céu. E, ainda, o Atlântico como massa de areia que borda a costa brasileira e foi apropriada como território do lazer, consumo e contemplação, mas que é, antes e sobretudo, lugar de vidas vincadas na terra por seres leves, como os caranguejos e outros habitantes dos subsolos. Que Atlântico será esse dos pontos de vista indígenas? Esta é a pergunta geral que trazemos para este simpósio.
Dando seguimento a um já longo e antigo debate antropológico, o simpósio mobiliza a
perspectiva dos corpos em movimento, que viabilizam e encontram no Oceano partes de terra, em que as ilhas constituem paisagens que reportam a ontologias no extremo oposto ao que o Atlântico da globalização e da conquista tem servido à história dos últimos séculos. Para as vidas indígenas, esse Atlântico da globalização significou invasão, destruindo ou ameaçando seus modos de viver. Mas há ainda muita vida e conhecimento lá onde os olhares da globalização não alcançam ou não reconhecem.
Nascido de uma reflexão sobre a costa atlântica indígena no Nordeste, o simpósio visa
promover diálogos entre visões e vivências Guarani às margens do Atlântico com as de povos que vivem no Nordeste. Também está prevista a realização de um segundo simpósio em Manaus em 2027 para integrar as visões do Atlântico do ponto de vista de povos indígenas da Amazônia, nomeadamente do Alto Rio Negro e do Baixo Rio Madeira, iniciadas neste primeiro encontro. Partindo de uma publicação de Viegas e Cardoso (2024) sobre as paisagens do Atlântico indígena no Nordeste, da referência do trabalho de Maria Inês Ladeira (2007) e de Valéria Macedo (2009) sobre a orla do Atlântico para os Guarani, o simpósio propõe-se expandir, multiplicar e fomentar um diálogo entre os antropólogos não indígenas que estão envolvidos nestas relações com o Atlântico indígena e pesquisadores indígenas das universidades UNIFESP, USP e UNICAMP.
O simpósio é organizado em cinco eixos temáticos que fomentam Rodas de Conversa, com apresentações de até 15 minutos seguidos de debate.

Dia 11 de março, USP, Auditório do LISA, 09h00
Abertura com Susana Matos Viegas (ICS-Ulisboa) e Thiago Mota Cardoso (UFAM)
Painel 1, 9h30 - 13h00
As águas na Mata Atlântica (USP)
Mediadora e debatedora: Anaí Veras Brito (PPGAS/USP)
Carlos Papá (Selvagem, Projeto Escolas Vivas): Nhe’ēry – a Mata Atlântica como lugar onde nossas almas se banham
Saulo Kuaray Xunũ (Ação Saberes Indígenas na Escola/ASIE -UNIFESP): O Vale do Ribeira em suas águas doces e salgadas
Susana Matos Viegas (ICS-Ulisboa) e Thiago Mota Cardoso (UFAM): O trânsito entre o mar, o areal e a mata atlântica - perspectivas Tupinambá e Pataxó
Elizabeth Pissolato (UFJF): Imagens da mata no mangue: os bichinhos de caixeta talhados e grafados pelos Mbya Guarani no litoral sul fluminense
José Glebson Vieira (UFRN): Marisqueiras, catadores de caranguejo e ostreicultores entre os Potiguara/PB

Painel 2, USP, CESTA, 15h00 - 18h00
O Atlântico na Amazônia e no centro-oeste
Mediadora e debatedora: Joana Cabral de Oliveira (UNICAMP)
Luiz Medina Guarani (UNICAMP): O mar de longe e de dentro entre os Kaiowa
Vera Lúcia Aguiar Moura Ye& #39;pa Mahsõ (UNICAMP): Ohpêkõ dihtará (Lago de leite): O fluxo que atravessa o tempo.
Joaci Marangatu Silva Souza (LINDI-UNIFESP): A Amazônia na travessia para o mar: uma caminhada em busca da terra sem males

Marta Amoroso (DA/USP), Jurandir Farias da Silva Tukano (PPGAS/USP) e Orlindo
Ramos Marques Tukano (PPGAS/USP): A cobra grande amazônica e o oceano em narrativas dos Tukano e dos Mura

Dia 12 de março
Painel 3, UNIFESP, Parque Tecnológico, 09h00 - 13h00
O mar no mundo e nas caminhadas Guarani e Tupi Guarani
Mediadora e debatedora: Valéria Macedo (UNIFESP)
Catarina Nimbopyruá (ASIE-UNIFESP): O sonho de meu pai e a retomada de nossa terra no mar
Timóteo Vera Popygua (LINDI/UNIFESP): As águas na formação e transformação do cosmos Guarani
Renato da Silva Wera Mirĩ (LINDI/UNIFESP): Caminhadas nesta terra e travessias para além-mar
Melissa Vivacqua (Imar-UNIFESP): O Atlântico indígena para além dos horizontes coloniais da ciência moderna sobre as águas

15h00 - 18h00
Mediador e debatedor: Renato Sztuman (USP)
Marilene Pará Reté (LINDI-UNIFESP): Do Mato Grosso do Sul ao Espírito Santo e São Paulo: caminhadas por lugares, línguas e parentes
Reinaldo Peralta Vera Mirī (LINDI-UNIFESP): O desastre das águas de Itaipu e a caminhada ao oceano
Luiza Para Mirī (ASIE/LINDI-UNIFESP) e Amanda Signori (UNIFESP): O extrativismo da
Petrobrás no mar e as terras indígenas no Vale do Ribeira
Renzo Taddei (Imar-UNIFESP): Entrelaçamentos possíveis entre a oceanografia e os saberes indígenas

Dia 13 de março
Painel 4, TEKOA MIRIM, 10h00 - 13h00

Entre as matas e o mar, os desafios para definir limites em Yvyrupa
Mediadora e debatedora: Maria Inês Ladeira (Centro de Trabalho Indigenista/CTI)
Edmilson de Souza e Genézio Gonçalves (cacique e vice-cacique da TI Tekoa Mirim:
Palavras de boas-vindas aos visitantes
Apresentação do coral infantil
Ronildo Wera Amandios (cacique da TI Paranapuã) e Hugo Salustiano (CTI; PPGAS/USP):
Sonhos, mar e o tekoa Paranapuã em São Vicente/SP
Marcelo Hotimsky (CTI): Os Guarani e as ilhas do Complexo Estuarino Lagunar de Iguape, Cananéia e Paranaguá
Sérgio Martins Popygua (UniSantos; ASIE-UNIFESP; Comitê Interaldeias): Formação e
fortalecimento dos tekoa no litoral sudeste

Painel 5, 14h30 - 17h30
Oguata Porã: caminhadas nesta terra, para paũ (as ilhas) e travessias para além-mar
Mediador e debatedor: Renato da Silva Wera Mirĩ (LINDI-UNIFESP; CGY)
Palavras dos xeramõi e xejaryi:
Jaryi Irondina Para (tekoa Paranapuã, São Vicente/SP)
Xamõi Marcelino Karai Tibes (tekoa Paranapuã)
Xamõi Tiago Franque Wera Mirim (tekoa Pakurity,Ilha do Cardoso, Cananeia/SP)
Xamõi Alcides (tekoa Vy’a, Superagui, Guaraqueçaba/PR)

16/12/2025
CEstA Dupla com Ana Coutinho (expositora) e Camila de Caux (comentadora)28/11/2025, às 17h30Sede do CEstA: Rua do Anfite...
25/11/2025

CEstA Dupla com Ana Coutinho (expositora) e Camila de Caux (comentadora)

28/11/2025, às 17h30
Sede do CEstA: Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia - Favo 8
Cidade Universitária, São Paulo-SP

Olhares e falas-segredo: notas etnográficas sobre mulheres e inimigos no ritual de Tawã nos Apyãwa-Tapirapé (Médio-Araguaia)

A partir da realização de trabalho de campo realizado entre os Apyãwa (Tapirapé), povo Tupi-Guarani que habita a Serra do Urubu Branco, no nordeste do estado do Mato Grosso, propomos uma análise mais detalhada das relações que as mulheres estabelecem com os espíritos dos inimigos, visitantes anuais da casa cerimonial (Takãra). Os Apyãwa (Tapirapé) foram etnografados no final da década de 1930 por Charles Wagley, que se dedicou ao estudo do xamanismo. Herbert Baldus, por sua vez, pesquisou diversos aspectos da "vida social" tapirapé, com ênfase na chamada cultura material. Em ambos os trabalhos, há algumas menções às qualidades xamânicas das mulheres, conhecidas como koxymaxe. No entanto, o papel das mulheres nos rituais (festas) não foi devidamente enfatizado. Nesta apresentação, propomos uma análise sobre a atuação das mulheres e de seus conhecimentos “gerativos” em um dos rituais de maior centralidade para os Apyãwa — o ritual (festa) do inimigo, Tawã-Rarywa. Pretendemos aprofundar a investigação sobre os modos e graus de intensidade com que as relações entre as mulheres e os espíritos dos inimigos são vivenciadas. Essas relações mantêm uma ambiguidade constante entre cuidado, adoção e perigo, efetuada finalmente pelos atos rituais de olhar e falar em segredo. Ao abordar a relação das mulheres com o espírito do inimigo, propomos uma contribuição à literatura etnológica sobre os T.G contemporâneos.

Ana Coutinho realiza pós-doutorado no CEBRAP- MECILA – USP sobre as máscaras Ype/Cara-Gra-Grande dos Apyãwa-Tapirapé que se encontram atualmente em diversos museus etnográficos no Brasil e no exterior. Possui doutorado em Antropologia Social pelo PPGAS-Museu Nacional (UFRJ) e integra o Laboratório de Antropologia Ritual e Memória (LARMe) da mesma instituição. Possui experiência de campo na região do Médio-Araguaia e participa do projeto colaborativo de elaboração e construção do Museu Apyãwa-Tapirapé pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Camila de Caux é doutora e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ e bacharel em Ciências Sociais pela UFMG. Trabalha e pesquisa em parceria com os Araweté, no médio curso do rio Xingu, no Pará, atualmente colaborando na criação de um arquivo comunitário. Realiza pós-doutorado no Departamento de Antropologia da USP com pesquisa de arquivo sobre os povos Tupi quinhentistas, em particular sobre suas concepções de gênero, substância(s) e corporalidade. É pesquisadora associada ao Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP).

Entrada gratuita, sujeita à limitação do espaço
Não há inscrições

CEstA recomenda:O Consulado da França em São Paulo e o PPGAS/USP convidam para o ciclo“E se o Ocidente não fosse o único...
06/11/2025

CEstA recomenda:

O Consulado da França em São Paulo e o PPGAS/USP convidam para o ciclo

“E se o Ocidente não fosse o único a filosofar?”
Frédéric Fruteau de Laclos
(Université Paris-Est Créteil)

Conferência
(com tradução simultânea)
“Philosophies africaines: ethnophilosophie, géophilosophie,
philosophie comparée: la question de la pensée en Afrique”
Debatedor: Tiganá Santana (IEB-USP)

Terça-feira, 11 de novembro de 2025, às 17h
Casa do CNRS
Rua da Reitoria, 100; Cidade Universitária.
__________________________________________

Seminário
(transmissão ao vivo pelo canal do Youtube do LISA)
“Bruno Latour et le problème de la connaissance
(L'Anthropologie des modernes)”.
Debatedor: Stelio Marras (IEB-USP)

Sexta-feira, 14 de novembro, às 10h
Auditório do LISA
Rua do Anfiteatro, 181 – Colméias (Favo 10);
Cidade Universitária

Para saber mais sobre o autor de La Connaissance des Autres (2021):
https://lis.u-pec.fr/membres/membres-titulaires/fruteau-de-laclos-frederic

CEstA Dupla com Luma Prado (Mestra em história social USP e autora de Cativas Litigantes) e Gustavo Velloso (Departament...
24/10/2025

CEstA Dupla com Luma Prado (Mestra em história social USP e autora de Cativas Litigantes) e Gustavo Velloso (Departamento de História da FFLCH/USP)

31/10/2025, às 17h30
Sede do CEstA: Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia - Favo 8
Cidade Universitária, São Paulo-SP

Luma Prado: O ilícito e o lícito na escravização de indígenas na Amazônia sob colonização portuguesa, século XVIII

A escravidão indígena é um capítulo pouco contado, quando não ocultado, de nossa história. No entanto, nos séculos 17 e 18, dezenas de milhares de indígenas foram escravizados – de maneira lícita e ilícita – na Amazônia e em outras partes das áreas americanas sob colonização portuguesa. No Estado do Maranhão e Grão-Pará, a principal força de trabalho era indígena até meados do século XVIII, seja escravizada, seja aldeada ou ainda sob outras formas de trabalho compulsório. Por meio da análise de segundos exames de cativeiro e de denúncias de irregularidades da escravidão apresentadas por indígenas às instâncias jurídico-administrativas coloniais em demandas por liberdade, nesta comunicação, será possível repertoriar práticas correntes de redução ao cativeiro feitas ao arrepio das leis na Amazônia do século XVIII, assim como discutir o lícito e o ilícito da escravização indígena.

Gustavo Velloso: Depósito de índios: uma categoria laboral cambiante em tempos desiguais do processo colonial nas Américas

A comunicação acompanha o processo de gênese da categoria “depósito de índios” e suas metamorfoses no movimento de trânsito entre diferentes conjunturas. Será explicitado que, de uma simples operação mercantil e/ou judicial, o depósito, acrescido do complemento “de índios” no contexto da formação inicial do Novo Mundo, logo converteu-se tanto em categoria quanto em modalidades práticas de trabalho, ao longo do século XVI e início do XVII, para, na segunda metade dos anos mil e seiscentos, ainda que de modo circunstancial, tornar-se uma relação laboral regulamentada e, finalmente, proibida – mas não inteiramente abolida, persistindo em outros moldes pelo menos até as décadas finais do século XVIII. Será dada atenção especial a dois espaços-tempo em que um par de categorizações particulares dos depósitos adquiriu destaque: na região de Nova Galícia, na segunda metade do século XVI, e no sul do Chile, no último quartel do século XVII.

Luma Ribeiro Prado é historiadora. Pesquisadora no Centro de Estudos Mesoamericanos, Amazônicos e Andinos (CEMAA/USP), no Laboríndio - Grupo de Pesquisa sobre o Trabalho nas Américas (CNPQ/USP) e no programa Povos Indígenas no Brasil do Instituto Socioambiental (PIB/ISA). No PIB/ISA, atua também com articulação com mulheres indígenas e educação, fortalecendo a efetivação da Lei 11.645/08, que determina o ensino de histórias e culturas indígenas e afro-brasileiras em todas as escolas do país. É mestra em História Social pela USP e autora de Cativas Litigantes (Elefante, 2024).

Gustavo Velloso é professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP). Doutor em História Social pela mesma instituição (PPGHS-USP) e em História Moderna pela Universidad de Sevilla (US). Suas investigações concentram-se em processos de mudança social e conflito na interface entre História da América Indígena e História da América Colonial, com ênfase para as modalidades do trabalho ameríndio, as insurreições multiétnicas, a reconfiguração das sociedades mapuches e a crise do século XVII. Coordena o "Grupo de Pesquisa sobre o Mundo do Trabalho nas Américas", constituído em 2018 e desde 2020 cadastrado no Diretório de GP's do CNPq. É autor do livro "Ociosos e Sedicionários: populações indígenas e os tempos do trabalho nos Campos de Piratininga, século XVII" (São Paulo: Intermeios, 2018) e da tese "Os nós da flecha: crise e sublevação na fronteira meridional do Império espanhol (Chile, 1655-1662)" (USP/US, 2022).

Colegas do CEstA,Iremos retomar o CEstA Dupla a partir do início de outubro de 2025, seminário que realizamos entre 2012...
23/09/2025

Colegas do CEstA,

Iremos retomar o CEstA Dupla a partir do início de outubro de 2025, seminário que realizamos entre 2012 e 2019 e que foi interrompido pela pandemia. Dele, participam duplas de pesquisadoras/es que expõem e debatem sobre suas pesquisas, entre si e com as pessoas presentes. As sessões ocorrerão com periodicidade quinzenal, às sextas feiras, 17h30, a partir do dia 3 de outubro.
Detalhes sobre a primeira sessão no cartaz abaixo/anexado.

Saudações
Equipe de organização do CEstA Dupla

CEstA Dupla com Cliverson Pessoa e Márcia Rodrigues

03/10/2025 - 17h30
Sede do CEstA - Rua do Anfiteatro 181, Colmeia - favo 8

Cliverson Pessoa – Doutor em arqueologia
Paisagens de movimento no interflúvio Madeira-Purus

Nos modelos sobre a ocupação da Amazônia, os grandes rios têm sido tradicionalmente
privilegiados como principais eixos de circulação, fundamentais para compreender processos de migração, dispersão e expansão de pessoas, objetos e ideias no passado. O interflúvio Madeira-Purus, no sudoeste da Amazônia, oferece outras possibilidades para pensar a relevância das rotas terrestres construídas pelos povos indígenas ao revelar um conjunto de evidências arqueológicas de estradas e estruturas de terra que desafiam interpretações centradas apenas nos cursos fluviais. Este trabalho analisa as principais características da formação dessa paisagem, continuamente transformada ao longo dos últimos quatro milênios, até alcançar o período da economia da borracha, quando seringueiros estabeleceram diferentes formas de relação com as comunidades indígenas da região. Trata-se de uma história de longa duração, cujos vestígios vêm sendo severamente ameaçados pelo avanço recente do desmatamento, o que reforça a urgência de seu reconhecimento como patrimônio arqueológico.

Márcia Rodrigues – Doutoranda em Ciências do ambiente e sustentabilidade na Amazônia
Terra Preta Amazônica: arqueologia, antropogização e sustentabilidade

Nessa apresentação, pretendo falar do meu projeto de tese, que retratará a sustentabilidade da Terra Preta Antropológica da Amazônia. Esse assunto pode ser visto como relativamente recente e complexo, por ainda guardar grandes mistérios acerca dos processos de formação e da permanência das características desses solos. Entretanto, tenho consciência de que essa não pode ser a única preocupação a orientar o projeto. Em outras palavras, não existe solo antropológico sem mãos humanas, mãos essas que não lhes cabem o apontamento de inimigas ou parte que deva ser impedida ou cortada para que não toque no meio ambiente. Pois parto do princípio de que esses solos resultam de processos de antropização realizados pelos povos originários. Além disso, nos muitos sítios arqueológicos, os chamados “povos da floresta”, nos dias atuais, continuam o manejo dessa terra. Sendo assim, deixo explícito que o objetivo geral desta pesquisa é analisar a sustentabilidade temporal e a capacidade de armazenamento de nutrientes da Terra Preta Amazônica, com foco nos sítios arqueológicos Laguinho e Caldeirão, em Iranduba (AM), e Teotônio, em Porto Velho (RO). Mas cabe destacar que o termo “sustentabilidade” não se restringe ao cuidado com um espaço isolado. Para que ela ocorra de fato e de direito, é necessária a cooperação entre diversos seres vivos e não vivos.
Assim, embora o solo seja o centro da análise, reconheço que ele se integra a um todo, do qual o humano é parte fundamental em todas as trocas e relações estabelecidas.

Amazônia(s). Vozes originárias e pedagogias da arte e conservação-restauração na École supérieure d’art d’AvignoncomKara...
20/08/2025

Amazônia(s). Vozes originárias e pedagogias da arte e conservação-restauração na École supérieure d’art d’Avignon

com
Karai Djekupe (liderança guarani, São Paulo)
Morgan Labar (historiador de arte, Ecole nationale supérieure des Beaux-arts de Lyon, França)
Camille Benecchi (conservadora-restauradora, École Supérieure d’Art d’Avignon, Avignon, França)
Léa Le Bricomte (artista, Escola Superior de Arte de Avignon, Avignon, França)

28/08/2025, 18h
Sede do CEstA
Rua do Anfiteatro, Colmeia, favo 8
Cidade Universitária - São Paulo - SP

Amazônia(s). Vozes originárias e pedagogias da arte e conservação-restauração na École supérieure d’art d’Avignon.jpg

A mesa-redonda propõe apresentar o projeto realizado na ESAA por uma artista, uma conservadora-restauradora e um historiador de arte. O método consiste em convidar para Avignon representantes de comunidades indígenas da Amazônia brasileira, em particular dos povos Surui, Guarani e Ashaninka, com os quais foram estabelecidas parcerias. O encontro com atores das lutas indígenas (o chefe Almir Narayamoga Surui, a ativista Ivanaeide Bandeira e a jurista e ativista Txai Surui) ensina que existem cosmovisões, espaços de conhecimento, de sentir e de pensar que, embora marcados pela opressão colonial, não são redutíveis à experiência moderna do mundo, sem serem, por isso, vestígios de um mundo passado ou fechado sobre si mesmo. Por meio dessas experiências pedagógicas, o projeto defende a necessidade de uma abordagem de conservação-restauração em conexão, ou mesmo em estreita colaboração, com os representantes das comunidades de onde os objetos provêm. Apostando que o descentramento produzido por esses encontros sobre os hábitos de sentir e pensar enriquecem e influenciam o programa pedagógico,a mesa redonda compartilhará aspectos desses três anos de experimentação.

Mesa em Português e Francês com tradução consecutiva.

IX Conferência Curto Nimuendajú com Rivelino Barreto (UFSC e Instituto Serrapilheira)27/06/2025 - 10hsSala 14 - Prédio d...
26/06/2025

IX Conferência Curto Nimuendajú com Rivelino Barreto (UFSC e Instituto Serrapilheira)

27/06/2025 - 10hs
Sala 14 - Prédio de Ciências Sociais USP - Av. Luciano Gualberto, 315

Hierarquia e sistema de organização social: a máquina de parentesco tukano

No Brasil, assim como nas outras dimensionalidades das Terras Altas e Terras Baixas do cenário e contexto ameríndio, cada etnia indígena tem um modelo específico, particular, independente e interdependente de uma organização social pautadas pelas metodologias de abrangência étnica que permitem antes uma vivência seguidas de autoidentificações. Para tanto, do ponto de vista do cenário étnico das culturalidades indígenas brasileiras, os sistemas patrilineares e os sistemas matrilineares, é que prevaleceram como fundamentos da autoidentificação de uma etnicidade. Mais do que serem sistemas tratam-se na verdade de métodos educativos de um arcabouço sociocultural. Diante do cenário em que as demandas de identificações étnicas tornam-se fundamentais frente às políticas públicas e políticas acadêmicas, necessárias e diferenciadas enquanto aspectos do direito indígena, é que pretende-se fazer uma abordagem acerca da temática Hierarquia e sistema de organização social: a máquina de parentesco tukano, como forma de proporcionar debate a partir da leitura da organização social tukano vivenciado enquanto uma metodologia educativa e enquanto uma máquina de organização social indígena no contexto do noroeste amazônico.

PALESTRA COM CAMILA DE CAUX (Doutora PPGAS/Museu Nacional - UFRJ)30/05/2025, 14h30Sede do CEstARua do Anfiteatro, 181, C...
26/05/2025

PALESTRA COM CAMILA DE CAUX
(Doutora PPGAS/Museu Nacional - UFRJ)

30/05/2025, 14h30
Sede do CEstA
Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia, favo 8
Cidade Universitária - São Paulo - SP

Dois ou muitos corpos? Traduções de gênero nos relatos sobre os Tupi quinhentistas

Nesta fala, apresento as primeiras reflexões de uma pesquisa em andamento, dedicada a investigar os processos de elaboração de corpos genderizados entre os povos Tupi quinhentistas. Rastreando o vocabulário de substâncias abundantemente presente nos relatos dos cronistas — referências a sangue, sêmen, cauim, puba, entre outras —, busco evocar ecos de uma cosmopolítica das substâncias, na qual corpos genderizados eram formados por atos voluntários, coletivos e densamente conceituados. Nesta primeira aproximação, proponho uma visada panorâmica: começo com o papel das substâncias e seus fluxos nos rituais de reclusão pós-menarca e pós-homicídio, que visavam a formação de corpos adultos masculinos e femininos, e concluo com uma reflexão sobre algumas figuras que escapavam à tecnologia colonial binária de gêneros acionada pelos cronistas: as figuras transgênero “tebira" e “çacoaimbeguira", os jovens “panema" e as velhas “uainuy".

Endereço

Rua Do Anfiteatro, 181/Colmeia/Favo 8/Cidade Universitária
São Paulo, SP
05508-060

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